Posts com Tag ‘John Cusack’

Chi-Raq (2015 – EUA) 

Em mais um de seus delírios provocativos, Spike Lee volta com outra proposta critica e contundente contra um tema crucial nos EUA: a violência. Passado em Chicago, o título já faz uma provocação comparando a violência dos subúrbios da cidade com o Iraque (em guerra civil). Duas gangues, de cores vibrantes e líderes macho-alfa, encontram na união pela paz, de suas mulheres/namoradas, uma arma perigosa. Longe de pegar em armas, as garotas decidem organizar uma greve de sexo pelo cessar-fogo, capaz de causar o desmoronamento das gangues, levantar a bandeira da justiça e do feminismos. No tom verborrágico e provocativo de Spike Lee, o filme passou batido pelo Brasil, mas merecia atenção por sua poderosa capacidade de tratar de pequenas ações do cotidiano que podem fazer a diferença.

Say Anything… (1989 – EUA) 

Seria provocativo dizer que Cameron Crowe ainda não realizou um filme tão bom quanto sua estreia? Talvez Quase Famosos possa rivalizar e causar discussão, mas sua comédia romântica, ingênua, funciona tão bem dentro dos clichês do gênero, e praticamente marcou a assinatura que encontramos na maior parte dos filmes do diretor.

A trama adolescente em que Lloyd (John Cusack) tenta conquistar o coração da estudante determinada Diane Ione Skye), guarda pequenos momentos inesquecíveis da representação da paixão, e também da explosividade da felicidade juvenil, e da pressão paterna pelas responsabilidades contra as paixonites adolescentes.

Crowe dosa bem a mão quando trata da relação pai e filha, e das transformações a qual passa essa relação enquanto se descobre outro lado do pai e a filha aprende as desenvolturas do amor. Enquanto isso, o inquieto Lloyd vive passionalmente todas as fases de seu relacionamento, seja através da música, das influencias da amizades, mas principalmente no aprendizado da convivência. E dentro dessa complexa equação, Crowe constrói um desses romances saborosos, imperfeitos, mas que carregam muito além do que as simples idas e vindas do amor.

loveandmercyLove & Mercy (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A cinebiografia de Brian Wilson (vocalista dos reis do surfin music, os Beach Boys) tenta fugir o padrão. Dirigida por Bill Pohlad e narrada em dois tempos, anos 80 (John Cusack) e nos 60 (Paul Dano), sempre pesa para os momentos dramáticos do cantor, sem que o tom seja pesado demais (movimento contínuo do bate e assopra). Na fase jovem, o foco maior está na fase de loucura do cantor, quando a banda já tinha sucesso e ele parte para aventuras em LSD que refletem diretamente em suas canções.

Nos dias de hoje, Brian Wilson sofre de esquizofrência, ouve vozes, e tem a vida dominada por seu médico (Paul Giamatti), até o flerte com Melinda (Elizabeth Banks) é friamente observado pelo médico. Os Beach Boys são postos de lado frente os dramas de Wilson (relacionamento com o pai, desentrosamento com a banda, e o sofrimento atual), assim como fases felizes de sua vida. Ainda assim, é um biografai honesta, feita sob encomenda para o final feliz.

kinopoisk.ruMaps to the Stars (2014 – CAN/EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Fico imaginando como teria sido recebido o novo filme de David Cronenberg nas mansões de Hollywood. Tanta gente da indústria citada nominalmente, ou representada, por esse veneno corrosivo do cineasta que traz as estranhices para próximo do público. Seu novo filme não perdoa nada da capital do cinema americano, da hipocrisia das relações sociais, aos devaneios emocionais e promiscuidades sexuais.

Adolescentes dependentes químicos, pessoas desequilibradas e violentas, relacionamentos quebradiços, aspirantes da indústria de cinema que trabalham servindo aos ricaços. Cronenberg é incisivo, cruel. Seu filme é irregular, de formas geométricas imperfeitas. Obtuso e perturbado.

Julianne Moore vive a atriz em crise, desesperada por entrar no filme que sua mãe atuou (décadas atrás), e apresenta todos os desequilíbrios emocionais que podemos imaginar. John Cusack é o terapeuta das estrelas, seu filho (Evan Bird) é o problemático astro adolescente, alcoolatra, dependente químico. A família tem membros ainda mais transloucados. Nesse tabuleiro que Cronenberg brinca de relacionar os demais personagens, do motorista de limousines (Robert Pattison, novamente nesses carrões num filme de Cronenberg), a misteriosa garota de luvas (Mia Wasikowska), a mãe fragilizada (Olivia Williams).

