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Compartimento No. 6

Publicado: outubro 25, 2021 em Cinema, Mostra SP
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Hytti nro 6 / Compartment No. 6 (2021 – FIN)

Vem da Finlândia um dos filmes mais inesperados do ano, Juho Kuosmanen já havia causado frisson com seu filme em preto e branco sobre o pugilista Olli Maki, agora ele coloca uma compatriota na russia, uma arqueóloga que mantém relacionamento com uma mulher mais velha. O filme começa no apartamento que dividem, em tom de despedida, a finlandesa está se preparando para uma viagem de trem, até o Artico, para conhecer algumas formações paleolíticas.

De cara se nota que a relação esá desgatada, que a viagem é praticamente um rompimento velado. No vagão-cama ela conhece um mineiro grosseiro, que  bebe álcool compulsivamente (sim, é proposital essa criação do homem russo clichê ao estrangeiro). O filme é sobre essa relação improvável, obtusa, a forma como Kuosmanen constrói da repulsa à intimidade, sem os clichês narrativos de uma comédia romântica. A construção é mais orgânica, afinal são dias e horas naquele vagão, outros passageiros compartilham com eles o espaço, os momentos de longas paradas em que caminham pelos lugares gélidos, o vagão-restaurante, tudo permite que a estranheza inicial vá se descontruindo num belo exercício do desabrochar de algo novo ante a solidão que os perseguia.

odiamaisfeliznavidadeoliimakiHymylevä Mies / The Happiest Day in the life of Olli Mäki (2016 – FIN) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Escolha da Finlândia à corrida pelo Oscar e eleito melhor filme da sempre prestigiosa seção Un Certain Regard, em Cannes, o filme dirigido por Juho Kuosmanen faz um pequeno recorte na vida de Olli Mäki. Ele foi o primeiro boxeador de seu país a disputar o título mundial de boxe, e exatamente neste momento especial de sua vida que a narrativa transcorre.

Década de 60, pequeno vilarejo no interior do país nórdico, Olli se apaixona poucas semanas antes de seu grande momento. No meio termo entre um romance de Woody Allen e um filme de boxe, Kuosmanen usa mais que elegantemente o preto e branco para reviver a época, transpirar o amor, e a luta pessoal do boxeador contra a balança. É facilmente compreensível que o filme seja reconhecido, essa mistura esporte violento e amor romântico oferece um toque especial que o cineasta sabe aproveitar. É outro filme contido e competente, mas que deixa de lado a superação clichê do cinema pela história mais simples e verossímil.