Posts com Tag ‘José Padilha’

rioeuteamoRio, Eu Te amo / Rio, I Love You (2014 – BRA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A versão para a Cidade Maravilhosa, da série Cities of Love, é um desserviço ao Rio de Janeiro e ao cinema nacional. Nenhum dos 10 curtas consegue, nem de forma ligeira, condensar qualquer traço do charme, beleza e encanto da cidade. Se o modelo de filme-coletivo sofre pela irregularidade, dessa vez, este se torna o menor dos problemas.

Primeiro que a cidade é colocada em segundo plano. Alguns dos curtas nem conseguem se identificar com a cidade, os demais praticamente tornam os cartões-postais em clichês hediondos. As visões são as mais simplistas possíveis, os roteiros almejam o natural, quando apenas encontram uma artificialidade de finais que desejavam representar grandes sacadas. Começa com Andrucha Waddington e a história do neto que encontra sua avó (Fernanda Montenegro) vivendo como mendiga, por opção.

Paolo Sorrentino vai ao limite dos clichês com a jovem ricaça (Emily Mortimer) e seu marido idoso, doente e podre de rico, que passam férias na cidade. Fernando Meirelles e Cesar Charlone não conseguem imprimir ritmo à história do escultor (Vincent Cassel) de areia que se apaixona por uma jovem, o curta não passa de uma ideia de trama.

Constrangedora é a história dirigida por Stephan Elliot, um astro do cinema (Ryan Kwanten) decide escalar o Pão de Açúcar, do nada, com a roupa do corpo, e carrega seu guia (Marcelo Serrado) nessa aventura pelo amor inesperado. Totalmente insosso, e que nada mostra além de dois takes do mar, é o curta dirigido por John Turturro, sobre um casal (ele e Vanessa Paradis) em tom de despedida. Guillermo Arriaga retoma parte do clima de Amores Brutos, troca a briga de cães por lutas clandestinas e desce fundo no poço das propostas indecentes (que só devem existir na cabeça de cineastas mesmo).

O morro do Vidigal é tomado por vampiros na visão de Im Sang-soo, com direito a samba, garçom estiloso e prostituta mulata. Carlos Saldanha até consegue um aspecto visual interessante na apresentação do casal de bailarinos (Rodrigo Santoro e Bruna Linzmeyer), mas o drama do casal e suas discussões durante a apresentação são de um melodrama que pouco acrescenta ao clima de amor à cidade. Wagner Moura é o instrutor de asa-delta frustrado que xinga o Cristo Redentor durante um voo, sabe-se lá as intenções de José Padilha, além de trazer seus temas críticos da cidade à tona.

Mesmo carregado de clichês, a simpatia da história criada por Nadine Labaki é a que mais se aproxima do que se esperava deste projeto. Um garoto de rua, gringos (ela e Harvey Keitel) encantados por seu jeito cativante, se passam por Jesus para realizar suas fantasias. E a cereja estragada do bolo são as transições, que ganharam vida própria, personagens próprios, e direção de Vicente Amorim. Primam pela artificialidade, e mais embaralham do que funcionam como conexão para os curtas. Além de intensificarem o padrão visual do filme que trafega entre um Globo Filmes e uma campanha publicitária de tv (aliás, marcas de patrocinadores quase se tornaram protagonistas das transições).

filmedoano_alfred• Tabu na  cabeça, como era de se esperar. Essa semana finalmente foi divulgado o Alfred 2013. Os melhores filmes de acordo com a Liga dos Blogues Cinematográficos. É imperdível acompanhar o grande momento do ano, do que podemos chamar de o Oscar da Internet Brasileira, vejam os demais vencedores [Liga dos Blogues Cinematográficos]

• Nova biografia sobre Steve Jobs em pauta, frisson no twitter quando foi anunciando que David Fincher seria o possível diretor do filme [Variety]

• O bafafá da semana foi essa história das empresas de Blu-Ray do país se negarem a produzir os Blu-Ray’s de Azul É a Cor Mais Quente, devido a seu conteúdo sexual forte. Quando pensamos que estamos evoluídos… [Omelete]

• Narco, série que será produzida pelo Netflix terá direção de José Padilha e Wagner Moura como Pablo Escobar [Rolling Stone]

• Cambodia, uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e as mudanças que podem ser geradas em um país [LA Times]

• César 2014 os premiados [Deadline]

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Robocop

Publicado: fevereiro 24, 2014 em Cinema
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robocop_2014Robocop (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O remake dirigido por José Padilha mais parece um ponto de encontro de Tropa de Elite com o clássico de Paul Verhoeven. Pouca coisa restou para comparar os filmes, e nessa comparação o cineasta brasileiro sai perdendo. Estão lá desde o apresentador de tv influenciável e manipulador (Samuel L. Jackson), os políticos inescrupulosos e corruptos no topo da pirâmide do crime, e até o espírito do invencível e incorruptível que era representado pelo Cel nascimento e agora surge na figura do Robocop (Joel Kinnaman).

Gary Oldman resgata o médico louco e fascinado pela criação de seu Frankenstein, enquanto o policial robô é transformado numa espécie de justiceiro vingador de sua própria história. Dessa forma, toda a carga humana e o embate homem x máquina (que pareciam temas mais fortes da versão de Padilha) são diluídos por essa obsessão em rapidamente culpar e prender aqueles que causaram o atentado que o transformaram no policial cibernético.

