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aloucuradealmayerLa Folie Almayer (2011 – BEL/FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Adaptação livre do primeiro conto de Joseph Conrad traz um mergulho da cineasta Chantal Akerman à Malásia rural, contextualizando a história nos anos 50. Enquanto Akerman se delicia com uma natureza primitiva, num olhar entre o selvagem e um curioso desbravar, ela traz à tona a disputa de raças. São europeus latifundiários, enquanto um país vive dividido entre chineses e malaios.

Outra questão forte é do isolamento, Almayer (Stanislas Merhar) veio da Europa, vive numa fazenda deficitária e sua unica paixão é sua filha. Enquanto Almayer se isola, cada vez mais distante da Europa, de amigos e de sua esposa (malaia), ele trabalha, sem resultados frutíferos. A filha vai para um colégio interno, a busca é por educação européia, sem que se questione a possibilidade da garota se adaptar, ou não à cultura.

A solidão enlouquece, e Chantal encontra uma forma leve de criar claustrofobia, câmera levemente distante e o verde das árvores que não permite ver o céu, a pequena abertura da visão está onde os pequenos barcos param para os tripulantes descerem. Uma vida que parece sem escolhas, apertada pela natureza, pela condição imposta, e pela inércia pessoal. Almayer enlouquece, porque as coisas fogem ao seu controle, e não há estrutura psicológica para reviravoltas.

Gabrielle (2005 – FRA)

Adaptação do romance O Retorno, de Joseph Conrad, o cineasta Patrice Chéreau oferece um filme luxuoso e extretamente teatral, vivido na Paris do início do século XIX. Aquela comunicabilidade fragmentada de alguns de seus filmes, aqui se transforma numa explosão de diálogos violentos quando a relação foge ao controle do marido (Pascar Greggory). Da esposa submissa (Isabelle Huppert) que apenas brilhava nas festas burguesas na residencia do casal, um romance extra-conjugal leva a esposa a expor seus sentimentos, a sair da letargica submissão social, ocasionando na desconstrução psicológica de ambos os personagens.

Porém, a exposição dessa descontrução humana não vai além de emoções afetadas, desespero, dor. O descontrole oriundo de uma carta, a impossibilidade de se resgatar um relacionamento (praticamente protocolar até então). Na entrega dos atores, a vergonha alheia pelo descontrole de um amor platonico e a sensação de traição. Entre quatro paredes, os animos perdem o controle, o destempero, quase sem perder a pose. A abertura do filme, com narração em off, praticamente entrega as características pessoais, uma fotografia da personalidade machista burguesa capitalista.