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Rasga Coração

Publicado: dezembro 10, 2018 em Cinema
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Rasga Coração (2018) 

Ainda me surpreendo, negativamente, com o desinteresse do público pelo cinema nacional, ou a própria desconexão dos filmes com esse público. O novo filme de um diretor como Jorge Furtado, não poderia chegar assim, de mansinho, na reta final do ano, seus filmes anteriores e trabalhos na tv o credencial a uma atenção bem maior. Dito isso, o diretor e roteirista gaúcho mantém sua capacidade de falar com os mais diferentes públicos, de trazer humor para debates relevantes, e uma narrativa marcada pela simplicidade.

Adaptando uma peça de teatro, a narrativa se divide em duas épocas. Nos dias de hoje, um casal de classe média em conflito com o filho que aderiu ao mundo vegano, que só anda de bicicleta para proteger o planeta e etc. Esse pai (Marco Ricca) é o jovem que enfreta seu pai moralista durante a ditadura Militar.

O filme trata desses conflitos de gerações, principalmente o poder do amadurecimento x o idealismo juvenil. Nesse contexto explora política, do macro até a política do nosso cotidiano, a relação pai x filha, marido x esposa na casa dos cinquenta anos.

Talvez a trama em flashback sofra com irregularidade, quase trampolim para a história dos dias atuais, mas é um filme interessante e que dialoga tanto com a situação atual. Os filmes todos de Furtado são assim, tentam se diferenciar muito entre si, mas são carregados de uma pegada jovem e de uma fluidez narrativa, por isso mereciam mais interesse. Inclusive, talvez seja este seu melhor filme, e todos sempre deixam o gostinho de que o próximo vai ser um dos bons. Que venha esse tão aguardado.

etudoverdade2014• É Tudo Verdade, o maior festival de documentários do país, divilgou hoje os filmes que farão parte da próxima edição (que ocorrerá no início de Abril). Retrospectivas de Shohei Imamura e Helena Solberg, docs de Eduardo Coutinho, Leon Hirzman, Jorge Furtado, um sobre Dominguinhos ou destaques internacionais como The Armstrong Lie fazem parte da programação [It’s All True]

• Entre Março e Abril, no CCBB, interessante mostra com filmes, dos anos 60, da Nouvelle Vague Tcheca [CCBB]

• As próximas semanas estão com tudo. No Cinesesc, alguns dos destaques da Mostra Tiradentes de Cinema serão exibidos, a partir de 24/03 [Cinesesc]

• Encerrando as programações especiais, a 3ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, de 20 a 27 de Março, entrada gratuita. Entre os destaques o documentário Blackfish: Fúria Animal [Ecofalante]

• Resquício das premiações, essa semana forma divulgados os indicados ao Cóndor de Oro (Oscar do cinema argentino), Wakolda foi o lider das indacações, seguido por Teses Sobre um Homicídio [OtrosCines]

• Um pouquinho sobre o filme novo dos Irmãos Dardenne, estrelado por Marion Cotilard, que deve fazer parte da competição principal em Cannes [The Playlist]

• Polêmica da Semana causou a Folha de SP, na reportagem acusa a equipe de divulgação do filme Alemão de entregar dinheiro, para cobrir gastos de viagem, a criticos de cinema. Será que os críticos se vendem por R$ 200,00 ou apenas é uma ajudinha de custo? [Folha de SP]

• Polêmica 2, não bastava Azul É a Cor Mais Quente, agora foi a vez de Ninfomaníaca ser recusado pela empresa empresa que reproduz Blu-Ray. Portanto, os dois filmes só serão encontrados em DVD. A censura voltou! [UolCinema]

• Filme novo dele está bombando na internet, leia entrevista com Wes Anderson [Slant Magazine]

Antes que o Mundo Acabe (2009) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A história cerca Daniel (Pedro Tergolina), um adolescente de 15 anos vivendo numa pequena cidade do interior gaúcho, embora a narração fique a cargo de sua meia-irmã mais nova. A opção traz um ar de fofura, quase de não entendível, tudo se encerra com um “culpa dos hormônios”.  Formato que a branda a explosão particular dos dramas do garoto, que de repente se vê dentro de uma disputa pelo coração da namorada e com um pai ausente querendo estabelecer contato.

A diretora Ana Luiza Azevedo foca na passividade, observa os garotos à beira do rio, o comportamento agressivo e irritadiço de Daniel e com diálogos simplórios e um pouco no modus-operantes de uma cidade interiorana movida a bicicletas tenta resgatar o impacto de filmes sobre a juventude como As Melhores Coisas do Mundo. O rito de passagem dos jovens em busca de cidades maiores, de faculdades mais consagradas (e, claro, de descobrir o que vai além daquelas pequenas ruas pacatas) transforma-se em insignificante quando as primeiras desilusões amorosas batem à porta, o filme fica tão brando em seus temas (com excesso da fofura narrativa) que facilmente pode-se considerá-lo sombra de Houve uma Vez Dois Verões de Jorge Furtado (que aliás é roteirista aqui).