Há vilões por todos os lados, alguns deles por razões pouco explicáveis, é a forma de José Padilha tratar a questão da violência onde, exceto o herói e o povo, os demais são todos os que discordam de seus métidos. E finalmente chegamos às cenas de ação, onde o excesso de câmera tremida e o aspecto visual que mais se preocupa com a “jogabilidade” de um videogame dão a perfeita sensação de sermos coadjuvantes num jogo de Counter Strike. Padilha é hábil nesse processo de invasão da favela (no caso galpões cheios de bandidos armados), filma de todos os ângulos, de maneira ágil e alucinante. Pena que o difícil seja distinguir o que se está vendo. Antes o inimigo era outro, agora está em outro lugar.

padilhaerobocop• O remake de Robocop dirigido pelo diretor brasileiro José Padilha, de Tropa de Elite, vem causando frisson na crítica internacional [Hollywood Reporter] [Variety], ou pelo menos em parte dela [The Guardian]

• Philip Seymour Hoffman para recordar, um pequeno clipe resumindo sua carreira [Vimeo]

• Primeia parte da lista dos 100 Melhores Filmes Franceses da revista mais cool da França [LesInRocks]

• Festival de Berlim começou com bons elogios ao novo filme de Wes Anderson, no link um teaser para quem gosta dos filmes dele [Youtube]

• Novo filme de Gus Van Sant, Sea of Trees, terá Matthe McConaughey como protagonista [The Guardian]

• Mais salas de cinema de rua em São Paulo? Será? A Prefeitura diz que investirá [Uol Cinema]

Garapa

Publicado: dezembro 12, 2011 em Uncategorized
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(2008)

O tema é mais que urgente, falar em fome deveria causar vergonha nacional, como assim estamos listados entre as cidades mais caras do mundo e tanta gente passa fome? Filmado em branco e preto, tom de relevância, direção de José Padilha (aqui já renomado após Tropa de Elite), tudo tão pensando que acabou não dando certo. O documentário entrevista e deflagra um pouco do cotidiano de 3 famílias miseráveis brasileiras, aquelas que muitas vezes não fazem uma refeição o dia todo, dependem do Bolsa-Família ou de uma cesta básica para a sobrevivência familiar.

Problemas com alcoolismo, preguiça de trabalhar, as moscas invadindo o prato das crianças que se alimentam só de feijão, são retratos da realidade, e o documentário se perde entre os tais problemas cotidianos quase deixando o tema fome de lado para acompanharmos as brigas acelebradas e tão convencionais.

Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (2010)

Capitão Nascimento é o herói brasileiro, nosso Batman. Só que no Brasil nós não temos disfarce e nem máquinas super poderosas de ultima geração, nosso herói é de carne e osso, e muito suor. Wagner Moura oferece aquele personagem que o brasileiro queria acreditar, alguém incorruptível, capaz de enfrentar a tudo e todos, sem medo, mas ainda assim sofrendo com o divórcio e a distancia do filho, gente querendo tirar seu tapete, a corrupção, a malandragem. Na história ele sai do BOPE para assumir um cargo na Secretaria de Segurança, o filme superdimensiona as milícias que teria causado o fim do tráfico nas favelas cariocas (e por alto ouve-se que as milícias realmente crescem e ocupam seu espaço), com isso o controle da corrupção está toda na mão da polícia e políticos. José Padilha continua filmando com vibração, com pegada, dessa vez os jargões não conseguem colar tão bem no público, porém o filme é muito mais denso, muito mais profundo e principalmente contundente em apontar o dedo para nomes, cargos, em acusar por meio de personagens que estão diretamente ligados à pessoas da vida real. Coragem, coragem, coragem, ao fim da projeção você fica com essa idéia fixa na cabeça, Padilha (com auxilio do roteiro de Braulio Mantovani) cria uma falsa impressão de mudança, para depois atacar Brasília dizendo tudo aquilo que nós sabemos e acreditamos, e se o filme fosse ruim (o que não é, talvez um pouco exagerado aqui ou ali) só por esse aspecto já seria detentor de respeito. E Tropa de Elite não tem dó de seus personagens, a vida é frágil e vale pouco para os dois lados dessa guerra.

Ônibus 174

Publicado: outubro 15, 2002 em Cinema
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Ônibus 174 (2002) 

Tristeza! É uma tristeza profunda reviver os detalhes dessa tragédia em cadeia nacional, um retrato dos problemas sociais do país, mais particularmente do Rio de Janeiro. São mais de duas horas de documentário, dirigido por José Padilha, resgatando o episódio do seqüestro de um ônibus no jardim botânico. Durante horas e horas, a polícia tentou negociar a rendição do seqüestrador (Sandro) que ameaçava matar os reféns que ele matinha dentro ônibus. A inexistência de treinamento e a falta de equipamentos dificultaram o trabalho da polícia, que mostrou-se totalmente desqualificada para esse tipo de situação, além do excesso de amadorismo que juntos culminaram no trágico desfecho.

Padilha intercala as cenas do seqüestro (cenas de arquivo tensas de programas de tv), com depoimentos de policiais que participaram das ações, e depoimentos de familiares de Sandro, de amigos de rua,  e outras pessoas que o conheciam.  Tenta-se mostrar o passado e traçar um perfil psicológico de Sandro, que era sobrevivente da chacina da Candelária, e perdeu a mãe, tragicamente, ainda muito pequeno e na sua presença. Dessa forma, o documentário nos faz conhecer Sandro melhor. Desde sua saída de casa, alguns de seus delitos e o envolvimento com as drogas, trazendo um alto grau de humanidade para alguém que só seria visto como o sequestrador. São detalhes precisos de pesquisa em instituições onde Sandro foi preso, documentos, um estudo árduo que funciona de exemplo para tantos outros jovens com histórico muito parecido. Um retrato desolador culminando num final chocante digno de roteiros mirabolantes de Hollywood, mas ocorreu ali, em meio à multidão e as câmeras da tv transmitindo ao vivo.