Posts com Tag ‘Julia Roberts’

albumdefamiliaAugust: Osage County (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Até tento não comparar, tratar apenas como mais um filme, mais uma história, mas quando surgem os comentários sobre a “veracidade” do drama familiar, como as famílias são tão cheias de problemas, mágoas e segredos. Como um filme onde a única pessoa “decente” é a índia que trabalha como doméstica, fico me questionando se é só a minha família que tem uma relação mais light, com seus problemas, mas muito longe desse mundo perverso onde ninguém presta.

O filme dirigido por John Wells, adaptação de uma peça de teatro escrita por Tracy Letts, segue esse caminho das imperfeições. O patriarca (Sam Shepard) desapareceu, as três filhas voltam com seus maridos, filhos, e problemas a conviver com a mãe (Meryl Streep com a mesma peruca de Cate Blanchett interpretava Bob Dylan) que sofre de câncer na boca. A reunião familiar é estopim, Wells filma guerras verbais em cada cômodo, basta transpassar outra porta para dar de cara com outro quebra pau.

Nesse mar de discussões e humilhações surgem alguns momentos engraçados, aquele humor provocativo costumeiro, mas a proposta é mesmo de jogar para baixo qualquer ser vivo que aparece por aquela casa. Não questiono nenhum dos dramas, mas o conjunto parece tão diabolicamente perpetuado para o propósito de desestruturar a instituição falida (família) que fica difícil dar crédito ao peso de interpretações tão carregadas (ok, Julia Roberts convence, Chris Cooper também, Streep dá outro show), ainda assim, parecem andorinhas isoladas que juntas não fazem nem um veranico sequer.

todosdizemeuteamoEveryone Says I Love You (1996 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Visto atualmente ele parece mais que um típico filme de Woody Allen, e sim um típico e atual filme do cineasta. Afinal, além do tom positivo, ele é filmado entre NYC, Paris e Veneza, quase um precursor dessa fase mais turista do diretor.

As inserções musicais, o humor padrão, o universo enorme de personagens e atores consagrados, as manias do personagem de sempre interpretado por Allen, está tudo ali. A trama principal sobre um romance nascido de uma falsa relação (o cara pega as dicas das lamentações da mulher na psicóloga e se mostra como o “homem dos sonhos”), divide muito espaço com os outros casais que se amam, se separam, vivem suas vidas de emoções. É Allen doce com o amor, vendo no brega a beleza, acreditando que nas aventuras que se tem certeza do amor.

pertodemaisCloser (2004 – EUA/RU) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

De um lado duas norte-americanas, de outro, dois ingleses, o palco é Londres. Paixões, infidelidades, jogos sexuais. Um tal de idas e vindas, trocas e re-trocas de casais, ao longo do tempo. Discutir relacionamento, expor desejos sem recriminação, saber detalhes sórdidos das relações, notar o momento em que o amor é pulverizado como pó. Sem contemporizar nesse jogo do amor, todos partem com o coração aberto despreparados para perder, as palavras variando entre o sincero e o dissimulado, porém sempre prontos para contra-atacar fulminantemente.

Em seu filme de estréia (Quem Tem Medo de Virginia Woolf?) Mike Nichols conduziu com primor os diálogos interpretados com maestria por Richard Burton e Elizabeth Taylor, diálogos que possuíam uma acidez vibrante, cada qual buscava desestabilizar moral-psicologicamente ao outro numa disputa torturante. Perto Demais sonha em alcançar algo parecido, é também adaptação de uma peça teatral e onde o filme anterior mais possuía méritos é que este peca vertiginosamente. Os diálogos mais parecem jograis ensaiados onde cada personagem tem na ponta da língua a resposta sem raciocinar muito. Numa falsa honestidade atingem um ao outro de maneira leviana, expondo sentimentos, e abusando de detalhamentos sexuais. Essa artificialidade passional quebra a credibilidade das palavras proferidas por cada personagem.

O filme é basicamente falado, e pouco sentido (emocionalmente), detalhes minuciosos dos casos extraconjugais são narrados pelos próprios amantes, nunca assistimos a estes momentos, o filme prefere que seus personagens narrem fatos causando a torturante sensação da imaginação. Imaginação essa desnecessária, já que de tão detalhados, pouco se tem a imaginar sobre cada momento. E a dor do traído, o possível arrependimento do traidor? Nada disso merece cuidado, talvez pelas preguiçosas e nada contundentes interpretações de Julia Roberts e Jude Law, talvez pela excessiva carga de personalidade dissimulada no quarteto. Se bem que Law consegue criar um lado de seu personagem, um tanto maquiavélico, mas ele não sabe amar em cena, a maior parte de suas aparições parecem comida de doente, sem sal.

