Posts com Tag ‘Juliano Cazarré’

boineonBoi Neon (2015) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza 

Gabriel Mascaro segue os rumos, inclusive no sucesso internacional, de seu filme anterior, Ventos de Agosto. Segue porque há continuidade no ritmo narrativo, e no retratar personagens do nordeste brasileiro pincelando personagens na multidão. Desse modo, ele dá voz diferenciada a tipos, até comuns, que no cinema são capazes de oferecer esse olhar singular. As Vaquejadas ainda são traços de uma cultura enraizada pelo nordeste agrário. Sob as lentes desnudantes de Mascaro, acompanhamos um pequeno recorte de um grupo trabalhando nos espetáculos da Vaquejada.

Galega (Maeve Jenkings) é a motorista do caminhão da boiada, num ambiente tão masculino, ela carrega consigo a filha adolescente, e mantem-se em pé de igualdade, ainda que encontrem espaço para extrapolar a feminilidade em seus shows secretos de stripper. Iremar (Juliano Cazarré) é um dos responsáveis por tratar dos bois, pisa muito em bosta para que estejam nos trinques para a aparição ao público. Enquanto isso mantém a chama vida de seu sonho de ser estilista de moda feminina. Sim, temos a troca de papéis que facilmente soa com naturalidade sem estereótipos contra seus gêneros sexuais.

O diretor explora muito do ambiente, aproveitando toda a horizontalidade da extensão da tela. Expõe corpos com naturalidade impressionante enquanto, novamente, coloca-se numa posição passiva de observar, sem interferências. Cria assim um estilo próprio que dialoga com seus primeiros trabalhos como documentarista (Domésticas), ainda que resulte em menor envolvimento com parcela considerável do público. Trabalha praticamente na ausência de sentimentos, ainda que exale suor, tensão e essa constante presença física a cada plano.

afestadameninamortaA Festa da Menina Morta (2008) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Rapidamente, Matheus Nachtergaele se colocou como um dos ícones, da melhor safra, do cinema nacional mais recente. De filmes populares a outros “mais artísticos”, o ator esteve presente, e com, 2-3 outros atores, se tornou sinonimo de cinema nacional. Sua única experiência na direção, onde até em Cannes foi parar, me parece ter sido o último prego no caixão que as novelas colocaram no caixão da carreira cinematográfica.

Nachtergaele viaja à região amazônica, adaptando alguma crença que por lá encontrou, de um figura carismática (Santinho – Daniel de Oliveira) que teria visões após a morte de sua irmã. O filme irregular desmascara a figura mimada, egoísta e adorado por um povo apto por acreditar em símbolos religiosos. Nachtergaele não escapa da caricatura que o próprio cria a seu personagem principal, entre os trejeitos homossexuais e o destempero das revelações pessoais às vésperas da festa de vinte anos da menina morta.