Houve uma Vez Dois Verões

Publicado: abril 4, 2012 em Uncategorized
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(2002)

A estreia de Jorge Furtado na direção vem com uma história extremamente adolescente. Garotos loucos em perder a virgindade, férias na praia com a família, as pequenas liberdades e as eternas reclamações juvenis. Furtado sabe dialogar com esse público, peca muito na direção de atores, na sensação de amadorismo fílmico, essa eternal sensação de filme fundo de quintal. Porém, ele guardava um roteiro fora do comum, uma paixão, uma garota de sorriso doce e personalidade impensável. Tudo narrado de maneira otimista, um clima sempre pra cima, e muito leve. Furtado quer mesmo é divertir, tratar de temas tabus com seu estilo próprio, sem preconceitos e nem moralismos, é simplesmente assim que vejo isso e gostaria que voce também pudesse entender as razões dos meus personagens.

ohomemquecopiavaO Homem que Copiava (2002) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

André (Lázaro Ramos) é muito mais do que um simples operador de foto-copiadora (como ele mesmo se intitula). O jovem de vinte anos, e vida humilde, é um desses brasileiros inexplicáveis pelos economistas, capaz de conseguir milagres com a magra remuneração que recebe, e ainda assim viver sob forte influência de seus sonhos. A influência é tamanha que seu primeiro desejo de consumo foi um binóculos e com ele André enfatiza o voyeurismo que faz sua mente viajar. Agora sua próxima meta é a vizinha que ele observa.

Ele não sabe nem o nome da moça, apenas conhece seus horários e a observa pela janela. André trama milhares de maneiras de conhecê-la, planeja, com detalhes, uma forma de se aproximar. Mas sem dinheiro é muito difícil, como convidar uma garota para sair se nem o cinema ele pode pagar? Daí vem sua primeira grande idéia, porque não tentar fazer uma cópia de uma nota de cinqüenta?

O que se tratava de uma descontraída comédia romântica parte num caminho sem volta para a trama policial. Jorge Furtado extrapola no roteiro, com seu estilo característico (de humor e jovialidade), coloca seu protagonista (usando muita narração em of)f detalhando seu estilo de vida, segundos depois confirma com a imagem o que acaba de ser narrado. Dessa torna seu filme engraçadinho, porém infantilizado ao extremo, fora que a ferramenta chega a ser cansativa de tão utilizada. Outro ponto é a completa transformação dos personagens, para Furtado todos são corruptíveis, e seu roteiro vende facilmente cada um de seus personagens. A simples cópia de uma nota é apenas o pontapé inicial para delitos cada vez mais perigosos.

Mas não pensem que o filme é um equívoco. Todo o desenlace amoroso, com a aproximação do casal, a química entre Leandra Leal e Lázaro Ramos, e as divertidas participações de Pedro Cardoso (naquele personagem que se tornou característico seu). Tudo é armado com diálogos inteligentes, e um romantismo contagiante.

meutiomatouumcaraMeu Tio Matou um Cara (2004) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Duca (Darlan Cunha), narrador em primeira pessoa, é apaixonado por Isa (Sophia Reis), que por sua vez está interessada em Kid (Renan Gioelli), três amigos quase inseparáveis. Enquanto Duca conta ao público sua visão do triângulo amoroso, sua família passa por um pequeno drama familiar, seu tio Eder (Lázaro Ramos)  matou um cara. A vítima? O ex-marido de sua namorada, que foi até sua casa tomar satisfação, pelo menos é essa a história que Eder contou.

A trama rola solta, novas facetas dos personagens a cada reviravolta (seja na área romântica, seja na policial) da história. Tudo cercado com humor característico, sempre com uso de linguagem jovem, leve e divertida, bem ao estilo do diretor Jorge Furtado que tanto descreve o cotidiano adolescente. O roteiro é redondinho, redondinho, na verdade até demais. Despojado, enxuto e ajeitadinho que beira o óbvio. A forma de narração de Duca pende ao infantil, explica demais, e filme que explica demais perde um pouco do brilho. Jovem não é bobo, gosta de ver seu estilo de vida retratado verdadeiramente, mas não precisa que expliquem cada detalhe, eles já os conhecem. Mas Furtado acerta em muitos pontos, coloca seu filme acima de preconceitos, retrata o cotidiano porto-alegrense e o mundo adolescente sem devaneios.

Por outro lado, a publicidade está espalhada por todos os cantos. Provedores de acesso à internet, marcas de cerveja, serviços de entrega de correspondência, sempre que há uma chance os nomes dos patrocinadores tomam conta da cena. É no corriqueiro que o diretor foca seus planos, são as pequenas coisas que buscam identificação do público com os personagens. Darlan Cunha e Sophia Reis são retratos da juventude, Deborah Secco está estonteante, mas só se tratando de sua beleza escultural. Lázaro Ramos é o contraponto de humor da história. Faz graça não só quando está em cena, seu personagem é tema de humor para os outros. Meu Tio Matou um Cara é daqueles filmes gostosos de assistir, mas que não ficam na memória.

Os meus 5 melhores filmes nacionais, entre os que entraram em cartaz, no Brasil, em 2003.

Lisbela-e-o-Prisioneiro

  1. Lisbela e o Prisioneiro, de Guel Arraes
  2. Nelson Freire, de João Moreira Salles
  3. O Homem que Copiava, de Jorge Furtado
  4. Houve uma Vez Dois Verões, de Jorge Furtado
  5. Dois Perdidos numa Noite Suja, de José Joffily