Posts com Tag ‘Juliette Lewis’

albumdefamiliaAugust: Osage County (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Até tento não comparar, tratar apenas como mais um filme, mais uma história, mas quando surgem os comentários sobre a “veracidade” do drama familiar, como as famílias são tão cheias de problemas, mágoas e segredos. Como um filme onde a única pessoa “decente” é a índia que trabalha como doméstica, fico me questionando se é só a minha família que tem uma relação mais light, com seus problemas, mas muito longe desse mundo perverso onde ninguém presta.

O filme dirigido por John Wells, adaptação de uma peça de teatro escrita por Tracy Letts, segue esse caminho das imperfeições. O patriarca (Sam Shepard) desapareceu, as três filhas voltam com seus maridos, filhos, e problemas a conviver com a mãe (Meryl Streep com a mesma peruca de Cate Blanchett interpretava Bob Dylan) que sofre de câncer na boca. A reunião familiar é estopim, Wells filma guerras verbais em cada cômodo, basta transpassar outra porta para dar de cara com outro quebra pau.

Nesse mar de discussões e humilhações surgem alguns momentos engraçados, aquele humor provocativo costumeiro, mas a proposta é mesmo de jogar para baixo qualquer ser vivo que aparece por aquela casa. Não questiono nenhum dos dramas, mas o conjunto parece tão diabolicamente perpetuado para o propósito de desestruturar a instituição falida (família) que fica difícil dar crédito ao peso de interpretações tão carregadas (ok, Julia Roberts convence, Chris Cooper também, Streep dá outro show), ainda assim, parecem andorinhas isoladas que juntas não fazem nem um veranico sequer.

Anúncios

Cape Fear (1991 – EUA) 

Max Cady (Robert De Niro) foi preso por estupro e agressão, passou quatorze anos num e lá, autodidata, se tornou culto e seu próprio advogado. Na época em que foi julgado, o defensor público de seu caso foi Sam Bowden (Nick Nolte), cujo comportamento não foi exatamente condizente ao seu juramento, uma espécie de pré-julgamento de seu cliente. Sedento por vingança, Max dá início a um jogo psicótico de perseguição e ameaça à Sam e sua familia (esposa e filha adolescente.

Era um projeto bem pessoal de Robert DeNiro, que Steven Spielberg iria dirigir, mas por conflitos na agenda, a dupla convenceu a Martin Scorsese a encabeçar esse remake de Círculo do Medo. Scorsese imprime seu jeito autoral, com apreço pela violência, enquanto busca recriar a narrativa e o clima do cinema de gênero dos anos 60. É curioso a linguagem, os cortes secos nos close-ups, a trilha sonora. Por outro lado, o suspense que transforma o vilão num supervilão indestrutível, sempre um passo à frente, chega até ultrapassar o exagero (que o dia a sequencia no barco).

Ainda assim, há muitos destaque no filme, da interpretação visceral de DeNiro, passando pela estreia de Juliette Lewis no cinema como a Lolita que entra no jogo erótico com o estuprador, mas também essa construção do advogado que busca em atitudes nada ortodoxas uma maneira de se defender, um lado vilão despertado que coloca em discussão o quanto somos corretos sob pressão.

maridoseesposasHusbands and Wives (1992 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Woody Allen apresenta um formato diferente de seus filmes, um falso documentário sobre matrimônios, apontando problemas mais reais dos casamentos atuais. As inseguranças expostas sem julgamentos, os fatos são contados sem a busca pelo dono da razão. Maridos e esposas é divertido por ser tão real. E essa sensação de veracidade é intensificada pela câmera na mão, as tomadas tremidas. Dizem as más línguas que muitas das situações narradas foram vividas por Woody Allen, em seu casamento com Mia Farrow.

O filme começa com um longo plano-sequencia, câmera na mão, a imagem é mio suja e os personagens e objetos atrapalham um pouco a cena. Nessa cena estão os casais Gabe Roth (Woody Allen) e Judy Roth (Mia Farrow), e Jack (Sydney Pollack) e Sally (Judy Davis). São muito próximos, mas aquele encontro é para informar que Jack e Sally estão em processo de divórcio. A informação pega o outro casal de surpresa, causa estranheza.

A partir daí, o filme é narrado por depoimentos dos quatro, respondendo perguntas de um entrevistador, relembrando fatos. Tais depoimentos servem para resgatar todos os tipos de problemas comuns em matrimônios, como crises entre os casais, a atração dos homens por mulheres mais jovens, a busca de mulheres por outros amores, a briga entre ex-casados. Tudo tratado de maneira simples, em diálogos bem elaborados. E como na vida, o vai e vem leva cada um destes personagens ao seu rumo, cada qual com suas características e diferenças em personalidades. E seguem rumos que muitas vezes ninguém imaginaria. Traições, flertes, vidas amorosas expostas num belo filme de Woody Allen.