Posts com Tag ‘Joseph Gordon-Levitt’

snowdenSnowden (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Imagine tudo que você já sabe sobre Snowden e suas polêmicas acusações de espionagem e controle da vida particular de qualquer um, pelo governo americano. Agora, encene toda essa história com atores famosos, sem acrescentar nada, esperando que qualquer reflexão surja do material que já é tão conhecido do público. O resultado do trabalho de Oliver Stone é exatamente este. Se conhece as matérias publicadas pelo The Guardian e etc, e pior, se já viu o documentário Citizenfour, você não terá nada novo a absorver aqui.

Stone até flerta com o thriller de espionagem, mas constrói mesmo um drama político com viés romântico importante. Quer escancarar os desmandos do governo americano e suas agências de inteligência. O discurso é didático, a denuncia antiga. Aguardem a paranoia crescer em desavisados, estes irão creditar a Oliver Stone uma poderosa denuncia, não passam de desavisados lendo noticia velha.

Joseph Gordon-Lewitt vai se tornando um especialista em sotaques, percebe-se claramente a grande preocupação do ator em compor características que se assemelhem ao personagem. É um esforço justificado, afinal, todo mundo já viu parte do vídeo onde Edward Snowden faz suas denuncias. Porém, é esse pouco quando um material tão poderoso fica a mercê de uma direção tão insípida e incapaz de colocar qualquer ponto de vista particular. Incrivel como nesse universo de informações ultra-sigilosos, o que possa se descartar é a discussão entre jornalistas para que se conseguisse publicar a matéria, um jogo de bastidores e medos que poucos filmes retrataram. Stone entrega entretenimento puro e simples, faz jus à sua filmografia.

atravessiaThe Walk (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A façanha de Philippe Petit já havia chegado ao cinema através do documentário O Equilibrista, vencedor do Oscar desse gênero. Dirigido por James Marsh, e muito rico em imagens de arquivo, da vida e das façanhas, do maluco equilibrista francês que ousou cruzar as torres gêmeas do World Trade Center pisando num cabo de aço. E o segredo do documentário é de se estabelecer por meio dos depoimentos do personagem e de todos que colaboraram nessa e nas demais peripécias (como cruzar a Notre Dame também).

Agora foi a vez de Robert Zemeckis abordar a mesma história, através da ficção. Joseph Gordon-Levitt se esforça no sotaque de um francês falando em inglês, e no tom da voz de Petit, enquanto o filme parte desde a infância desse equilibrista incorrigível até os minuciosos detalhes para invadir as torres em construção, às escondidas, com todo o equipamento necessário para realizar a proeza.

Apoiado pela narração em off em tom de conto infantil, e cheio de trilha sonora de superação, Zemeckis assemelha muito de seu filme no documentário, aproveitando-se da tecnologia 3D para dar dimensão da altura (além dos 110 andares) e da maluquice. E essas cenas são impressionantes. No saldo, a ficção de Zemeckis se repete ao documentário, sem que consiga superá-lo, sendo mais importante como a possibilidade de alcançar um público maior pelo apelo comercial de marketing e estrelas.

DON JONDon Jon (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A estreia na direção de Joseph Gordon-Levitt mostra um pouco de quem é o ator, além da forma como ele vê o mundo. Na apresentação do filme, ele diz que esse personagem seria sua visão de um Don Juan moderno. Um cara que conquista as garotas na balada e transa em casa, que malha todos os dias, enfim, ele definiu o novo Don Juan como um conquistador barato. E, adicionou, por sua conta, um pequeno ingrediente: torná-lo viciado em sexo.

Com todos esses elementos em mãos é obvio que irá aparecer a garota (Scarlett Johansson) que o fará sair dessa vida de vadiagem, o diferente é o modo como Gordon-Levitt narra tudo isso. Um humor meio bruto, quase como se um saradão estivesse contando para os amigos o que é namorar uma garota que fantasia romance em tudo. Ele vem com uma pegada mais bruta, com piadas de sempre, mas há espalhado pelo filme um plano-sequencia aqui, um diálogo robusto ali.

Como comédia funciona nos padrões, mas eis que Gordon-Levitt resolveu profetizar, partir em busca da “salvação” desse viciado. E o filme mete os pés pelas mãos completamente, aparece Julianne Moore e os padrões de sua personagem são inconsistentes, e com uma carga dramática que perde todo o “punch” de outrora. Deveria ter ficado na comédia adolescente e encontrado um final por ali.

blog-welcomeDe férias pelo Canadá, não seria possível resistir à tentação de conhecer o TIFF (Festival de Toronto de Cinema), que a cada ano vem se popularizando e se tornando plataforma de lançamento nos EUA para os filmes que serão protagonistas no Oscar.

Os festivais simultaneos Toronto, Veneza e Telluride são o pontapé inicial. Vencer Toronto não é representativo, as Gala Presentations são os verdadeiros focos aqui. Afinal, o TIFF é, basicamente, um festival como o do Rio ou a Mostra SP, de exibição de filmes que correram outros festivais ao longo do ano. Tanto que o premio principal é a escolha do público.

