Posts com Tag ‘Joel Edgerton’

It Comes at Night (2017 – EUA) 

Após a elogiada estreia em Krisha, o diretor Trey Edward Shults surge com um filme que vaga entre o terror e o thriller psicológico, com grau de elogios que já coloca seu nome em destaque. E, assim como seu longa anterior, esse aqui oferece elementos interessantes, mesmo que dentro de um contexto que já vimos antes.

Os personagens vivem um momento caótico, trancafiados numa casa na floresta, Paul (Joel Edgerton), sua esposa (Carment Ejogo) e o filho adolescente (Kelvin Harrison) sobrevivem entre a segurança de uma rotina restritiva e aterrorizado pelo desconhecido, enquanto uma estranha doença mortal ronda a região. A trama realmente se configura com a chegada de um estranho (Christopher Abbott) e se estabelece o clima de desconfiança que se torna a grande atmosfera conduzida por Shults.

Do medo do desconhecido, relativamente controlado fora de casa, adiciona-se agora o medo do estranho que agora está dentro de sua “fortaleza”, e nesse clima de desconfiança e parceria que tenta se reestabelecer as relações sociais entre parentes e hóspedes. Tensão sexual, questões raciais, panos de fundo que podem ser levantados, enquanto Shults mantém-se assustando o público com cenas entre a penumbra e a luminosidade tímida.

Loving

Publicado: abril 17, 2017 em Cinema
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Loving (2016 – EUA) 

Em Cannes, o ator Joel Edgerton declarou que o que mais o espanta é este tipo de filme ainda ecoar. É fato, Edgerton, mas não só ecoa, como anda mais em voga do que nunca. É a história de um casal interracional, lutando para ficarem juntos. Detalhe, lutando contra a justiça e a sociedade. Casados em 1958, em Virgínia, e a luta deles ajudou para que a Suprema Corte acabasse com a proibição de casamentos interracias nos EUA.

É uma longa batalha, de prisões e separações, de viver às escondidas, de preconceitos e provocações contra Richard (Joel Edgerton) e Mildred (Ruth Negga) Loving. O filme todo é narrado de forma sóbria, sem sair do tom, sem grandes arrombos, tal qual o comportamento de ambos os personagens, talvez seja o grande filme de Jeff Nichols (que vinha colecionando uma série de quases), mas aqui oferece espaço para duas grandes interpretações, além de não se entregar ao sentimentalismo barato que o gênero poderia oferecer.

É, sem dúvida, um dos destaques do ano, e merecia mais destaque do que tem tido. Imaginar que há cinquenta anos poderia haver uma proibição deste tipo, e que tantas pessoas realmente se importariam em perseguir um casal é um belo exemplo do quanto a humanidade ainda está longe de evoluir.

Êxodo: Deuses e Reis

Publicado: dezembro 24, 2014 em Cinema
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exodoExodus: Gods and Kings (2014– EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

De carona nas diversas versões, e discordâncias, da vida do personagem bíblico Moisés (Christian Bale), o cineasta Ridley Scott apresenta mais um de seus filmes épicos, de cenas majestosas e grandiosas. A primeira metade é enfadonha, a relação fraternal entre Moisés e o futuro faraó do Egito Ramsés (Joel Edgerton) carrega a narrativa de sequencias e diálogos que sofrem de uma dramaticidade emplastada.

O filme entra no ritmo quando Moisés descobre sua origem, vai viver como pastor numa zona rural, até Deus (na figura de um menino) lhe pedir que ele comande a libertação do povo Hebreu (escravos dos egípcios). Quando surgem as 10 pragas que o 3D mostra a que veio, a invasão de insetos, sapos, dá dimensão do horror, da fome, do desespero.

Por mais que Deus esteja nos diálogos, nas aparições, Scott e sua equipe suavizam sua presença, sua adaptação livro bíblico traz elementos da ciência, ou possibilidades menos “espetaculares” dos fatos. Principalmente na abertura do Mar Vermelho, o cajado é substituído pela espada, Moises como um verdadeiro soldado, maas é espetacular toda a sequencia de perserguição e cruze do Mar Vermelho. Seja na força das armas, na chegada das bigas egípcias, na abertura das águas.

É novamente a necessidade de tornar fatos históricos em filme de ação, ou personagens não necessariamente dessa estirpe, ainda assim Scott entrega um produto que utiliza bem todas suas escolhas, licenças poéticas, e se aproveita dos recursos técnicos em prol do cinema, mesmo que tudo isso fique concentrado na hora final desse filme quase interminável.