Posts com Tag ‘Julieta Serrano’

mulheresabeiradeumataquedenervosMujeres al Borde de un Ataque de Nervios (1988 – ESP) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Com um título desses, duas conclusões são certeiras, trata-se de uma amalucada comédia e a culpa dessa histeria feminina deve s referir a algum homem. Bingo, minhas duas impressões estão corretíssimas, Pedro Almodóvar tece um emaranhado tão complexo, e tão cheio de coincidências, que fica difícil tentar separar um personagem de outro. Uma rede dos mais esquisitos tipos, dos mais diferentes desejos, se encontrando num mesmo apartamento. O filme marca o fim da fase de comédias de Almodóvar, a seguir veria sua fase mais prolífica, seus melhores dramas. Curioso como o cineasta espanhol deu essa guinada, em sua carreira, no exato momento que acertou em cheio. Até aquele momento era seu grande filme, sedimentando de vez sua carreira internacional.

Pepa (Carmen Maura) está desesperada para reencontrar seu amante que acaba de deixá-la, passa o dia entre telefonemas e visitas a possíveis paradeiros de Ivan. Sua amiga Candela se envolveu com terroristas xiitas. A ex-esposa de Ivan vive um amor obsessivo, o quer de volta a todo custo. Seu filho procura um apartamento, com sua antipática noiva. Como se pôde perceber, cada uma dessas mulheres vive conflitos amorosos. Desesperadas, perderam a noção da compostura, esqueceram a linha, movidas por seus objetivos.

É um Almodóvar completamente alucinado, reunindo tipos, aprontando mil. Uma mulher tenta pular pela janela, outra coloca fogo na própria cama, e um simples gazpacho torna-se peça chave nessa trama deliciosamente rocambolescas e com leves doses de suspense. Um roteiro genial, e delicioso, onde Almodóvar solta sua imaginação. Quando mulheres estão à beira de um ataque de nervos (Carmen Maura é a mais completa tradução desse momento), e colocam suas garras de mostra, é melhor deixar que elas se entendam.

maushabitosEntre Tinieblas (1983 – ESP) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Já no início de carreira Pedro Almodóvar evidenciava sua enorme indisposição com a igreja Católica ao satirizar a figura “sagrada” das freiras e seu puritanismo. O bizarro, o extravagante, tão característicos em sua filmografia, tornam até incrédulo o que nossos olhos veem. Em tom de comédia caricata, um convento de freiras (Redentoras Humilhadas) abriga mulheres pecadoras e as auxilia a se livrar da vida de perdição.

As freiras que ali vivem foram salvas no passado: viciadas em drogas, assassinas, traficantes. Convertidas, vivem entre a vida de penitencia e os prazeres que as levaram a se refugiar no convento. Na rotina diária, entre cuidar da horta, das galinhas e coelhos, rezar e cumprir penitencia, hábitos antigos como consumir heroína, cocaína, viver o amor, até costurar o luxo permanecem enraizados.

O convento está à veira da falência, mas a rotina diária ganha novo vigor quando as freiras abrigam uma cantora de cabaré que viu seu namorado morrer de overdose. Sua chegada ocorre nesse momento crucial, onde cada um das freiras parece vier um momento definitivo, entre esquisitices e a crticai contundente, Almodovar unificava sua predileção por personagens femininas e seu íntimo desejo de expressão artística.