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Desde os primeiros passos pela cidade ja se é surpreendido por sinais da presença do TIFF, seja nas sacolas dos usuários de metro, nas camisetas laranjas dos voluntários, ou nos cartazes espalhados por cada canto.

O primeiro destaque é pela grandiosidade do festival. Toda fila é gigantesca, toda porta de cinema tem milhares de pessoas. As filas cruzam quarteirões. Na avenida onde ficam as principais salas (Av King) o transito é fechado, dependendo do porte da celebridade. O povo se amontoa na grade, e, a qualquer sinal, da chegada de alguma estrela, começa a guerra de flashes e gritos.

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Essa aproximação com celebridades desse porte é empolgante, afinal, quem não quer dar uma olhadinha, mas longe de ser o melhor da diversão. Sentir o burburinho do público, todos bem vestidos, aquela sala de cinema enorme, a projeção impecável em digital, despertam uma admiração pela estrutura em si, mas principalmente pela magia do cinema que permanece vibrando em cada um que por ali está.

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Minha sessão inaugural (já com o TIFF em sua metade) foi com a Special Presentation do filme Don Jon, no grandioso Princess of Wales (2000 lugares, teatro usado para musicais, exibido num digital impecável), onde se pode comprar um refrigerante e uma pipoca murcha por 6,00 dólares canadenses.  A diferença entre Gala e Special Presentation é que na Gala é o lançamento mundial, enquanto o Special é o lançamento para mercado da América do Norte.

Marca a estreia na direção de Joseph Gordon-Levitt, e no elenco Scarlett Johansson e Julianne Moore. Se a Julianne não apareceu, Scarlett foi ovacionada na rua, no cinema, em todos os lugares.

blog - scarlett josephA dupla apareceu antes e depois da sessão, Scarlett trançava as pernas no palco (como pode ser visto na foto abaixo), não desenvolve bem seu discurso, sem as falas decoradas, repetindo “you know”, com sotaque nova-iorquino, a cada 5 segundos.

Já o dono do filme, Gordon-Levitt, estava à vontade, respondendo perguntas e falando, sério, de uma comédia tola e divertida sobre o Don Juan da atualidade que troca flores por pornografia.

blog-scarlett legsGordon-Levitt falou da influencia de Nolan e Spielberg (diretores com quem trabalhou recentemente), da insegurança de pensar numa história e acreditar que ninguém vai se interessar por ela, ou que já foi contada. Além, é claro, da tietagem, das perguntinhas que tentar conectá-lo ao personagem, coisas do tipo.

No fim, aquele povo todo elegante, caminhando pelas ruas a caminho de restaurantes, ou do metro, Toronto fervendo numa noite de terça-feira.

blog-saoirse riNo dia seguinte a sessão era mais comum, do diretor Kevin MacDonald, com os atores Saiorse Ronan e George Mackay como os protagonistas desse romance no meio da Terceira Guerra Mundial. Um cinema menor (Bloor Hot Docs Cinema), longe do circuito central, ainda assim casa cheia.

Ao final da sessão o casal de atores aparece para perguntas, estrelas simpáticas e cativantes enquanto respondiam sobre seus personagens, o livro, as influencias do diretor e alguns aspectos como filmar em meio de florestas por algumas semanas.

blog-saoirseÉ o primeiro grande papel de Mackay, meio acanhado na frente do público, já Saiorse tem feito filmes de  grande envergadura, sempre trabalha bem em filmes ruins (infelizmente), e, ali, na frente de todos fica super à vontade, como se recebesse a todos na sala de sua casa.

blog-roy thomsomO terceiro capítulo foi a Gala Presentation de uma comédia dirigida por Joel Hopkins, com Emma Thompson e Pierce Brosnan. O cinema era o espetacular Roy Thomson Hall (foto acima), a sala reservada para as apresentações de gala, por isso, já deu para ter uma idéia do tamanho daquele lugar (2630 lugares), num misto de luxo e modernidade.

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Foi uma rápida apresentação, o diretor abriu com algumas palavras de agradecimento ao público. Brosnan é exatamente o que se espera dele: classe, elegancia, porte e simpatia. E Emma Thompson roubou a cena, entrou por último, aparetemente caiu saindo do backstage, e por isso desistiu do salto alto. Entrou descalça em um dos pés, causou tantas gargalhadas que ninguém sabe o que mais ela falou, o público já estava conquistado. Mais um pouco de risadas, e lá foi ela interpretando no palco a personagem do filme, aliás comédia pastelão (com P maiusculo).

PS: fotos de @crislumi

Looper (2012 – EUA)

Jamais imaginaria que Joseph Gordon-Levitt se tornaria estrela de filmes de ação, com seu corpo franzino e sua cara de bom menino. Mas, depois de dois ou três filmes do gênero, e pensando na escassez atual de astros para esse gênero, ele já entrou na turma. Looper são assassinos contratados para colocar fim à vida de pessoas trazidas do futuro. Num tempo que a viagem no tempo ainda não foi inventada, eles apenas recebem os corpos dos que serão “deletados” e fazem o serviço.

