Posts com Tag ‘John Malkovich’

umfilmefaladoUm Filme Falado (2003 – POR) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

A cortês Rosa Maria (Leonor Silveira), professora de português da Universidade de Lisboa, parte num cruzeiro com sua filha Maria Joana (Filipa de Almeida) pelas águas do Mar Mediterrâneo e Vermelho. O destino final é Bombaim, onde se encontrarão com o pai da menina, para partirem em férias. Rosa Maria aproveita a oportunidade para conhecer, de perto, todos os lugares fascinantes que ela ensina a seus alunos, e só os conhecia pelos livros. A viagem também se torna enriquecedora aa o público, que pode ouvir os ensinamentos que Rosa Maria transmite à filha, em tom meigo e pueril.

Propositalmente, os pontos turísticos representam parte da história das civilizações, assim passeamos pelo Vesúvio, pela Esfinge, pela Acrópole, o Canal de Suez e sucessivamente. Em cada parada, um pouco da história desses locais é colocada em perspectiva. Depois entramos na segunda fase do filme, o comandante do navio (americano, John Malkovich) convida para jantar três figuras ilustres que embarcaram durante a viagem, são elas: a mega-executiva Delfina (francesa, Catherine Deneuve), a ex-modelo Francesca (italiana, Stefania Sandrelli) e a cantora e atriz Helena (grega, Irene Papas).

Inicia-se um diálogo, extremamente educado, entre quatro pessoas de nacionalidades distintas, e o tema ronda aspectos das civilizações. Cada um deles fala sua própria língua e estranhamente todos se entendem bem (crítica clara a União Européia). A escolha de cada um das nacionalidades prova ser meticulosamente planejada, cada um dos personagens funciona como espelho de seu país, e juntos representam os principais povos que dominaram as civilizações ao longo da história: a Grécia antiga, o Império Romano, a Revolução Francesa e o atual império dos EUA. Com diálogos afiados e humor leve, ficam nítidas as posições e divergências entre eles. Num segundo jantar, Rosa Maria e sua filha juntam-se a essa mesa, completando esse quadro histórico com a época das Grandes Navegações Portuguesas do século XV.

O diretor Manoel de Oliveira nos reserva, no último ato, sua visão sob a atual situação da civilização, a famigerada globalização, entre outros ponto foca em quando a violência já perdeu o controle, e nem o mais inocente e puro ser está livre de suas garras. O diretor não manda recado, deixa claro sua insatisfação com o mundo, e com seu próprio país (não poderia ser mais atual), afinal por que todos entendem as outras línguas menos o português? Irene Papas se sobressair sob o elenco de peso, além de dar o tom de humor na mesa, com suas reclamações sobre a incapacidade dos gregos de colonizarem outros países, ainda canta divinamente em grego. Poético, delicado, magistral, Manoel de Oliveira realiza uma obra sublime e atemporal, sua genialidade é tão delicada e discreta quanto precisa. E ainda guarda um desfecho tanto questionador, quanto perturbador.

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Dangerous Liaisons (1988 – EUA) 

É um super jogo de sedução e conquista, inveja, interesse, e por que não vingança, em meio a nobre corte francesa do Século XVIII. Não há limites, apenas objetivos, e quanto maior o desafio, mais prazer ao vencedor. No centro temos um conquistador, Visconde de Valmont (John Malkovich), que prima por sua fama, sem pudor ou arrependimento, e vive como se seu coração jamais pudesse ser conquistado. E a invejosa Marquesa de Merteuil (Glenn Close) que não quer permite que o ex, case-se, com uma jovem virgem (Uma Thurman). É proposta uma troca, seduzir r a dozela primeiro, pela influências que façam o Visconde conquistar o coração de uma esposa fiel e devotada, Madame de Tourvel (Michelle Pfeiffer).

