Posts com Tag ‘John Hawkes’

everesteEverest (2015 – Reino Unido) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É sabido que o monte Everest, mesmo sendo o mais alto do mundo, não é dos mais difíceis de se chegar ao cume. Também não é só chegar lá e caminhar um pouco. Gelo, altitude, mau tempo, testar os limites do corpo, o filme prova que se enveredar é coisa de maluco. Na década de 90, um desenfreado tráfego de turistas descobriram o Everest, até a tragédia de 1996. Dirigido por Baltasar Kormákur, o filme tenta reconstituir os fatos, envolto em sua pose de Blockbuster.

Dos belíssimos planos gerais dos picos cobertos de neve, a momentos de grande tensão por desfiladeiros, a narrativa é bastante eficiente na parte do entretenimento. Ao levantar questionamentos sobre imprensa, turismo desenfreado, irresponsabilidade humana, já acaba diluído pela didática. Porém, o subjetivo da relação Expectativa x resultado é algo inexplicável, e mesmo com o melodrama emotivo do final, a sensação que fica é que Evereste entrega o que promete, sem proteger os atores principais em papéis de mocinhos de salvação convicta. Dá ao público a dimensão do frio insuportável, do corpo levado ao limite, e do gostinho da adrenalina de enfrentar uma aventura desse porte.

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As Sessões

Publicado: março 4, 2013 em Cinema
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assessoesThe Sessions (2012 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Que medo quando dei de cara com uma sinopse envolvendo: um padre (William H. Macy), um tetraplégico (John Hawkes), uma terapeuta sexual (Helen Hunt), e o desejo de perder a virgindade. Até que o diretor Ben Lewin me fez perder o medo, ao longo do filme, por mais que seu resultado final não seja nada além de melodramático e peque pela mediocridade.

Há nele uma discussão serena, o sexo tratado como necessidade e curiosidade humana, mas tão complicado e acaba falando e discutido com tantas pessoas que se torna um tema quase comum, como comprar um sapato. Hawkes consegue dá vida a esse escritor que só mexe o rosto, sem caricaturas, sem exageros piegas, sua luta em não comover é, de longe, o mais louvável. Pena que Lewin, vez ou outra, precise dar algo mais, e nesse algo mais, estraga.

lincolnLincoln (2012 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O problema do filme é Steven Spielberg. Há Spielberg demais no filme, e isso inflama tanto o roteiro, a trilha sonora, a distancia narrativa entre dois nucleos (Casa Branca pacata, Congresso inflamado), que essa busca pelo filme “sério” cria um frankenstein da história americana.

Primeiramente, o filme é sobre a 13ª Emenda, não sobre Abraham Lincoln (Daniel Day-Lewis). Ele é o protagonista por colocar seu prestigio, e força política, na aprovação dessa emenda, que resultava na abolição dos escravos (na verdade ia além disso). O intuito era colocar fim na Guerra Civil que assolava o país. Não há participação dos negros nesse processo (da forma como está no filme). Há um congressista (Tommy Lee Jones) que insiste nessa emenda há décadas, e Spielberg consegue estragar tudo quando entra na casa dele. Fora isso, todo o poder do governo em negociar com congressistas para obter sua aprovação.

É um filme sobre os mecanismos políticos da época, permeado com a figura de Lincoln entre suas relações familiares, e sua pausa para narrar “causos”, a quem quer que fosse. Se a dose dramática está distante do roteiro, Spielberg abusa de John Williams preenchendo qualquer espaço que encontre – chega a causar náuseas. Dessa forma temos um Lincoln apresentando à maneira de Spielberg, um momento crucial da história mundial transformado em filme de tribunal, e dezenas de cenas cansativas e nada inspiradas que alongam, desnecessariamente, toda essa ode aos meandros políticos do século XIX.