É a desglamourização de Hollywood baseada em suas próprias necessidades de construção. Festas, vaidade, esquisitices, dinheiro farto, poder. Cronenberg não lida com os temas, ele os expõe impiedosamente, demonstrando podridão onde tenta se vender glamour. Loucura onde deveria ser o mundo dos sonhos. Nos entrega um mapa cruel, nefasto

meianoitenojardimdobemedomalMidnight in the Garden of Good and Evil (1997 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Algumas vezes me pergunto o que, de tão especial, um cineasta encontra num livro, a ponto de adaptá-lo ao cinema. Essa pergunta é ainda mais recorrente ao se conhecer a trajetória de Clint Eastwood, suas posições política, seu estilo narrativo que demonstra sua maneira de ver o mundo. Por outro lado, há tanto de Clint ali que esse contraste inicial converge, pouco-a-pouco, a um denominador comum onde se encaixa perfeitamente na obra do diretor.

A primeira curiosidade (no meu caso, que já estive na cidade, mais ainda) é como a pequeninice de Savannah consegue reservar tantos acontecimentos “especiais” (sobrenaturais, chamam como quiserem), e Clint capaz, não só destacá-los, como resgatar a vida singela e tranquila. O clima bucólico e apaziguador, a praça próxima da prefeitura, a atmosfera precisa da cidade em si.

Antes de virar um filme de tribunal, a narrativa é misteriosa. O escritor (John Cusack) convidado para cobrir a festa de ricaço (Kevin Spacey), que acaba acusado de matar um marginal (Jude Law). O pragmatimo Republicano de Clint, misturado com a discussão a cerca do homossexualismo e transexuais, a sociedade moralista, são tantos conflitos internos entre diretor x cidade x personagens. Mais tarde o formalismo do cineasta se sobressai, mesmo que o fantástico, com entidades e outras esquisitices, estejam presentes, Clint mantém sua mão firme na narrativa clássica, com as críticas à justiça legal, social, e a ética pessoal, fica meio quadradão, de toda forma, é um todo que parecia tão torto e resulta tão arredondado e saboroso.

Tiros na Broadway

Publicado: fevereiro 13, 2012 em Uncategorized
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Bullets Over Broadway (1994 – EUA)

Dramaturgos sempre querem manter sua liberdade intelectual, verdadeiros gênios incompreendidos por publico e critica, David Shayne (John Cusack) não é diferente, na Broadway dos anos 20 ele busca seu espaço, e fica louco só de pensar que alguém possa mudar uma virgula do seu “brilhante” texto. Em um de seus momentos mais geniais, Woody Allen une o inimaginável, um chefe da máfia financia o espetáculo desde que sua namorada seja incluída no elenco. Seu capanga Cheech (Chazz Palminteri) acompanha como guarda-costas os ensaios. A vida de Shayne muda completamente, o conjunto de atores escolhidos e as manipulações de egos são conduzidas meticulosamente pelo roteiro, a cada novo dia Shayne vai perdendo o controle da peça, de sua vida, do próprio texto. E nesse ponto ganha espaço a figura apaixonante de Cheech que com sua sensibilidade das ruas e seu charme durão se intromete no texto de maneira fundamental. A peça se torna um furacão, Shayne uma marionete, e Allen, se diverte, com crítica sagaz ao show business num tom de humor refinado.

 

The Thin Red Line (1998 – EUA) 

E Terrence Malick visita a guerra. Um hall gigante de estrelas de Hollywood incorpora membros das tropas americanas no período da Segunda Guerra. Porém, Malick segue fiel às suas origens e obsessões, e foge do filme de geurra convencional, como era de se esperar. Em seu início, privilegiando alguns diálogos, com personagens mais burocráticos, é a forma como o cineasta questiona valores do exército. É no fogo cruzado que o filme realmente mostra sua força.

Pense num filme de guerra onde não importa quem está lutando, onde a vitória na batalha está ali sem que heroísmos sejam foco, e sim a sensação de se estar ali entre as vibrações da natureza, o medo e sua presença fundamental. Resumindo, onde o que se sente dentro da alma e não dentro da mente, Malick consegue aqui o que talvez seja o seu grande filme. Um trabalho intuitivo, que pode estar permeado do dia a dia de um pelotão, mas está totalmente focado nas relações dos soldados com seus momentos, com seus temores, com a dor da perda, ali ao seu lado. Ou a saudade de casa, mas, sobretudo com o ambiente que os cerca, onde o inimigo está presente, ali escondido e pronto para o bote.

Os Imorais

Publicado: setembro 15, 2002 em Cinema
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osimoraisThe Grifters (1990 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Da época em que Stephen Frears ocupava posição de destaque no cinema comercial. O início é delicioso, os três personagens principais introduzidos, simultaneamente, dividindo-se a tela em partes iguais. Lilly Dillon (Anjelica Huston) trabalha, há muitos anos, para um mafioso, sua função é apostar em cavalos com o dinheiro sujo do chefe. Seu filho, Roy Dillon (John Cusack), dá pequenos golpes, com sua agilidade e perícia, conseguindo ganhar uma boa grana. Os dois não se vêem há anos, desde que Roy fugiu de casa para seguir sua vida. Entre eles há Myra (Annette Bening), uma malandra de carteirinha, namorada de Roy, e sem nenhum pudor em se vender em troca de algum favor.

