Posts com Tag ‘Julie Delpy’

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Grande notícia que o filme brasileiro Hoje Eu Quero Dormir Sozinho, dirigido por Daniel Ribeiro, ganhou o Teddy Awards e o prêmio FIPRESCI na mostra Panorama [Indiewire]

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• e como os Legos estão no cinema, nada melhor que uma versão-Lego dos indicados a Melhor Filme no Oscar [Revista Exame]

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antes_da_meia_noiteBefore Midnight (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Foram mais nove anos de espera sobre o “o que teria ocorrido em Paris com Celine (Julie Delpy) e Jesse (Ethaw Hawke)?” Na Grécia a resposta. O olhar de Richard Linklater continua leve sobre os personagens, acompanhando os dois em conversas durante caminhadas ou dentro de um carro (longa cena sem cortes).

Sobretudo um filme sobre o amor, de uma forma pé-no-chão, como se a maturidade tivesse finalmente chegado aos corações dos dois (nos outros filmes o amor era mais romântico, já os temas debatidos com certo grau de maturidade). Crises, inseguranças, dúvidas, todo o misto de choque de emoções estão presentes nessa longa história de idas e vindas, Celine e Jesse são como nós, um casal de altos e baixos. E adoram argumentar, defendem e atacam, e nisso o texto e o ritmo dos diálogos vão além do maravilhoso, atingem o real.

Nada pode ser mais real do que insinuações, divididas com questões do dia-a-dia, permeadas pela beleza de um local paradisíaco, enquanto falam de trabalho e sexo (e como falam de sexo).  Chega um ponto em que a relação de Celine e Jesse se dissocia de qualquer relação que o público já tenha vivido, por outro lado ela é cada vez mais possível e presente nas memórias e experiências de cada um. Porque eles não passam de pessoas, com individualidades, opiniões, e corações transbordando de emoção. Eles são de carne e osso, amam e brigam e tem dúvidas como nós, são a própria representação de um casal idealizado por uma geração, se filmarem 50 filmes nos emocionaremos 50 vezes.

2 Dias em Nova York

Publicado: novembro 21, 2012 em Cinema
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2 Days in New York (2012 – FRA/ALE) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

 

Nossa queridinha Julie Delpy não se contentou em errar. Foi persistir errando, ao contar a segunda parte da história de Marion (a própria atriz/diretora). Dessa vez, ela foi morar nos EUA, com seu novo namorado (Chris Rock). Cada um deles com seu filho do relacionamento anterior.

O casal aguarda ansioso a visita da família (francesa) de Marion. E este é o mote para outro mar de piadas (de humor duvidoso) entre as diferenças entre franceses e americanos. Principalmente na dificuldade de se comunicar devido ao idioma. O filme vive do exagero no tom do humor, com personagens completamente incapazes de um convívio social harmônico. Falta a todos aquele popular “simancol”. Uma pitadinha de bom-senso. Julie Delpy tenta nos convencer de que é possível a existência de pessoas assim. Infelizmente não atinge o alvo. Se o anterior era fraco, o novo fica entre o horrível e o totalmente desnecessário.

King Lear (1987 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Um descendente de Shakespeare decide reescrever as obras do dramaturgo, no mundo pós acidente de Chernobyl, eis a releitura proposta por Jean-Luc Godard a Rei Lear. Nessa caótica criação, Godard propõe a discussão sobre o intuito da arte, o que é exatamente a arte e se ela faz sentido num mundo cheio de destruição e riscos nucleares?

Entre gangsteres, autores de teatro arrogantes, e esse aprendiz de dramaturgo, que tudo observa, numa viagem de navio, nascem: questionamentos, pequenos ensaios críticos que ao invés de respostas trarão mais perguntas. Esse é o mundo de Godard, querendo polemizar, pedindo revisões constantes porque nossa cabeça muda com o tempo e assim percepções e objetivos, buscando no caótico uma nova forma de raciocinar, e depois deixando esse material bruto nas mãos de um tal Mr. Alien (Woody Allen) para editar essa tentativa de recuperar a arte perdida com Chernobyl.

2 Days in Paris (2007 – FRA/EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Ele, norte-americano. Ela, francesa. De férias, o casal aproveita para voltar a Paris, a fim de conhecer a família da moça. Alguns dias de estadia, entre os clichês comportamentais franceses, e parte da realidade violenta da cidade, são até que contornáveis para Jack. Os problemas começam ao conhecer a família, e principalmente os ex-namorados da parceira.

