Posts com Tag ‘John Cazale’

ofrancoatiradorThe Deer Hunter (1978 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

A brutalidade da antológica sequencia de roleta russa, com vietnamitas se divertindo com soldados americanos capturados, é um dos momentos mais aterrorizantes que carrego na memória, desde criança. Inesquecível como Michael Cimino costura toda a cena com Michael (Robert de Niro) e Nick (Christopher Walken) à flor da pele, entre a loucura e a paura de enfrentar a morte, de frente. São momentos atordoantes, enlouquecedores, é a guerra diante de nossos olhos, sem glamour, em sua mais pura violência.

O roteiro da cabo do antes, durante e depois da Guerra do Vietña, praticamente um glossário das mutações causadas nos sobreviventes. Amizade, reconstrução de vida, infidelidade, instinto de sobrevivência, culpa, loucura. Sob a ótica de um grupo de amigos, Cimino constrói a irregularidade desses jovens que se divertem em casamentos e bebedeiras, divertem-se caçando na mata como numa terapia masculina, carregam o nacionalismo reluzente e o orgulho de servir o exército, enquanto deixam namoradas/esposas em casa. São dilemas, dúvidas, Cimino captando todas as inconsistências humanas.

No foco Nick, Michael, e Steven (John Savage), além de Linda (Meryl Streep), os caminhose seguidos por cada um, no pós guerra, traçam o retrato dos fragmentos dessa geração americana totalmente influenciada pelos horrores vividos. O emblemático reencontro de Michael numa caçada é a tradução precisa da irregularidade que ficará marcada em cada um daqueles meros trabalhadores de indústrias siderúrgicas.

opoderosochefao2The Godfather: Part II (1974 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Lealdade é a palavra de ordem da saga dos Corleone. Ela está acima dos interesses comerciais, dos sentimentos. É a lealdade que move as decisões, dá credibilidade e camufla outros erros. Tudo pode ser perdoado, exceto a falta dela. O segundo capítulo da saga marca a consolidação de Michael (Al Pacino) como o chefe da família Corleone, colocando sua maturidade à prova entre tantos interesses individuais, dentro e fora do clã. O diretor Francis Ford Coppola materializa a lealdade como figura máxima, partindo de duas frentes: a nova configuração da família Corleone, sem o pai; e o flashback da migração de Vito (Robert De Niro) para os EUA, e seu início no mundo do crime.

Cassinos e hotéis, investimentos em Cuba (concomitantemente com a revolução de Fidel prestes a explodir), as insatisfações dos aliados que querem mais poder, novas conspirações do mundo máfia e o governo investigando os negócios da família Corleone. Michael enfrenta crises, sua liderança com pulso firme é contestada. As crises matrimoniais com Kay (Diane Keaton). Coppola não se cansa de planos fechados no rosto de Pacino, no auge o ator corresponde com o peso do amargor e a necessidade de ser firme. É um filme com menos sangue, porém muito mais sentido.

De outro lado, a ascensão de Vito Corleone, a fuga da Itália, os tempos difíceis em Nova York, os primeiros assaltos, até outra antológica cena: a morte de Fanucci (Gastone Moschin), com a arma enrolada numa toalha, a vingança que corre pelas veias. Novamente a lealdade de pé, à família, à honra, lealdade aos seus, mas principalmente aos princípios que regem as famílias italianas.

A segunda obra-prima de Coppola é de uma densidade nebulosa, a abertura, com a cadeira marcada pelo uso, após um respeitoso beijo na mão do Padrinho, são detalhes, cenas que representam pela força do silêncio, pelo peso que Coppola sabiamente carrega. O beijo de Michael em Fredo (John Cazale), o filme pede envolvimento total do público para distinguir nuances, compreender o peso da lealdade. Não se trata de meras histórias de mafiosos, o Poderoso Chefão é sobre o poder, sob as dificuldades de tomar decisões, tudo isso elevado ao limite extremo.