Num de seus golpes, Roy é descoberto e agredido. Após um forte golpe no estômago, sente dores, mas não dá grande importância. Lilly decide, finalmente, reencontrar o filho e sai a sua procura. Encontra Roy em péssimo estado, e ao chegar ao hospital é diagnosticado com uma grave hemorragia interna. À primeira vista, Os Imorais pode ser interpretado como um filme basicamente sobre vigaristas e seus golpes, mas o roteiro audacioso vai muito além disso, retratando relacionamento tão complicados entre estes protagonistas. Myra planeja um grande golpe, e quer ajuda de Roy. Lilly quer se livrar da máfia, desviando parte do dinheiro apostado. John Cusack e Anjelica Huston estão muito bem, especialmente a última cena entre eles. Annette Bening irrepreensível, ela é quente, sexy, alegre e maquiavélica, e Frears soube explorar essa beleza do auge. Mesmo sabendo que Myra não vale nada ela, conquista qualquer um num show de charme e malícia.

altafidelidadeHigh Fidelity (2000 – RU/EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Praticamente a bandeira de uma geração. Tamanha representação vem do livro de Nick Hornby, a qual o filme de Stephen Frears foi baseado. A mistura dessa cultura pop com a rotina jovem, onde tudo se resume a músicas, ou cinema e demais referências. E os relacionamentos se criam por base nessas referências, e quem não compactua com essas experiências, quem parece não estar antenado nesse universo, acaba tratado como um extraterrestre cultural. São personagens de fácil identificação com parte do público, um deleite aos consumidores de cultura pop (principalmente britânica).

A trama em si não passa de um triângulo amoroso, que ocasiona numa crise existencial do eterno adolescente Rob Gordon (John Cusack). Ele é dono de uma loja de discos, e mora com sua namorada, a advogada Laura (Iben Hjejle). Os estranhos Barry (Jack Black) e Dick (Todd Louiso) trabalham com Rob na loja, que é especializada em discos antigos e tem um pequeno público cativo. De cara a narrativa começa quando Laura decide terminar tudo com Rob, pois está interessada no antigo vizinho, do andar de cima, Ian (Tim Robbins).

Sempre falando com a câmera de maneira natural, tonando assim o público cúmplice dos seus dramas e esquisitices, um amigo a quem ele pode analisar seus erros, falar de seus desejos e manias. Rob decide nos contar sobre os cinco melhores casos de sua vida, e procurar o motivo por nenhum deles ter dado certo, ao mesmo tempo que tenta reconquistar Laura (uma das grandes sacadas são as listas de top 5 para qualquer coisa, feitas a todos os momentos).

Dessa forma, o filme consegue resumir perfeitamente essa geração, embalando com excelente (e muito presente) trilha sonora esses dramas amorosos em tom bem humorado. Se não escada da fórmula de comédia romântica, o filme cativa por seus personagens vibrantes e charmosos, como o divertidíssimo de Jack Black, e por essa capacidade de tornar o pop quase o combustível de vida dessa geração. Um clássico cult.

ofantasticomundododrkellogThe Road To Wellville (1994 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Biografia do excêntrico médico inventor do cobertor elétrico, da pasta de amendoim e do corn flakes não poderia ter sido pior contada pelo diretor Alan Parker, mesmo contando com um elenco de estrelas. O tom de comédia sem graça, com pequenas histórias paralelas que pouco se relacionam, são alguns dos fatores que atrapalham a trama, que tem como centro nervoso a clínica criada pelo Dr. John Harvey Kellog (Anthony Hopkins).

O vegetariano Kellog fundou uma clínica para tratamento de males estomacais e intestinais. Lá utilizava métodos e estranhas invenções para a cura dos doentes. Entre as exóticas invenções do doutor, nessa clínica, está aquela que marcou seu nome, o corn flakes, que seu irmão industrializou. A história descamba com a chegada à cidade do vigarista Charles Ossining (John Cusack) que veio para criar uma fábrica de corn flakes patrocinado por sua tia. Enquanto isso, Will Lightbody (Matthew Broderick) vem com sua esposa (Bridget Fonda) para ser tratado na clínica. Outra vertente dessa história é a do filho adotivo, e problemático, do Dr. Kellog, George Kellog (Dana Carvey).

A comédia sem noção se divide entre as peripécias de Charles para criar a fábrica, as rebeldias de George, as confusões no tratamento de Will e as experiências de sua esposa com um médico espertalhão, personagens caricatos, humor barato e constrangedor. Uma das maiores bombas do mundo.