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Os Imorais

Publicado: setembro 15, 2002 em Cinema
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osimoraisThe Grifters (1990 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Da época em que Stephen Frears ocupava posição de destaque no cinema comercial. O início é delicioso, os três personagens principais introduzidos, simultaneamente, dividindo-se a tela em partes iguais. Lilly Dillon (Anjelica Huston) trabalha, há muitos anos, para um mafioso, sua função é apostar em cavalos com o dinheiro sujo do chefe. Seu filho, Roy Dillon (John Cusack), dá pequenos golpes, com sua agilidade e perícia, conseguindo ganhar uma boa grana. Os dois não se vêem há anos, desde que Roy fugiu de casa para seguir sua vida. Entre eles há Myra (Annette Bening), uma malandra de carteirinha, namorada de Roy, e sem nenhum pudor em se vender em troca de algum favor.

Num de seus golpes, Roy é descoberto e agredido. Após um forte golpe no estômago, sente dores, mas não dá grande importância. Lilly decide, finalmente, reencontrar o filho e sai a sua procura. Encontra Roy em péssimo estado, e ao chegar ao hospital é diagnosticado com uma grave hemorragia interna. À primeira vista, Os Imorais pode ser interpretado como um filme basicamente sobre vigaristas e seus golpes, mas o roteiro audacioso vai muito além disso, retratando relacionamento tão complicados entre estes protagonistas. Myra planeja um grande golpe, e quer ajuda de Roy. Lilly quer se livrar da máfia, desviando parte do dinheiro apostado. John Cusack e Anjelica Huston estão muito bem, especialmente a última cena entre eles. Annette Bening irrepreensível, ela é quente, sexy, alegre e maquiavélica, e Frears soube explorar essa beleza do auge. Mesmo sabendo que Myra não vale nada ela, conquista qualquer um num show de charme e malícia.

altafidelidadeHigh Fidelity (2000 – RU/EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Praticamente a bandeira de uma geração. Tamanha representação vem do livro de Nick Hornby, a qual o filme de Stephen Frears foi baseado. A mistura dessa cultura pop com a rotina jovem, onde tudo se resume a músicas, ou cinema e demais referências. E os relacionamentos se criam por base nessas referências, e quem não compactua com essas experiências, quem parece não estar antenado nesse universo, acaba tratado como um extraterrestre cultural. São personagens de fácil identificação com parte do público, um deleite aos consumidores de cultura pop (principalmente britânica).

A trama em si não passa de um triângulo amoroso, que ocasiona numa crise existencial do eterno adolescente Rob Gordon (John Cusack). Ele é dono de uma loja de discos, e mora com sua namorada, a advogada Laura (Iben Hjejle). Os estranhos Barry (Jack Black) e Dick (Todd Louiso) trabalham com Rob na loja, que é especializada em discos antigos e tem um pequeno público cativo. De cara a narrativa começa quando Laura decide terminar tudo com Rob, pois está interessada no antigo vizinho, do andar de cima, Ian (Tim Robbins).

Sempre falando com a câmera de maneira natural, tonando assim o público cúmplice dos seus dramas e esquisitices, um amigo a quem ele pode analisar seus erros, falar de seus desejos e manias. Rob decide nos contar sobre os cinco melhores casos de sua vida, e procurar o motivo por nenhum deles ter dado certo, ao mesmo tempo que tenta reconquistar Laura (uma das grandes sacadas são as listas de top 5 para qualquer coisa, feitas a todos os momentos).

Dessa forma, o filme consegue resumir perfeitamente essa geração, embalando com excelente (e muito presente) trilha sonora esses dramas amorosos em tom bem humorado. Se não escada da fórmula de comédia romântica, o filme cativa por seus personagens vibrantes e charmosos, como o divertidíssimo de Jack Black, e por essa capacidade de tornar o pop quase o combustível de vida dessa geração. Um clássico cult.

ofantasticomundododrkellogThe Road To Wellville (1994 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Biografia do excêntrico médico inventor do cobertor elétrico, da pasta de amendoim e do corn flakes não poderia ter sido pior contada pelo diretor Alan Parker, mesmo contando com um elenco de estrelas. O tom de comédia sem graça, com pequenas histórias paralelas que pouco se relacionam, são alguns dos fatores que atrapalham a trama, que tem como centro nervoso a clínica criada pelo Dr. John Harvey Kellog (Anthony Hopkins).

O vegetariano Kellog fundou uma clínica para tratamento de males estomacais e intestinais. Lá utilizava métodos e estranhas invenções para a cura dos doentes. Entre as exóticas invenções do doutor, nessa clínica, está aquela que marcou seu nome, o corn flakes, que seu irmão industrializou. A história descamba com a chegada à cidade do vigarista Charles Ossining (John Cusack) que veio para criar uma fábrica de corn flakes patrocinado por sua tia. Enquanto isso, Will Lightbody (Matthew Broderick) vem com sua esposa (Bridget Fonda) para ser tratado na clínica. Outra vertente dessa história é a do filho adotivo, e problemático, do Dr. Kellog, George Kellog (Dana Carvey).

A comédia sem noção se divide entre as peripécias de Charles para criar a fábrica, as rebeldias de George, as confusões no tratamento de Will e as experiências de sua esposa com um médico espertalhão, personagens caricatos, humor barato e constrangedor. Uma das maiores bombas do mundo.