Julie Delpy dirige buscando algo que aprendeu, e praticou, nos filmes de Linklater, porém exagera na dose das situações, abusando demais do inferno que a vida de Jack (o excelente Adam Goldberg) se transforma. Chega a ser decepcionante, Delpy trata da questão do ciúmes, e particularmente a relação tênue que mantemos com as antigas experiências amorosas-sexuais de nossos parceiros, pena que extrapola limites.

aigualdadeebrancaTrois Couleurs: Blanc (1994 – FRA/POL)  estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Não guarda a mesma genialidade de seu antecessor. Aquela efervescência que exalava de cada cena, de cada detalhe, passam levemente distantes dessa vez. Nessa segunda parte da trilogia das cores, representando a cor do meio da bandeira da França, Krzysztof Kiéslowski leva a ferro o conceito de igualdade. Trata de forma crua, rude, a igualdade sob forma de vingança. É um filme mais seco,  e com alguns detalhes que parecem desconexos. Basicamente narra a desolação de um cabeleireiro polonês, morando em Paris, que é pego de surpresa ao ser intimado pelo judiciário para tratar de seu divórcio. A esposa é francesa (Julie Delpy) e alega que o casamento nunca foi consumado, e ele não pode negar que não seja verdade, por mais amor que sinta por ela.

Dominique arquitetou minuciosamente seu plano, para ficar com todos os bens do casal. Karol é totalmente surpreendido, acaba na rua da amargura, tendo que se virar para voltar para a Polônia e recomeçar sua vida. Mesmo tomado de amor, ele deseja vingança, está exposto ao princípio de igualdade que tanto Kiéslowski queria. Numa cena crucial Dominique reclama que mesmo que ela diga que o ama, ele não entende (problemas com o idioma), trata-se de um momento forte, duro, ainda que distante da beleza que a cena final nos guarda, do que se verá atrás dos binóculos.

antesdopordosolBefore Sunset (2004 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Dessa vez Paris é o palco para o reencontro de Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy). O casal que encantou plateias, num romance de um único dia, em Antes do Amanhecer volta às telas após nove anos. Ávidos questionamentos não faltam: o que houve após esses nove anos? Houve o reencontro após 6 meses? Estão juntos ou não? Foram feitos um para o outro? Finalmente as lacunas podem ser preenchidas nesse novo capítulo de um dos casais mais carismáticos do cinema americano.

Richard Linklater e os dois protagonistas se trancaram num hotel por duas semanas, o roteiro foi escrito a seis mãos, tamanho o envolvimento e grau de conhecimento de Hawke e Delpy sobre seus personagens. O clima de amor romântico adolescente é substituído por algo mais maduro. O peso dos anos está inserido em cada diálogo, isso não quer dizer que sedução, desejo, e aquela coisa do coração bater acelerado não façam parte de um conjunto de emoções em plena erupção. Celine e Jesse caminham por Paris, no final de tarde, a cidade se mistura com o diálogo de quase noventa minutos. Os nove anos resumidos em poucos minutos, o maior mérito é trazer maturidade à história, saber pincelar o confronto verbal onde tudo deve parecer real e ao mesmo tempo envolvente. Trabalho, política, desilusões amorosas, o amor tão fugaz e traiçoeiro. Celine e Jesse são politizados, cheios de opinião, tipicamente francesa e americano (respectivamente), mas com uma congruência fundamental que vai do humor até a sensação reconfortante de ter ao lado quem se admira.

antesdopordosol2Uma explosão de emoção dentro de um carro, o pôr do sol navegando pelo rio Sena, um gato fofo e um apartamento irresistível, uma valsa e uma imitação de Nina Simone. Está posta uma das mais fabulosas e românticas sequencias da história do cinema. O coração parece bater junto com o deles, Hawke e Delpy são insubstituíveis, não haveria filme sem eles. Parecem vibrar o que os personagens vivem. O avião está prestes a partir, mas há momentos únicos na vida, que devem ser apreciados a seu tempo, e Linklater foi capaz de nos oferecer um, como se tivéssemos vivido. Normalmente nos sentimentos tão pequenos como plateia, mas nesse filme a sensação é de sermos tão grandes, testemunhas oculares de momentos tão íntimos e deliciosos. Rever esse filme é uma missão obrigatória, um capricho exuberante.