Que delicioso jogo de sedução dirigido por Stephen Frears, no auge de sua carreira e sua estreia em Holywood, sendo agraciado com 3 Oscars. Interpretações envolventes, jogo de palavras para conquista de corpo e alma, e novos personagens, e amores, que ajudam para bagunçar, ainda mais, essa rede de intrigas de época. Baseado no romance epistolar do francês, Pierre Choderlos de Laclos. O cinema como combustível para vaidade.

 

Places in the Heart (1984 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Há pouco além da conexão familiar nas duas histórias paralelas que o filme aborda. Robert Benton carrega bem nas tintas do melodrama da trama de Edna (Sally Field), a mulher de fibra que na década de 30 assume o controle da fazenda após a morte do marido. Sem nem saber como assinar um cheque, ela entra de cabeça na plantação de algodão e na administração da fazenda. Garra e coragem são suas bandeiras, mas o filme não deixa de abordar o racismo e a inocência como temas importantes.

De outro lado, há a trama de Margarete (Lindsay Crouse), irmã de Edna, a cabeleira que sofre com a infidelidade do marido (Ed Harris) com sua melhor amiga (Amy Madigan). Essa parte do filme não  vai além de repetir clichês de outros filmes, sem nenhum atrativo ou diferencial. E facilmente poderia ter sido preterida, frente a poderosa presença de Sally Field e sua relação com Moze (Danny Glover) que diz ser especialista no plantio de algodão. É a atuação sofrida e contundente de Sally Field que carrega o filme, e mantém ainda mais distanciada a banalidade da trama sobre infidelidade. O resultado final é essa irregularidade onde as atuações se sobressaem ao todo.

queroserjohnmalkovichBeing John Malkovich (1999 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Por que as pessoas têm tanta curiosidade em saber da vida dos outros? O que há de tão fascinante em não ser você mesmo? Até que ponto nossa privacidade deve ser respeitada, qual o conceito de privacidade hoje? Se é que ele existe este conceito ainda. Num mundo tomado por “reality shows”, ter a possibilidade de entrar na cabeça de um famoso ator é algo surreal, porém instigante.

Craig Schwartz (John Cusack) é um marionetista, apaixonado por sua arte, porém enfrentando graves problemas financeiros. Sua esposa, Lotte (Cameron Diaz), adora animais, e os dois vivem numa espécie de mini-zoológico. Obrigado a buscar um emprego “normal”, e auxiliado pela agilidade com as mãos, Craig arruma um emprego de arquivista. O inusitado começa a aparecer aqui, a empresa está localizada no andar 7 ½. Todos andam meio envergados, porque o andar tem realmente metade da altura.

Rapidamente, Craig se apaixona, no trabalho, por Maxine (Catherine Keener), quem não lhe dá nenhuma atenção. O surreal entra de vez na trama quando Craig encontra uma estranha porta na parede, e descobre que se trata de um portal que vai direto ao cérebro do ator John Malkovich. Bizarro, não? Você entra pelo portal e consegue ficar quinze minutos lá dentro, até ser arremessado à beira de uma rodovia. Obviamente que Craig fica fascinado, e conta tudo a Maxine, que vê a possibilidade de ganhar muito dinheiro.

Os dois abrem uma empresa clandestina, e nas madrugadas cobram dos interessados a passar alguns minutos na cabeça do astro. Maxine vai à procura de Malkovich, e o encontra quando Lotte estava dentro da mente do ator. O resultado é que Lotte se apaixona por Maxime. Craig descobre o amor das duas, “executado” através do corpo de Malkovich, e enciumado descobre uma maneira de controlar o ator, como controla suas marionetes. Sob o comando de Craig, a vida de Malkovich muda completamente e esse roteiro segue por caminhos inimagináveis.

Spike Jonze dirigiu inúmeros clips musicais de sucesso, e também trabalhou como ator no filme Três Reis. Em sua estreia na direção surge um talento inventivo, que flerta com humor leve e agradável, enquanto busca na criatividade e em temas atuais, a vasão para suas ideias completamente malucas. Algumas cenas inteligentes como a perseguição no subconsciente de Malkovich, ou a dança imitando uma marionete, provam que nasce um diretor para se ficar bem atentos.