Posts com Tag ‘Joaquin Phoenix’

You Were Never Really Here (2017 – RU) 

É a história de um homem solitário e reservado, que vive para cuidar, carinhosamente, de sua mãe bem idosa. E também a história desse mesmo homem, um seria killer (Joaquin Phoenix) contratado para resgatar a filha de 12-13 anos, de um senador, que foi sequestrada e obrigada a se prostituir.

A trama leva para caminhos de conspiração, cenas fortes de violência (predileção pelo uso de martelo), ainda que lentas, mas há outros aspectos no filme de Lynne Ramsay. Entre eles, a curiosa relação entre a garota e o contratado para lhe salvar, algo que lembra a relação entre Foster e DeNiro em Taxi-Driver, nada a ver com questões sexuais. Outra característica é como Ramsay realiza esse anti-filme de ação, por mais que a trama tenha todos os ingredientes do gênero. São personagens que carregam muita dor e solidão sob os ombros, e do caos se aproximam.


Festival: Cannes 2017

Mostra: Competição

Prêmios: Melhor direção e ator

homemirracionalIrrational Man (2015 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A concepção da trama do professor de filosofia (Joaquin Phoenix) angustiado e alcoolatra, que causa fascínio imenso em sua aluna (Emma Stone) durante conversas pelo campus ensolarado ou à beira do mar, traz repetição da filmografia de Woody Allen, mas não é problema algum. A causa se complica quando, efetivamente, entra em operação a terceira adaptação de Allen de Crime e Castigo.

O didatismo dominante está presente em todas as falas, na narrativa em off, por todos os lados. Allen não deixa uma sombra sem explicação, de forma além de explícita. Chega ao irritante, algumas cenas até mesmo patéticas. Que há tempos que a vida não é um filme de Woody Allen, nós sabemos, mas tratar o público com tamanha incapacidade de compreender o que está acontecendo, sem se repetir, explicar tudo, já vai se tornando um desserviço ao cinema.

E não adianta florear com bonitos planos de por do sol, caminhadas por belor parques arborizados, e o jazz característico, a racionalidade humana e a discussão da moralidade requer argumentos mais elaborados do que simplificar, de maneira tão ingênua, a obra de Dostoiévsky.

vicioinerenteInherent Vice (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É como se Paul Thomas Anderson condensasse toda a parte descolada de sua carreira num único filme. Sua bastante fiel adaptação do livro homônimo de Thomas Pynchon é um noir multicolorido, e animado em sua trilha sonora, em permanente viagem de entorpecentes. Esse espírito captado por Anderson é tal qual o livro. A sensação de que o detevido “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix) vive em constante efeito de drogas, e outros alucinógenos, é a verdadeira linha narrativa utilizada por Pynchon e por Anderson.

O detetive se mete nas maiores confusões quando se envolve a investigar um pedido de sua ex, de gangues de motoqueiros nazistas, a um navio de contrabando, passando por um policial estranhíssimo, tudo é motivo para Doc “fumar um”. Este noir pós-moderno de Anderson carrega tons sexuais, o colorido dos hippies dos anos 70, e doses cavalares de humor por uma Califórnia extravagante e sensual.

Seguir todos os acontecimentos (tanto no filme, quanto no livro) se mostra uma perda de tempo, é impossível, é confuso, não deve mesmo fazer sentido nem na cabeça do autor. Talvez por isso consiga traduzir tão bem a essência dos anos 70, a malemolência, o suingue de quem coloca sua vida em risco e simplesmente ri de tudo a seguir. Anderson sai dos temas tão densos, da rigidez religiosa, para um clima de liberdade total, de descompromisso, o submundo do retrato da liberdade setentista.

