O Plano de Maggie

oplanodemaggieMaggie’s Plan (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Agora é a vez de Rebecca Miller dirigir Greta Gerwig num tipo de papel que a atriz não tem cansado de se repetir. Porque nada mais é a Francês Ha (dos filmes de Noah Baumbach), só qué dirigido por Miller que tem notória carreira de personagens com tons femininos. Mas, a baixa originalidade não para por aí porque Ethan Hawke também traz tratos marcantes do Jesse (da trilogia de Richard Linklater) e assim temos esse estranho encontro impensável.

É a velha história do homem maduro, num casamento desgastado, que se encanta pela mulher jovial. Há também a questão de egos profissionais entre o casal (Juliane Moore), mas tudo isso são apenas elementos para complicar ainda mais a vida de nossa eterna atrapalhada heroína. Miller jamais deixará a zona de conforto que criou e brinca de desenvolver e e baralhar os três personagens enquanto tenta dar novos graus de amadurecimento a cada um deles.

Amor por Direito

amorpordireitoFreeheld (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Outro daqueles casos de bonitas e comoventes histórias que no cinema se tornam melodramas pegajosos. A aposta era alta com um elenco tão renomado, mas o filme dirigido pelo pouco conhecido Peter Sollet é apenas outro draminha para conquistar plateias fáceis.

A história é simples, clama por justiça quando um casal lésbico (Julianne Moore e Elen Page) compram briga com vereadores de um pequeno Condado pela igualdade de tratamento de pensão, quando uma deles está prestes a morrer de câncer. Cria-se um palanque onde os famosos atores tem suas aparições para defender a justiça, beirando um filme de tribunal. Enquanto isso, Moore se entrega ao trabalho de maquiagem que a deixa cada vez mais caquética. Não há nada de dramaturgia ou cinematográfico que se possa aproveitar, além da história que está sendo encenada.

Para Sempre Alice

parasemprealiceStill Alice (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Com muito atraso, mas finalmente chegou a vez de Julianne Moore. Não houve competidora para ela, no Oscar de melhor atriz, dessa vez, ganhou todos os planos da corrida do Oscar até a estatueta dorada. O filme? Bem o filme serve apenas a este proposito, fazer justiça com o trabalho errado.

A doutora em linguística, mãe de três jovens adultos, acometida precocemente de Alzhmeier, oferece a Moore todas as artimanhas cativantes à Academia. Explosões de emoção, momentos contidos, discursos emocionantes, o filme pode abusar dela, mas ela está sempre ali, correspondendo com o talento que vai da doçura ao ápice da dramaticidade.

No meio daquela coisa redonda e modorrenta, melodramática, que carrega sem dó da trilha que tenta emocionar o público mais fácil. É tudo hermeticamente preciso para ser rasteiro, emocionante, a breguice da dramaturgia. Os responsáveis por esse tom inofensivo são os diretores Richard Glatzer (que faleceu esta semana) e Wash Westmoreland, incapazes de aproveitar o ótimo elenco (não faltam oportunidades tendo Kristen Stewart como filha rebelde, e Alec Baldwin como marido). Mas não, eles preferem o draminha barato, a emoção na medida doce.

Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1

jogosvorazes3aesperancaThe Hunger Games: Mockinjay – Part 1 (2014 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O terceiro capítulo da saga começa decapitando a atmosfera envolvente do filme anterior. Aquele era o grande momento da série, o mundo dos reality shows convergendo na ascenção da luta de classe, o povo clamando contra as injustiças e tendo sua líder como fonte de inspiração. O novo filme (cujo livro foi dividido em 2 partes) já traz a nova configuração política: guerra civil. Surge um aparelhamento bélico imenso por parte dos revolucionários, uma presidente tirana (Julianne Moore), traidores do governo do presidente Snow (Donald Sutherland), as cartas jogadas à mesa.

Não há história que sustente as 2 horas de explosões e dramalhões vividos por Katniss (Jennifer Lawrence). O pano de fundo é o poder manipulador da propaganda, de um lado ela, de outro Peeta (John Hutcherson), sequestrado e usado como vitrine para a propaganda do governo. Entre eles, a vulgaridade do filme-frankestein que precisa se tornar independente, quando é apenas parte de um todo, que se tornou apenas um pedaço torto de bolo e deveria alimentar uma família. O roteiro tenta engatar a premissa da tirania entre os dois lados, de uma heroína movida por seus ideais e laços afetivos, fica mesmo com o desengonçado, lento demais de sua hora inicial, e explosões demais no restante.

