Posts com Tag ‘John Hughes’

curtindoavidaadoidadoFerris Bueller’s Day Off (1986 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Começar este texto é bem difícil, afinal, o que ainda não foi dito sobre este filme? Quem ainda não o assistiu? Talvez alguma criança que o fará na próxima reprise da TV. Se a história todos já sabem de cor e salteado, estão carecas de se divertir com as aventuras do adolescente malandro, simpático e que todos adoram, o que resta dizer sobre Ferris Bueller e seu dia cabulando aula então?

Se John Hughes retratou como ninguém a juventude nos anos 80, Ferris Bueller é seu personagem chave, o resumo completo de sua obra, e da importância de seus filmes. Tudo bem que o filme todo está calcado num garoto mentiroso que planeja, minuciosamente, artimanhas para enganar seus pais, diretor da escola e qualquer outra pessoa que exerça autoridade sobre ele. Mas não percamos o espírito, o filme é essa metáfora de libertação, Ferris Bueller é o símbolo de todos aqueles desejos da juventude da época (que se repetem agora, mudaram apenas os meios tecnológicos que preenchem as vidas).

Dessa forma ele representa tudo que gostaríamos de viver, um dia de diversão sem fim, dos melhores restaurantes e carros, até a namorada linda e incrível e o melhor amigo com eles, chegando a épica do centro das atenções na cena épica em que ele canta Twist and Shout para uma multidão.

Ferris nos mostra, durante um único dia, todos os principais pontos turísticos de Chicago, nos faz sentir-se ali (no meu caso novamente), só que com essa irresponsabilidade imatura de quem não está preocupado com a política europeia, ou o carro emprestado do pai do amigo, ele só quer se divertir, e dessa forma nos fazer sentir-se um pouquinho ali, transgredindo e curtindo a vida adoidado.

Super 8 (2011 – EUA)

Tenha em mente um filme que não possui nada de novo, uma coleção de colagens de filmes de sucesso de bilheteria, recheado de efeitos especiais impressionantes. O diretor J. J. Abrams (contando com a produção de Spielberg) realiza um trabalho de costureiro, remenda ideias, um artesão nato em aglutinar todos esses sucessos testados num novo exemplar, encorpado e cativante. Começamos com um típico filme adolescente dos anos oitenta, um grupo de amigos brincando escondido de fazer um filme de zumbis. No meio das filmagens se deparam com um estrondoso acidente de trem que desencadeia uma ação militar que causa tremor na pequena cidade.

Voce não está só numa mistura de Goonies com ET, temos os militares canastrões dos filmes do Rambo e Parque dos Dinossauros, até coisas recentes como Distrito 9 ou Harry Potter. Praticamente o blockbuster do blockbuster, sem grandes astros. Há, na verdade, uma grande divisão no filme, como se fosse água e vinho e nunca se misturassem. De um lado todo o mistério envolvindo o que realmente de tanto valor estava naquele trem (e nesse ponto temos todos os inverossímeis e terríveis exageros do cinema Americano como sobreviventes milagrosos, heroísmos imensuráveis e coisas do gênero). De outro, temos o núcleo dos adolescentes brincando de cineastas, pequenas paixões, o vislumbre das novidades, e algumas atuações notáveis (Elle Fanning dá um banho). Lembra John Hughes, e fascina quem sempre se divertiu com esses filmes de jovens aventureiros, de longe o melhor do filme. Nas mãos de Abrams essa mistura de ação de adulto e aventuras pueris funciona melhor do que a encomenda, e de quebra somos agraciados com o super 8 dos créditos finais realizado pelos “prodígios” (não vá embora sem assistir).

 

 

American Graffiti (1973 – EUA)

George Lucas resume a geração jovem dos anos 60 numa única noite. Numa cidade da California, garotos e garotas perambulam por lanchonetes, paqueram nos semáforos, buscam aventuras, dançam no baile, é a efervescência dos hormônios, sem grande compromisso. A fase em que esses jovens devem deixar suas casas, e sua pacata cidade, e partir rumo à universidade, ao mundo gigante e desconhecido que os farão maduros (longe do convívio diário dos pais e amigos de sempre). Lucas oferece uma noite deliciosa e tola, com uma edição ágil e crucial à estrutura dinâmica de várias histórias se entrecruzando a todo o momento, há rachas, muita paquera, gangues, términos de relacionamento e muita azaração. A trilha sonora de clássicos (por exemplo, The Platters), o zigue-zague entre romantismo e galinhagem, praticamente um percussor de John Hughes, num carrossel de personagens e desencontros.

Gatinhas e Gatões

Publicado: maio 27, 2011 em Uncategorized
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Sixteen Candles (1984 – EUA)

Os nascidos na década de 70 sabem muito bem o que representou os filmes de John Hughes em sua geração (na verdade muitos da década de 80 também graças às reprises), eu que nasci no finalzinho dessa década peguei também a onda Hughes, numa segunda etapa, via Sessão da Tarde. Quantas tardes deixei (ou apenas atrasei) de ir jogar bola para assistir ao final de um dos filmes onde Hughes tão bem expunha essa conflitante relação adolescente x mundo. Imagine-se sufocado pelo casamento da irmã ao ponto da família esquecer seu aniversário de dezesseis anos, e esse não é o único drama de Samantha Baker (Molly Ringwald), sim porque nessa idade sempre estamos apaixonados por quem nem quer saber da gente ou nem sabe da nossa existência (seria só nessa idade mesmo?).

Hughes parte desse conflito para desenvolver uma série de personagem, que ninguém tão bem como ele soube dar vida no cinema. Porém, saindo da fórmula de sucesso do cineasta, extraindo toda essa contextualização de uma geração, temos um filme bem babaca, cheio de exageros no tom de humor (exagero chega a ser eufemismo). São alguns bons diálogos e os estereótipos marcantes que mantém esse filme vivo, parte da obra de alguém que soube dialogar com toda uma geração.

O Clube dos Cinco

Publicado: novembro 18, 2010 em Uncategorized
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The Breakfast Club (1984 – EUA)
 
Quando John Hughes começa o filme com aqueles carros parando um a um na porta da escola, os familiares despedindo-se dos filhos com broncas, os quais passarão o sábado todo de castigo na escola, estava o cineasta pontuando exatamente as diversas tribos por onde os adolescentes se dividem (ou se dividiam na década de oitenta). O atleta, a patricinha, o malandro, o cdf e a maluca (indie). Agora vamos mais adiante, após os confrontos entre eles, as horas de convivência monótona presos na biblioteca, os cinco sentam-se em círculo no chão. E ali, cada um a seu modo, desabafa um pouco de seus problemas (e basicamente são dois, os convívios escolares e a relação com os pais), John Hughes prova que na essência eles são exatamente iguais. Podem gostar de se vestir assim, ou da musica X ou Y, não importa, em maior ou menor grau, eles enfrentam os mesmos problemas, sempre considerando que sua vida é difícil, julgando os demais com o pouco e egocêntrico critério que possuem. Ali Hughes chega a nos fazer emocionar, fica nítido a cada um deles que vivem de seus estereótipos, de suas panelinhas exclusivistas (e assim viverão sempre), quando são apenas jovens encontrando um caminho (que preferencialmente seja o oposto dos pais, por mais que a cada dia mais se assemelhem a eles). Entre as confissões, as brigas, os momentos de extravasar, cinco opostos percebendo que por mais carregados de pré-conceitos e cegos à sua volta, há logo ali diante dos seus olhos um mundo a ser descoberto, pessoas interessantes que apenas cultuam o diferente, e um universo de experiências esperando por eles.