Outros Filmes de Paul Thomas Anderson aqui na Toca: Jogada de Risco | Boogie Nights | Magnólia | Embriagado de Amor | Sangue Negro | O Mestre

aimigranteThe Immigrant (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

A crítica está maravilhada. Na web, mundo à fora, os elogios são intermináveis. Depois de ter concorrido em Cannes 2013, o filme acabou guardado, ficou de fora da corrida do Oscar (Gray não é da turma que é indicada ao prêmio, mas está sempre presente em Cannes), e está sendo lançado agora, em muitos países. Em breve nos cinemas brasileiros.

A fuga é um tema recorrente no cinema de James Gray, normalmente a abordagem está focada no que/onde se tenta fugir. Os conflitos estão na origem, pouco importa o destino. Em seu quinto filme, Gray muda um pouco a ordem das coisas, Ewa (Marion Cotillard) foge das guerras do início do século passado na Europa. Busca nos EUA um local seguro, onde possa prosperar, como seus tios que lá estão. O filme todo ocorre no destino, no novo mundo, no local que carregava esperança até sua chegada.

Nada acontece como nos sonhos, Ewa acaba nas garras de um cafetão, Bruno (Joaquin Phoenix), a quem ela desenvolve uma estranha afeição, enquanto ele uma paixão inesperada. Pela elegância da condução de Gray mergulhamos pela Nova York underground, dos cabarés e da prostituição, com requinte, mesmo que para todos os bolsos. Gray não está denuncinado o tratamento pouco hispitaleiro dos americanos, não, longe disso. Seu filme é sobre o local da fuga, é sobre a esperança corrompida, a determinação de prosperar, de recuperar a irmã, do amor posto ao segundo, talvez, terceiro plano.

O mágico Emil (Jeremy Renner) é outro sinal de esperança, outra promessa envolta a interesses amorosos. Nasce um triângulo amoroso de amores que não se perpetuam. São imperfeitos, irregulares, tomados pela equação coração x razão. A querida imigrante polonesa passa apuros, abusos, Gray é sempre comedido em seus dramas, por mais pesados que possam ser. A passividade é bela, a maturidade soberana, e a beleza da discussão final é algo além do exemplar.

Ela

Publicado: fevereiro 3, 2014 em Cinema
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elaHer (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Spike Jonze começa com uma premonição do futuro. As relações humanas tão complicadas e a proximidade com a tecnologia tão acelerada, em qual futuro estaremos nos relacionando com as máquinas? O plot é lindo, solitário (Joaquin Phoenix) se apaixona por um software que fala com ele (Scarlett Johansson). Espaço aberto para a ternura e a melancolia.

Spike Jonze usa de tons de laranja (vermelho também, mas em menor escala) de uma forma que, provavelmente, jamais se fez (só quem teve uma persiana laranja na sala, como eu, sabe do que estou falando). A opção estética traz cores vivas, iluminação brilhante, um confronto oposto a melancólica exacerbada que o protagonista carrega. É lindo vê-lo em estado de graça, apaixonado por aquela voz que parece corresponder a tudo que ele gostaria de ouvir/sentir/viver.

Por outro lado, esse tom melancólico parece uns dois tons acima do que deveria ser, tudo está impregnado dele. Tanto que, aliado a outras características, o que se pergunta é: o quanto esse filme é uma resposta a Encontros e Desencontros (de Sofia Coppola). Jonze e Coppola viveram juntos e após a separação ela gravou o filme.

ela2A teoria é de que Rooney Mara seria a representação de Sofia, e Phoenix e a tradução da própria melancolia de Jonze. Faz sentido, e sabemos bem que é dessa fase de magoas que muitos artistas transcendem a maior de suas inspirações. Mas, falta ao filme de Jonze sentimento. Afinal, ele está apaixonado (mesmo que por um software), a melancolia é tão grande e poderosa que engole tudo, até o final espertinho. E Amy Adams? Fazendo o que ali? Jonze começa bem com sua premonição até morrer envaidecido por sua própria ideia, afinal não encontrou uma forma de fluir.