Mapa para as Estrelas

kinopoisk.ruMaps to the Stars (2014 – CAN/EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Fico imaginando como teria sido recebido o novo filme de David Cronenberg nas mansões de Hollywood. Tanta gente da indústria citada nominalmente, ou representada, por esse veneno corrosivo do cineasta que traz as estranhices para próximo do público. Seu novo filme não perdoa nada da capital do cinema americano, da hipocrisia das relações sociais, aos devaneios emocionais e promiscuidades sexuais.

Adolescentes dependentes químicos, pessoas desequilibradas e violentas, relacionamentos quebradiços, aspirantes da indústria de cinema que trabalham servindo aos ricaços. Cronenberg é incisivo, cruel. Seu filme é irregular, de formas geométricas imperfeitas. Obtuso e perturbado.

Julianne Moore vive a atriz em crise, desesperada por entrar no filme que sua mãe atuou (décadas atrás), e apresenta todos os desequilíbrios emocionais que podemos imaginar. John Cusack é o terapeuta das estrelas, seu filho (Evan Bird) é o problemático astro adolescente, alcoolatra, dependente químico. A família tem membros ainda mais transloucados. Nesse tabuleiro que Cronenberg brinca de relacionar os demais personagens, do motorista de limousines (Robert Pattison, novamente nesses carrões num filme de Cronenberg), a misteriosa garota de luvas (Mia Wasikowska), a mãe fragilizada (Olivia Williams).

É a desglamourização de Hollywood baseada em suas próprias necessidades de construção. Festas, vaidade, esquisitices, dinheiro farto, poder. Cronenberg não lida com os temas, ele os expõe impiedosamente, demonstrando podridão onde tenta se vender glamour. Loucura onde deveria ser o mundo dos sonhos. Nos entrega um mapa cruel, nefasto

Sem Escalas

semescalasNon-Stop (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

 

Para vender a trama, o herói é quase transformado em vilão, também nasce um projeto de romance (com Julianne Moore), e uma espantosa de capacidade de criar situações cuja realidade só cabe dentro do próprio filme. É uma festa, Liam Neeson pinta e borda, a gravidade parece estar sempre ao seu favor, por mais que o mundo esteja contra ele. Praticamente uma aula de investigação, com o peso do mundo sob suas costas, dentro de um avião voando pelo Atlântico, tiros e bomba-relógio,lutas de faca, traições, ocorre de tudo.

Apesar desse exagero o thriller de Jaume Collet-Serra é bem eficiente. Uma série de assassinatos ocorrendo a cada 20 minutos, dentro daquele avião, e o filme consegue esconder o engenhoso serial killer até os momentos finais. Um roteiro enxuto e bem tramado dessa forma não é tão fácil de ser encontrado. Tirando isso, o que resta? Um herói típico (Liam Neeson) e algumas peripécias absurdas.

Psicose

psicosePsycho (1998 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Adaptar um clássico de Alfred Hitchcock, onde estava Gus Van Sant com a cabeça para realizar esse remake? O filme apanha(ou) da crítica adoidado, mas seu problema está longe de sua execução em si. O grande erro/equívoco/incomodo é que Psicose (e outros filmes dessa estirpe) nunca deveria ser refilmados, simplesmente não, e pronto. Não há razão, não há o que atualizar, o filme é um clássico, atemporal, e pronto. Por melhor que fosse, qualquer remake simplesmente não tem razão de existir.

Porque, afinal, Gus Van Sant, repete a história direitinho, coloca seus enquadramentos aqui e ali, os personagens – agora à cores, e, dessa forma, a cena do grito mais famoso do cinema perde um pouco de impacto – um pouco caricatos, mas nada que pudesse incomodar. É um remake correto, parece feito por encomenda.

O clima de suspense está lá, mas nada comparado ao original, afinal, quem não o viu ainda? Julianne Moore, Vince Vaugh, Anne Heche, e outras estrelas, estão ali, para abrilhantar um projeto que nasceu furado, por mais que não seja nada desagradável de assistir.