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Baby Driver (2017 – EUA) 

Nos fones de ouvido, que não tira em nenhum momento, música pop para disfarçar o zunido intermitente (resultado de um acidente quando ainda era criança). Baby (Ansel Elgort) é o ás ao volante, com feições de anjinho, que espera para acelerar com seu arrojo e habilidade, após mais um assalto da quadrilha liderada por Doc (Kevin Spacey). Sua figura de bom moço, que cuida do pai adotivo debilitado, e se apaixona pela garçonete da lanchonete de beira de estrada, não parece se encaixar com a de tímido, e fechado, motorista de fuga de assaltos espetaculares.

A trama irá cuidar de explicar esses detalhes, enquanto o romance e as sequencias de ação alucinantes, sempre acompanhadas de música pop antiga, deixam alucinados grande parte do público. Ação, comédia e romance, não é de hoje que o britânico Edgar Wright vem se destacando por um estilo próprio de cinema, mas sempre acabava preso a um público restrito, praticamente um nicho dentro da cinefilia geek. Seu humor,a edição acelerada, e um quê de super-herói nerd, que encontrou em Scott Pilgrim Contra o Mundo, praticamente, a tradução do êxtase, entre super-poderes, muito videogame e romance – e aquele filme realmente é uma delícia.

O que temos dessa vez é um Edgar Wright para um público mais amplo, filmando nos EUA. E não decepciona, e talvez até entregue o seu melhor filme. O impressionante é como ele não traiu suas origens, e conseguiu implementar outras características que deixaram seu filme: mais pop, mais frenético, porque não mais família? E também mais caricato, é verdade, mas, acima de tudo, mais visível (já é o seu maior sucesso de bilheteria). Consegue ser o Velozes e Furiosos que alguns (eu) gostariam de ver, mas nunca encontraram essa leveza pop, essa descontração moderna. Wright nos entrega planos-sequencias de triar o fôlego, enquanto a trilha sonora vital, e vibrante, mistura essa energia com um swing que dificilmente não te deixe o sabor de querer revê-lo em breve.

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ocongressofuturistaLe Congrès / The Congress (2013 – ISR/BEL/FRA/EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

O cineasta israelense Ari Folman continua aproveitando de formatos pouco explorados, a seu favor. Da mistura de animação com falso documentário, no ótimo Valsa de Bashir, agora em sua livre adaptação do livro de Stanislaw Lem, num misto de live-action com animação adulta, e uma corrosiva crítica a Hollywood e ao culto do estrelato.

Robin Wright é uma das produtoras do filme, e ela expõe sua própria vida e carreira em favor de sua personagem. Interpreta a si própria, uma atriz de mais de quarenta anos, que foi promessa de talento e se escondeu atrás de seus fracassos. Surge a proposta de abandonar a carreira, em troca uma fortuna, ela seria escaneada e o estúdio aproveitaria sua imagem para o tipo de filmes que quisesse. Vinte anos mais tarde um Congresso, pílulas que transformam todos em animações e levados a um lugar onírico (onde Michael Jackson é garçom, por exemplo).

A crítica duríssima de Folman, na fase live-action, com Robin Wright representando mais que si mesma, e sim a imensa maioria da classe artítistca que fracassa em suas escolhas, ou na necessidade de gerar sua imagem, acaba dissipada por um universo de fantasia excêntrica regada a alucinações coletivas. O ácido parece emanar das animações, e desestabilizar a proposta ácida e corajosamente corrosiva que Folman e Wright se dispunham a compactuar..