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Edward Mãos de Tesoura

Publicado: maio 31, 2011 em Cinema
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Edward Scissorhands (1990 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Os mais próximos sabem que cortei os filmes de Tim Burton há alguns anos. Perdi a paciência, simplesmente não gosto. Há também outros diretores com filmes que eu posso até adorar, e ainda assim foram limados da minha lista, após uma série de fiascos retumbantes (Shyamalan, Kim Ki-Duk, Park Chan-wook e outros), mas foi Tim Burton o primeiro a encabeçar essa lista tão particular. E, sinceramente, convivo muito bem sem seus lançamentos, posso ficar deslocado, mas seus filmes não me fazem falta alguma. Ainda assim, há 2 filmes de Burton que me agradam, me remetem a boas lembranças do passado. Ed Wood, e Edward Mãos de Tesoura, e suas tantas reprises na tv, boas lembranças de um tempo em que não imaginava chegar a esse grau de cinefilia atual. Com exceção destes 2 (rever Batman também pode ajudar, muitos insistem que Peixe Grande seria uma grata surpresa), a grife Tim Burton quase me causa calafrios. Pois bem, por tudo que resolvi embarcar numa revisão de Edward.

A história em tom de fábula, do pequeno Frankenstein, que recebeu de seu criador, tesouras no lugar de mãos, possui forte apelo de critica social ao americano médio. Aquele sujeito vivendo numa cidade pequena, casas coloridas, sem muros separando a casa do vizinho, filhos, e uma esposa dedicada aos afazeres domésticos. Brincadeira crítica ao american way of life, vai fundo na rede de intrigas e fofocas da cidade, e alcança seu ápice com a curiosa chegada do hóspede estranho, que rapidamente encanta a todos com sua habilidade e ingenuidade. Está na forma de olhar de Johnny Deep toda a magia a qual Edward adentrou ao imaginário do público e conquistou os personagens. O jeito esquisitão, e, ao mesmo tempo, que pede colo e se apaixona pela mocinha, nos faz sentir as fragilidades das relações humanas e assim dar colo a esse coitadinho. Entretanto, a guinada para uma perseguição policial, inimizades ciumentas, e todas as reações daquele vilarejo, quase se aproximam do que Lars von Trier faria em Dogville, sem a mesma habilidade de conduzir o público. Fica tudo muito bonitinho, sempre aquele jeito meio gótico de Burton e a insistência em levar Edward às últimas consequências.

platoonPlatoon (1986 – EUA)  estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Esse foi um daqueles filmes que soavam como “clássicos” na minha memória de adolescente, mas que a história parece não ter lhe dado este status atualmente. Já pouco se fala de Platoon, mesmo tendo ganho Oscar de Melhor Filme e o Leão de Prata em Berlim. Oliver Stone também já dá sinais de estar na parte descente da curva de sua carreira. O mito foi quebrado ao finalmente  assistir, e temo que uma revisão em alguns anos possa ser ainda mais prejudicial.

Oliver Stone foi combatente na Guerra do Vietnã, ele retorna às suas memórias dos horrores da guerra. O filme é narrado segundo a visão de um jovem (Charlie Sheen) que se alistou, voluntariamente, no exercito norte-americano. Idealista, acreditava piamente no dever cívico de lutar por seu país. Seus olhos são as testemunhas de mutilações, massacres, estupros, e demais violências. Tom Berenger, em atuação impecável, encarna o sargento ambicioso, psicopata e sangue-frio que causa temor entre os recrutas. Seu contraponto é outro sargento, mais humanista e sensível, interpretado por Willem Dafoe. Este confronto perfaz um dos melhores momentos do filme. Eles comandam um batalhão que passa por vilarejos, e encara a guerra no corpo-a-corpo. Enquanto a violência assusta, o filme sai também em busca de questionamentos: da convocação apenas dos pobres para combaterem, o heroísmo americano e essa guerra de fome contra um povo já tão sofrido.