Há cenas entre Natalie Portman e Clive Owen mais atrativas. Toda a seqüência no clube é vivida com efervescência, jorrando sensualidade por parte de Portman e libido por parte de Owen. O trabalho de câmera, o sincronismo entre os atores, nem parece o mesmo filme em que desfila a outra dupla superstar. Clive Owen é bruto, correto na excessiva carga rude de ser, Natalie Portman não só rouba o filme como convence sua vítima a não requerer o que foi roubado, espetacular dos pés a cabeça, do início ao filme, vai de frágil a fatal chegando ao vil sem a menor força.

ocasamentodomeumelhoramigoMy Best Friend’s Weeding (1997 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O auge da carreira de Julia Roberts nas comédias românticas. Já nasceu como novo clássico de um cinema de apelo popular fácil, de um público ávido por histórias que tenham romance e finais felizes. Um dos sinônimos do gênero, com todos os clichês possíveis e imaginários, sob direção de P. J. Hogan, mas poderia ter sido qualquer outro.

Jules (Julia Roberts) é uma crítica de culinária, não tem relacionamentos muito duradouros. Há nove anos, viveu um breve romance, de um mês, com Mike (Dermot Mulroney). Para variar não deu certo, mas nasceu uma forte amizade, que os anos consolidara. Não há segredos entre eles; ligações de madrugada são bem vindas, não importando o motivo. A quebra da barreiras da intimidade. Ao conversar com seu editor gay George (Rupert Everett), Jules recorda-se de uma promessa feita entre ela e Mike, de que caso eles chegassem aos vinte de oito anos, sem terem se casado com ninguém, eles ficariam juntos. A idéia agrada Jules, que começa a pensar mais seriamente nessa alternativa. Na mesma noite, Mike lhe telefona jogando um balde de água fria nos planos da amiga. Está de casamento marcado para o fim de semana, e a quer como madrinha.

A notícia abala Jules que resolve correr atrás de seu grande amor a qualquer custo. Ao conhecer a noiva (Cameron Diaz) linda, rica, compreensiva, apaixonada, dispara um belo resumo “Ela é irritantemente perfeita”. Eis a fácil tarefa de Jules: destruir o casamento e fazer seu amigo se apaixonar perdidamente por ela, num espaço curto de tempo. A trama já nasce de bases nada sólidas, tanta amizade e surge um casamento em 1 semana? E não para por ai, a química do casal não funciona bem, falta carisma para Dermot Mulroney no papel. Resta Julia Roberts, mesmo sendo uma vilã-romântica, conquistar o público, mantendo-o dividido entre torcer contra ou a favor. Auxiliada, é verdade, pelas aparições antológicas de Rupert Everett, principalmente na cena em que todos cantam I Say a Little Prayer, onde o clima festivo-amoroso transmite ao público essa pequena delicia mirabolante e água com açúcar.

apaixaodasuavidaBaja Oklahoma (1988 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Telefilme sobre o mundo country, com Julia Roberts em início de carreira. Daqueles contos de fada adultos sobre o sonho de ser artista em detrimento as dificuldades da vida comum. Juanita Hutchens (Lesley Ann Warren) é uma garçonete que mora com sua filha de 18 anos, Candy Hutchens (Julia Roberts), e que vive perseguindo o sonho de se tornar compositora de músicas country. Outro de seus dilemas é não encontrar um homem que combine com ela, vive sendo largada desde a juventude.

Volta à cidade Slick Henderson (Peter Coyote), namorado de Juanita há 20 anos, por conta do falecimento de seu pai. Ele (re) apaixona-se por Juanita e fará de tudo para conquistá-la. Uma espécie de amor e repulsa divide Juantita entre seus sentimentos e a lembrança de ter sido trocada por ele no passado. O experiente diretor de TV, Bobby Roth usa de todos os clichês possíveis. Tudo é óbvio, precário, desde as ações de Juanita, até a forma de ela conseguir emplacar um sucesso. Tudo cercado pela atmosfera country e as aparições de alguns astros do gênero como Willie Nelson.