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Born to be Bad (1950 – EUA)

Nesse despretensioso filme por encomenda, Nicholas Ray nos delícia com uma narrativa aconchegante entre personagens milionários da alta sociedade e artistas galgando seu lugar ao sol. No fundo, o filme, trata de uma alma diabólica, uma garota interesseira (Joan Fontaine) que prefere arriscar o amor que sente pela possibilidade de casar-se com um marido rico (mesmo que este seja o namorado de sua prima e grande amiga).

As tramóias e o jogo de palavras poderia cair facilmente no inverossímel, mas Ray consegue captar a personagem e tornar factível e principalmente elevar a capacidade de persuasir. Dessa forma, o deleite com as artimanhas dessa vilã loira e encantadora dialogam sensivelmente com os filmes da época, com uma ingenuidade do cinema Americano dos anos 40-50, sem que pareça algo improvável. Na doçura do olhar está toda a capacidade de dissimilar.

Rebecca (1940 – EUA)

Voce nunca verá Rebecca na tela, mas ela está lá, presente praticamente em todos os planos desde que o casal chega em Manderley. E de forma sufocante, de brilho raro, a menção de sua presença ofusca qualquer um. A nova esposa de Maxim (Laurence Oliver) é renegada à sombra da falecida, a nova Sra de Winter (Joan Fontaine), de origem humilde, se sente como empregada, como um cãozinho em novo habitar. Rebecca a todos os cantos, só se fala nela, e a governanta Mrs Danver (Judith Anderson) coloca-se como fã numero 1 da patroa endeusada.

Não há pressa alguma na condução de Alfred Hitchcock, primeiro o romance dos pombinhos, depois a fase de adaptação complicada na nova casa, a presença demoníaca e assustadora da governanta, até a reviravolta (não da história, mas de personagens), tudo conduzido com tranquilidade, com pulso, Hitchcock parece estar abrindo um álbum de fotografias e nos contando as histórias de cada uma delas. O drama, o amor, personalidades dúbias, a verdade de uma vida conjugal e no meio desse mundo de intrigas uma jovem ingênua, entregue a seu amor límpido de uma forma tão genuína que nos encanta (enquanto Hithcock nos surpreende, felizmente).