Posts com Tag ‘Josh Brolin’

Hail, Caesar!Hail, Caesar! (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

A nova comédia dos Irmãos Coen é mais um filme sobre a indústria cinematográfica de Hollywood. Eles já foram muito bem sucedidos no tema com Barton Fink, mas dessa vez voltam muito mais irônicos numa espécie de provocação aos áureos anos 50 dos estúdios de cinema. É interessante como os Coen são capazes de reunir todas as suas características, como se fosse um breve resumo da carreira, englobando desde a série de comédias, até os personagens mais “interioranos” (Alden Ehrenreich como ator chulo de westerns é a melhor coisa do filme) e, como em outros de seus filmes, personagens sequestrados. Só a violência fria e calculada passa longe dessa vez, substituída por esse humor de deboche.

A trama central tem um executivo (Josh Brolin) responsável por fazer com que as filmagens funcionem. Ele trata dos egos das celebridades, acompanha dia-a-dia de orçamentos e filmagens, participa do casting, e usa métodos que forem necessários para tudo transcorra bem. Nesse dia, um dos astros (George Clooney) é sequestrado por um grupo Comunista.

Desse plot, os Coen criam uma série de coadjuvantes e subtramas, que funcionam como esquetes de humor. A somatório é irregular, mas tem seus momentos imperdíveis (como a curta cena com Frances McDormand ou a apresentação musical com Channing Tatum). O conjunto unificado das esquetes não dá um filme redondo, principalmente porque os personagens centrais (de Brolin e Clooney) soam frios à plateia, burocráticos dentro da narrativa. Além, é claro, que muitas das piadas ou inserções parece que funcionaram melhor na cabeça dos criadores do que em sua realização. O lançamento do filme, no Festival de Berlim, já era indício de que este seria um filme menos inspirado, afinal, os Coen teriam lugar garantido em Cannes, e mais ainda na corrida a qualquer Oscar.

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sicarioSicário (2015 – EUA/CAN) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Revelado ao mundo com Politécnica (sobre o massacre causado por um atirador numa escola canadense, ocorrido antes de Columbine), sua carreira deslanchou desde então, ainda que todos os filmes a seguir fossem de gosto duvidoso. Finalmente, este parece ser seu melhor filme, desde Politécnica, alguns dizem que é o True Detective do cinema. Não passa de um thriller competente, daqueles que Hollywood lança dezenas, todos os anos. O inexplicável hype em seu nome, e em seus filmes, é que catapulta este filme para níveis que não merece.

Policia americana combatendo o trafico no México, a especialista em sequestros (Emily Blunt) é recrutada por um esquadrão da polícia, liderado por Matt Graver (Josh Brolin), especializado em combater os chefões mexicanos, principalmente o misterioso Alejandro (Benicio Del Toro). Vender que a policia age de maneira suja para conseguir seus objetivos (os fins justificam os meios), parece ser um recado meio careta nos dias atuais. Sicario, no México, são matadores de aluguel. Por isso, restam a eficiência do filme policial que Villeneuve demonstra aqui, aliado às cenas de alta tecnologia como dos soldados americanos na guerra do Iraque, nada espetacular.

everesteEverest (2015 – Reino Unido) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É sabido que o monte Everest, mesmo sendo o mais alto do mundo, não é dos mais difíceis de se chegar ao cume. Também não é só chegar lá e caminhar um pouco. Gelo, altitude, mau tempo, testar os limites do corpo, o filme prova que se enveredar é coisa de maluco. Na década de 90, um desenfreado tráfego de turistas descobriram o Everest, até a tragédia de 1996. Dirigido por Baltasar Kormákur, o filme tenta reconstituir os fatos, envolto em sua pose de Blockbuster.

Dos belíssimos planos gerais dos picos cobertos de neve, a momentos de grande tensão por desfiladeiros, a narrativa é bastante eficiente na parte do entretenimento. Ao levantar questionamentos sobre imprensa, turismo desenfreado, irresponsabilidade humana, já acaba diluído pela didática. Porém, o subjetivo da relação Expectativa x resultado é algo inexplicável, e mesmo com o melodrama emotivo do final, a sensação que fica é que Evereste entrega o que promete, sem proteger os atores principais em papéis de mocinhos de salvação convicta. Dá ao público a dimensão do frio insuportável, do corpo levado ao limite, e do gostinho da adrenalina de enfrentar uma aventura desse porte.

vicioinerenteInherent Vice (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É como se Paul Thomas Anderson condensasse toda a parte descolada de sua carreira num único filme. Sua bastante fiel adaptação do livro homônimo de Thomas Pynchon é um noir multicolorido, e animado em sua trilha sonora, em permanente viagem de entorpecentes. Esse espírito captado por Anderson é tal qual o livro. A sensação de que o detevido “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix) vive em constante efeito de drogas, e outros alucinógenos, é a verdadeira linha narrativa utilizada por Pynchon e por Anderson.