O quê de ficção científica não é tão explorado pelo diretor Rian Johnson que está mais preocupado em deixar a trama bem complicada e encontrar eficiência nas sequencias de ação. O jogo de gato e rato começa quando Joe (Gordon-Levitt) tem que tirar a vida, do homem que é, simplesmente, ele mesmo, 30 anos no futuro (Bruce Willis). A máfia atrás dele, seu eu, no futuro, em busca de uma maneira de se salvar, o ritmo e argumentos voce já conhece bem, e mesmo dentro dos clichês, o resultado do filme é animador, entretenimento com exageros aqui e ali.

The Dark Knight Rises (2012 – EUA) 

Nada na carreira de Christopher Nolan se compara, em grau de grandiosidade, com este terceiro capítulo da saga de Batman (dizem ser o último, mas ficaram tantas questões e possibilidades abertas que fica difícil acreditar que seja mesmo o fim). O tom é de definição, de eloquência, tudo é faraônico. A história recomeça oito anos após o filme anterior, Gotham City (imagino eu nunca foi tão assumidamente NY) se tornou uma cidade pacífica, Batman desapareceu (até por falta de necessidade), o ricaço Bruce Wayne vive recluso.

Intrigas político-economicas e um vilão bombado, Bane (Tom Hardy), são as armas de Nolan para retomar o caos em Gotham. Mas como disse, dessa vez a gradiosidade é ilimitável, guerra civil e explosões por cada canto da cidade são apenas algumas das artimanhas poderosas do filme. A verdade é que o filme tenta não perder o folego, nesse quesito o som (e a trilha) são fatais, criando situações-climax a torto e a direito (principalmente nas revelações finais). Parte do público nem se contém, tamanha vibração.

Ainda há espaço para a sensualidade com Anne Hathaway numa irresistível mulher-gato (por mais que nunca seja batizada assim), e também para sequencias dramáticas exageradas, carregadas, realmente fracas (e nisso, a comparação com o Coringa de Ledger torna ainda mais sofrível tais cenas. Marion Cotilard e Tom Hardy, coitados). O desfecho parecia perfeito, Nolan estava prestes a fazer um golaço, mas peca um pouco depois da explosão-crucial, cria história onde não precisaríamos e perde a oportunidade de fechar com coragem essa trilogia.

Um filme de super-herói que pretende ser “humano”, fora das possibilidades tecnológicas, que deseja acreditar em superação, em insistir no sombrio e apostar na moralidade, Nolan vai muito bem quando enlouquece com cenas de ação impressionantes, e se enrola nos meandros da história.

Inception (2010 – EUA) 

Incomoda a mania de tantos, carregados de preconceito, assistir ao filme, gostar, mas buscar, alucinantemente, por furos,e maneiras de criticar. Justificando, às vezes, o injustificável só porque é um filme com a assinatura de Christopher Nolan, e não podem “gostar” de seu tom de grandiosidade. Já disse que esse é o filme do ano, sim por sua qualidade, pelas possibilidades autorias de um Blockbusters, mas principalmente por esses sentimentos que ele sucita.

A arte de procurar furos no roteiro cega as possibilidade de enxergar um dos trabalhos mais inovadores de Hollywood. De tão intricado, audacioso e complexo, as explicações dadas pelo filme de Nolan podem terminam mal explicadas, ou inventadas, detalhes que quando captados demonstram absurdos. Registrado, pulemos isso tudo, de tempos em tempos, vem um filme que reinventa a exposição da imagem, o último talvez tenha sido Matrix (não Avatar não revolucionou tanto assim, pelo contrário aquilo está mais para videogame). A Origem não chega exatamente a inovar, ele vai além dos irmãos Wachowski, pela visão futurista de um plano imaginário (aqui no mundo dos sonhos e a possibilidade de mudá-los, e principalmente de inserir pensamentos e conceitos) e por todo o conceito visual que amplifica ambientes, que cria limites, que oferece visão tri-dimensional num filme 2D.

É a perfeição dos efeitos especiais a serviço de um filme (e não como razão da existencia do filme como muitas vezes acontece e me irrita profundamente). Um misto de drama romântico e ficção científica, que nos deixa sem fôlego por mais de duas horas. Um conjunto de cenas eletrizantes, ultra planejadas e bem dirigidas, atuações convincentes e aperfeiçoamento técnico invejável, formam a delirante história de sonhos dentro de sonhos. Essa lógica pode existir, apenas dentro de sua própria concepção, Nolan estabelece as regras do jogo e o público tem apenas que absorvê-las, e não acreditar que está diante de um jogo de quebra-cabeças a ser desvendado.

Outro ponto é a edição dinâmica, acelerada, as elipses que oferecem ainda mais dinamismo à narrativa. Discutir o filme, destrinchar toda a trama de sonhos, isso é tarefa para amigos na mesa de um bar, discutindo alucinadamente a lógica, os equívocos e as explicações que os detalhes não nos deixaram ver. A Origem é o filme do ano por trazer ao cinema parte do que gregos e troianos esperam, por mais que nem sempre os dois lados percebam, ou não queiram assumir.