Posts com Tag ‘Jodie Foster’

elysiumElysium (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Neill Blomkamp chegou a Hollywood com seu sucesso em Distrito 9, e o que ele apresenta em sua estreia nos EUA é uma versão amplificada daquelas favelas sul-africanas e do próprio universo de guerra por sobrevivência do trabalho anterior.

Mais dinheiro, astros maiores, e um roteiro com ego mais inflado e faraônico. Matt Damon encarna o herói “imorrível”, aquele que apanha o filme todo, mas está sempre preparado para mais uma luta, outra corrida. Enquanto Damon tenta salvar o mundo, reencontra sua paixão da infância (Alice Braga) e tem ajuda de um nerd lider da rebelião (Wagner Moura dublando sua voz, e é outro em atuação patética).

Eles vivem no planeta Terra, mas queriam mesmo estar em Elysium, onde moram os ricos (como a caricata Jodie Foster). Um mundo perfeito onde todos guardam, na sala de casa, uma máquina capaz de curar todas as doenças do mundo. Claro que os pobre vivem em condições subumanas na Terra e querer ir para lá. O plot interessante, mas Blomkamp e sua turma estragam tudo com excesso de velocidade nas cenas de ação, com atuações absurdamente patéticas, e um heroísmo clichê em níveis radioativos de irritatividade. A decepção vem de todos os lados, da repetição visual de Distrito 9, ao roteiro estapafúrdio.

Carnage (2011 – FRA)

Os filhos tiveram uma briga de rua, os pais resolvem se encontrar para discutir o caso, esperam retratação, fazem um acordo escrito. Tudo tão pacífico e civilizado que termina num cafezinho na sala, uma maravilha do mundo civilizado. Adaptando a peça teatral Deus da Carnificina, o cineasta Roman Polanski cria um filme fabuloso, uma nova versão de Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, durante pouco mais de um hora dois casais saindo de uma simples conversa (onde não expuseram totalmente suas visões do caso) para uma queda total de máscaras, chegando a suas verdadeiras facetas sem preocupação com status social e etiqueta.

Desse ponto em diante, temos a mais completa e ácida comédia dos últimos tempos, Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly derramando todo o veneno de vidas reprimidas pela sociedade e pelas convenções sociais. A câmera nunca sairá dos arredores da sala daquele apartamento, o trabalho minucioso de Polanski e da edição ágil e sutil, oferecem todos os ângulos de personagens e suas verdades verborrágicas até que alcancem a verdadeira honestidade.

Panic Room (2002 – EUA)

Os méritos são todos de David Fincher. Este não é o tipo de filme em que a história consiga resgatar o mínimo interesse, o roteiro está lá apenas para oferecer ferramentas, insinuar situações, nada além de idéias (possibilidades) para que o talento do cineasta seja colocado à prova. Levar em consideração a elevação do drama com doenças e outros exageros melodramáticos é perder tempo com a purpurina enquanto o baile corre frente a seus olhos. O segredo está naquela cena em que você sabe exatamente o que vai acontecer, ela (Jodie Foster) vai correr aquele risco, é óbvio o que está por vir, ainda assim seu coração está na boca, batendo acelerado, sua mão suando, seus olhos não piscam, Fincher você venceu, deixou todo mundo eletrizado. Deve haver, pelo menos, uns trinta minutos de tensão extrema, umas 3-4 cenas que praticamente enlouquecem o público, tudo obra de Fincher que conduz o suspense com seus toquinhos modernos e a excessividade dramática do roteiro.

The Silence of the Lambs (1991 – EUA) 

O último filme a levar os cinco principais do Oscar (filme, direção, ator, atriz e roteiro), se tornou um ícone do cinema dos anos 90. É um dos exemplos do quanto os vilões são mais interessantes que os mocinhos, afinal, trazem características mais marcantes, muitas vezes insinuantes. Foi com esse filme que a tela grande conheceu o Dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), o astuto e renomado psiquiatra serial-killer, praticante de canibalismo e outras práticas abomináveis. Adaptação do livro de Thomas Harris, o filme foge do padrão de desvendar quem é o assassino, a tônica aqui é outra. Lecter já está preso e o FBI tenta obter ajuda dele para pegar outro criminoso através de uma das mais promissoras alunas da escola de recrutas do FBI.

Clarice Starling (Jodie Foster) passa a visitar Lecter em sua cela de monitoramento 24 horas. O psiquiatra desenvolve uma curiosa relação de interesse pela moça, e cria um jogo psicológico, onde ele dá informações em troca de informações da própria vida de Clarice. Esse é o grande trunfo do filme a relação e disputa de poder entre Foster e Hopkins, o clima de suspense psicológico habilmente administrado pelo diretor Jonathan Demme. A relação de Lecter com Clarice é intrigante, um amor fraternal, sua personalidade Lecter fascinante, talvez seja um dos mais completos e aterrorizantes vilões do cinema. O terror está no olhar de Hopkins, que mesmo trancado e vigiado, transmite medo inigualável à jovem Clarice, a ponto de deixar qualquer um assustado na cadeira. O tempo o tornou um clássico, um dos grandes filmes de todos os tempos, talvez nem fosse para tanto, mas é sim um filmaço de tirar o fôlego.