O detetive se mete nas maiores confusões quando se envolve a investigar um pedido de sua ex, de gangues de motoqueiros nazistas, a um navio de contrabando, passando por um policial estranhíssimo, tudo é motivo para Doc “fumar um”. Este noir pós-moderno de Anderson carrega tons sexuais, o colorido dos hippies dos anos 70, e doses cavalares de humor por uma Califórnia extravagante e sensual.

Seguir todos os acontecimentos (tanto no filme, quanto no livro) se mostra uma perda de tempo, é impossível, é confuso, não deve mesmo fazer sentido nem na cabeça do autor. Talvez por isso consiga traduzir tão bem a essência dos anos 70, a malemolência, o suingue de quem coloca sua vida em risco e simplesmente ri de tudo a seguir. Anderson sai dos temas tão densos, da rigidez religiosa, para um clima de liberdade total, de descompromisso, o submundo do retrato da liberdade setentista.

Outros Filmes de Paul Thomas Anderson aqui na Toca: Jogada de Risco | Boogie Nights | Magnólia | Embriagado de Amor | Sangue Negro | O Mestre

Oldboy

Publicado: junho 24, 2014 em Cinema
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oldboyOldboy (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Sou daqueles sempre contra essa história de realizar remakes, a torto e a direito. Refilmar grandes filmes recentes, porque os americanos não assistem filmes estrangeiros, é um desserviço ao cinema, além de nunca resultar em nada além da cópia de uma ideia (fez bem Michael Haneke que em Violencia Gratuita redirigiu seu próprio filme, refazendo frame a frame).

Onde há Spike Lee na versão americana no clássico moderno coreano? Talvez apenas nos erros. Começando por transformar Joe Doucett (Josh Brolin) num alcoolatra, ou de contar a história dos EUA (nos últimos 20 anos) como se fosse a história do mundo, sempre olhando apenas para seu próprio umbigo.

Os elementos que fizeram Oldboy se tornar cult estão todos lá, desde o guarda-chuvas, até o bolinho chinês ou o martelo. Porém, os elementos apenas não conseguem representar nada se mal utilizados. Resultado é um filme sem vida, uma história de vingança e violência que perde todos os traços do estilo que Park Chan-wook cria com maestria em sua obra-prima.

Por mais que o roteiro faça várias pequenas alterações na história, principalmente no final (que termina sem o romantismo e o conceito oriental), são mudanças que apenas diluem o poder do formato do filme original. Outra prova que mais dinheiro não é nem capaz de reciclar ideias.

cacaaosgangsteresGangster Squad (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Los Angeles Cidade Proibida se tornou quase um clássico (mais recente) dos filmes de gangsteres, e desde então ninguém conseguiu superá-lo na guerra policia versus mafiosos. Até mesmo na quantidade de atores renomados (Sean Penn, Josh Brolin, Ryan Gosling, Emma Stone, Nick Nolte), o filme de Ruben Fleischer se assemelha. Pena que as coincidências parem por ai. Uma trama tossida rapidamente, personagens caricatos e atuações rasas, e a completa ausência de charme.

Realizar um filme na década de 40 e não resgatar o charme (da música, dos trajes, de tudo), é um pecado mortal e Fleischer nunca passa perto de acertar no tom. O que lhe resta? Um mero filme policial de tiros, escutas, e mocinhos tentando pegar os bandidos, baseando no livro de Paul Lieberman, sobre um mafioso de Los Angeles (Sean Penn) e um esquadrão da polícia, planejado para prendê-lo, fugindo dos métodos convencionais.

ohomemsemsombraHollow Man, 2000 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

É fascinante a idéia de tornar-se invisível, possuir a liberdade de agir sem que ninguém veja seus movimentos. Imagine os bens e o males que ocorreriam dessa possibilidade. Sebastian Caine (Kevin Bacon) é o jovem cientista obcecado pelo projeto do Pentágono de tornar seres humanos invisíveis. Extremamente excêntrico e arrogante, não é visto muito bem por sua equipe. Em sua equipe ainda trabalha sua antiga namorada (Elizabeth Shue), pela qual ele ainda é apaixonado, mas ela mantém um relacionamento secreto com outro membro da equipe, Matt (Josh Brolin).

Abre-se espaço para o roteiro, e com ele todos os clichês que se possa imaginar, da pressão por resultados até a atitude extrema de Caine testar em si a experiência, sem esquecer da transformação do cientista em vilão, cujo fascínio da invisibilidade toma conta de si. Verhoeven perde a mão, mesmo em suas obsessões mais marcantes. No Brasil, a cena do estupro da vizinha foi cortada, mas o desejo sexual desenfreado ganha espaço enquanto o filme vai se desenvolvendo sob situações fora de propósito, atrapalhadas, até se tornar um decepcionante terror juvenil sem graça.