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The Tree (2010 – AUS/FRA)

A felicidade do casal e seus quatro filhos, morando numa casa deliciosa numa pequena região na Austrália cujo no quintal há uma árvore gigante e centenária, é realmente de dar gosto. Eles vivem bem, ela cuida dos filhos, ele trabalha, as crianças se divertem, tudo certo até que uma tragédia inesperada leva o pai dessa família. Casa desestabilizada, a esposa (Charlotte Gainsbourg) precisa se recompor, começar a trabalhar, dar prumo para que os filhos se reergam. A filha de oito anos passa a acreditar que pode conversar com o pai por meio da árvore, a mãe divide com ela esse segredo, e dessa relação paternal estabelece-se problemas de comportamento, a difícil relação com um novo namorado para mãe e etc. É uma nova saga de família, dessa vez pelas mãos de Julie Bertucelli ganha contornos delicados, e uma presença constante e devastadora da natureza que é chave central nos conflitos dessa história (principalmente na sequência final eletrizante da passagem do furacão).

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desdequeotarpartiuDepuis qu’Otar Wst Parti… (2003 – FRA/BEL) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O argumento já vem carregado de denúncia. Um médico deixar a capital de seu país, para trabalhar como imigrante ilegal, em qualquer outro lugar (no caso específico na construção civil), é um grande sinal de que as coisas não caminham de maneira sadia (economicamente falando). É essa a situação que se encontra o filho de Eka (Esther Gorintin), o Otar do título.

A principal alegria na vida dessa mãe é receber telefonemas ou cartas de seu filho, além do dinheirinho que ele sempre manda. Eis que a repentina notícia da morte do irmão pega Marina (Nino Khomasuridze) e sua filha Ada (Dinara Drukarova) desprevenidas. Preocupadas com a saúde de Eka, as duas pactuam por omitir a verdade da matriarca. A velha não desconfia de nada, mesmo estranhando a falta de ligações. Continua a receber cartas do filho e aparentemente isso basta. Nesse meio tempo o roteiro aproveita para atribuir particularidades a essa família, normalmente as situações advêm de crises entre Eka e a filha. São pequenas brigas, Marina procura receber a mesma atenção que Eka dá a Otar, morre de ciúmes sem dar o braço a torcer. A situação é incomodamente falsa, longe do crível imaginar que a morte do filho fosse sustentada, por tanto tempo, por uma família.

Julie Bertucelli estréia na direção, e sua preocupação em não cair para as facilidades do melodrama podaram sua possibilidade de ousar, causando ao filme um tradicionalismo chato e uma sensação de andar em círculos intermináveis. Se bem que, o final, guarda agradáveis surpresas, revigorando a história. A simpática velhinha Esther Gorintin atrai o público com sua atuação equilibrada, com a idade que pode ser medida em cada olhar profundo, cheio de passado.

Voltemos ao tema da denúncia citado no início, Tbilisi é a capital da Geórgia (um dos países que formavam a antiga URSS) e como pano de fundo Bertucelli exibe a situação a qual passa a população. Água e energia elétrica faltam a todo o momento, emprego é coisa rara. Os jovens, sem perspectivas, preferem arriscar a sorte, e atravessar fronteiras para chegar a países como a França. Não são os únicos, diplomados também buscam novas perspectivas. Carros tornam-se motéis improvisados em plena luz do dia. Aos que ficam, resta desfazer-se dos pertences para custear a sobrevivência familiar. Nessa outra faceta do filme ,Julie Bertucelli oferece ao público pontos de reflexão, transforma suas três protagonistas, de gerações distintas, numa eficiente metáfora sobre passado e presente econômicos do país.