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Os meus 5 melhores filmes nacionais, entre os que entraram em cartaz, no Brasil, em 2003.

Lisbela-e-o-Prisioneiro

  1. Lisbela e o Prisioneiro, de Guel Arraes
  2. Nelson Freire, de João Moreira Salles
  3. O Homem que Copiava, de Jorge Furtado
  4. Houve uma Vez Dois Verões, de Jorge Furtado
  5. Dois Perdidos numa Noite Suja, de José Joffily
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2perdidosnumanoitesuja2 Perdidos Numa Noite Suja (2002) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Muitos saem do Brasil com destino aos EUA, comprando o sonho americano do “país das oportunidades”. Até parece que as dificuldades lá não irão existir, tudo é mais fácil. Emprego em qualquer lugar, ganhando em dólares (ênfase no ganho em dólares). Rapidamente daria para guardar um dinheiro, e voltar ao Brasil na crista da onda. Que sonho perfeito.

Desempregado, e com graves dificuldades financeiras, Tonho (Roberto Bontempo) é um dos que decide sair de Valadares (MG) e ganhar a vida em Nova York. Parte com emprego e um casamento arranjado para conseguir o green card. O mundo de fantasias desmorona, para o ingênuo brasileiro que esperava se dar bem na vida. O emprego é difícil, e após cincos longos anos, se vê morando numa pocilga, sob condicional, desempregado e passando fome. Sua única companhia nesse lugar estranho é a jovem Paco (Débora Falabella).

O nome pode parecer estranho, mas é esse mesmo. Paco é uma garota brasileira, de família rica, que brigou com a família, e agora se prostitui praticando sexo oral com algumas “bichas”, fingindo ser garoto. Vive para pagar drogas, seu consolo de sossego e razão. A dupla divide a mesma pocilga, e ambos mantém vivos os sonhos. Ele de se dar bem, e ela tornar-se cantora de hip-hop de sucesso. A situação de Tonho é cada vez mais deplorável, diferente do corrompido Paco, ele busca seus méritos com o mínimo de dignidade, mas vê sua vida cada vez mais no buraco, e ainda é pisoteado moralmente por Paco. Sem dinheiro para voltar ao Brasil, resta a Tonho comer num abrigo para mendigos, e implorar por algum trabalho, enquanto assiste Paco comprar uma bota nova para satisfazer seu ego. Sempre sob tensão, os dois travam diálogos violentos, e nunca aliviam nas acusações e constatações alheias. São duas pessoas completamente solitárias, que buscam apoio em alguém que mais lhes afunda, testando cada vez mais seus limites.

Adaptando a célebre peça teatral de Plínio Marcos (grande sucesso na década de sessenta), o diretor José Joffily nos arremessa no submundo gelado da metrópole, buscando que seus personagens libertem seus lados mais sórdidos. Os problemas da imigração, o sonho tolo e a situação deplorável de uma Nova York, escondida por baixo dos filmes de Hollywood. O sonho do sucesso não permite que as pessoas percebam o quanto mais estão se afundado, criando uma bola de neve que não pára de. A edição do filme quer ser moderna, infelizmente acaba confusa. Os diálogos, por mais ríspidos, seguem na mesma batida clichê.

Roberto Bontempo consegue equilibrar ingenuidade com dramaticidade, seu personagem é passivo, tolo, e prefere continuar no fundo do poço, a admitir a idéia do fracasso à família,  mente descaradamente nas cartas, finge ser bacana. Débora Falabella não cansa de repetir a forma como sobrevive de maneira grosseira, ela encarna a drogada prostituída e dona da situação, ganha a vida de maneira promíscua e humilha o tempo todo a única pessoa que lhe acolheu. Em seu filme de estréia, a atriz esbanja talento. Suas palavras ferem, e ela prefere descontar nos outros todo o ódio guardado por sua situação.