omestreThe Master (EUA – 2012) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Paul Thomas Anderson coloca-se, definitivamente, num estágio de cinema em que não se permite filmes fáceis. Filma com a grandiosidade de épicos (usa 70mm dessa vez), mas está sempre privilegiando relações pessoais (pai e filho em Sangue Negro, amorosa em Embriagado de Amor, de todos os tipos em Magnolia) complicadas, confrontos rigorosos. Aqui ele tomou emprestado os primórdios da Cientologia, a similaridade é óbvia, indiscutível, basta ler poucas linhas sobre o homem que criou a polêmica religião. Mas o diretor prefere fugir da biografia. Está interessado em desenvolver um tipo de relacionamento, uma espécie de confronto entre um homem tão vazio e outro tão absurdamente vaidoso.

Coloca, lado a lado, o desmiolado, problemático, alcoólatra e violento, Freddie (Joaquin Phoenix), uma espécie de veterano de guerra zé-ninguém. E o escritor, físico nuclear, entre outras atividades, mas acima de tudo, manipulador, Lancaster (Philip Seymour Hoffman). O poder de persuasão de Lancaster é tamanho que praticamente catequisa o eterno desinteressado em tudo que não seja sexo e embriaguez. A Causa (como PTA rebatizou a Cientologia) cresce, ganha adeptos, o mentor é questionado, e responde tão agressivamente quanto seu “animalzinho” Freddie. São esses os momentos em que Thomas Anderson critica abertamente a seita religiosa, as elucubrações cientificas, as regressões e histórias de vidas passadas, o cineasta não é sutil em cutucar, mas sempre mostra que seu tema central é outro, o confronto Freddie e Lancaster.

Porque um deseja “domesticar”, o outro ser “domesticado”, mas tente fazer isso com alguém tão vazio que é incapaz de ter fé. O filme é todo moldado nessa cumplicidade inexplicável, alimentada pela empatia, e nisso a trilha sonora de Jonny Greenwood é fundamental. Sem falar nas atuações monstruosas da dupla principal, o errático e o mestre, personagens tão complexos e tão bestiais, fora Amy Adams e suas aparições felinas, carregadas de opinião. Onde Paul Thomas Anderson não conseguiu chegar? No grande público por suas opções estéticas e narrativa não convencional, isso é óbvio e até ponto positivo, mas falta um toque de obra-prima, aquilo que transforma o bem-feito em mágico, que te agarra pelo estômago.

We Own the Night (2007 – EUA)

James Gray tem algo diferente no trato da imagem, ou melhor, na forma como ele a explora, é algo vouyer dentro de um estilo próprio, talvez nos traga a sensação de estarmos manejando a câmera, ao invés de apenas observando. Essa sensação vem desde a primeira cena quando o gerente da boate El Caribe, Bobby Green (Joaquin Phoenix) encontra sua sexy namorada Amada (Eva Mendes) masturbando-se num sofá e ele assume carinhosamente a situação até ser obrigado a parar com a diversão (ossos do ofício). O roteiro, bem amarrado, não guarda surpresas, reviravoltas, há nele o peso familiar, o comportamento revoltado do “ovelha-negra”, mas há a ligação fraterna.

Bobby mantém distancia do irmão (Mark Wahlberg) e pai (Robert Duvall) policiais, enquanto vive da noite nova-iorquina e da proximidade com o trafico de drogas capitaneado por gangsteres russos até que seus familiares correm risco e ele é obrigado a optar por um dos dois lados. A seqüência avassaladora de perseguição de carros na chuva (em emoção e sentimentos) é apenas outro grande momento onde Gray demonstra todo o peso de sua mão condutora, mas sua força onipresente é mais forte nos pequenos momentos, na angustia de Bobby e Amada, na cena com a escuta no isqueiro, na solidão que o até então “dono da noite” divide num hotel às escondidas. De forma clássica, por mais que peque em alguns excessos como o sermão dos policiais na igreja (moral e religião elevadas), Gray resgata o gênero policial esquivando-se de tortuosas cenas de ação para privilegiar a justiça do homem, a lealdade de suas convicções, como nos velhos westerns.