Posts com Tag ‘Julio Andrade’

redemoinhoRedemoinho (2016) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Parte do reencontro inesperado de dois amigos de infância, Luzimar (Irandhir Santos) e Gildo (Júlio Andrade), na véspera de Natal, para se tornar quase uma sessão de terapia entre lembranças, traumas, e o renegado passado voltando à tona. Cataguases, cidade onde o cinema brasileiro cresceu com Humberto Mauro e outros, é o palco para o filme dirigido por José Luiz Villamarim, que aliás surge como grata surpresa, direção sóbria do estreante em cinema, mas já bem experiente diretor de novelas da Globo.

Até por seu currículo televisivo, surpreende como Villamarim sai da narrativa padrão. Explora localidades da cidade ou cômodos das casas, sempre com enquandramentos inusitados, fugindo totalmente dessa linguagem dita como “mais comercial”. Utiliza muito bem sombras, a escuridão, planos mais abertos ou fechados. Mantém as rédeas de um filme pequeno, focado em criar a atmosfera de uma panela de pressão prestes a estourar. Sentimentos e diálogos velados, a amizade de outrora que esbarra no tempo de distância, além, é claro dos fantasmas que após algumas horas e cervejas, vem assombrar a amizade. O final pode não entregar tudo que a expectativa possa ter criado, ainda assim não diminui o trabalho de Villarim, de Walter Carvalho na fotografia, e do ótimo grupo de atores.

 

 

Obra

Publicado: agosto 24, 2015 em Cinema
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obraObra (2014) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O passado, que carrega a trama, vem desde a arquitetura do centro de São Paulo até as nebulosas relações familiares que o filme nega desenvolvimento. O preto e branco da fotografia capta o cimento e as luzes, enquanto dá nova vida às edificações paulistanas. Nesse tom sólido, de planos bonitos, mas que pecam pela falta de humildades, o diretor Gregório Graziosi desenvolve a história da crise de vida do arquiteto (Irandhir Santos), entre a gravidez da esposa e a obra no terreno da família.

As falam são quase vestígios, normalmente transformadas em monólogos sem resposta, o tom solene prefere esquivar-se do mais óbvio, o desenvolvimento das relações humanas, do passado estampado na ossada encontrada em meio aos alicerces da obra. Enquanto o filme bebe dessa eloquência por planos “perfeitos”, que algumas vezes pouco acrescentam ao todo, padece da baixa naturalidade e de trazer símbolos que não se materializam como fio condutor que se almejava (a hérnia hereditária, por exemplo).

naoparenapistaNão Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho (2014) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Uma cinebiografia sobre Paulo Coelho, feita para Paulo Coelho. Dos personagens atuais, o escritor brasileiro (dos autores vivos é oque foi mais traduzido que Shakespeare) é uma das personalidades com maior potencial para atrair atenção, dada a quantidade de fãs ao redor do mundo. A oportunidade de um filme interessante, cobrindo as fases e mutações do maluco, se desperdiça pela presença maciça do Paulo Coelho de hoje, um espectro de autoajuda do radicalista de outrora.

A história foca em duas fases, a do filho rebelde (Ravel Andrade) x pai opressor, e nos dis atuais (Júlio Andrade) e as angustias de um homem de sucesso, em busca, novamente de seu caminho. O filme dirigido por Daniel Augusto tenta dar cabo de todos os universos e mulheres da vida de Paulo Coelho, passam como um meteoro as relações com o místico, sociedades secretas, a fase maluco beleza com drogas, e até a parceria com Raul Seixas (Lucci Ferreira), que de longe é o que mais interessante se apresenta.

Sobra muito do que Paulo Coelho quer apresentar, um velhote aventureiro, um adolescente feio e rejeitado sonhando em ser escritor. E, as barreiras impostos para perseguir seu sonho. Talvez o filme dialogue mais com seu momento atual na carreira de escritor, seus livros que encontram numa autoajuda silenciosa o preenchimento do ego de alguém que se reinventou todas vezes, até alcançar o status desse escritor que atingiu as massas.

O resultado é um esqueleto desajeitado e vazio, se sua viagem como peregrino ao Caminho de Santiago deixou-lhe marcas que carregará consigo, seu filme é incapaz de demonstrar qualquer traço das influências que o fizeram escrever os livros que escreveu, ou as canções que compôs. O filme é quase um joguete na mão de alguém que pretende vender o hoje, quando o interessante foi o ontem e o anteontem.

 

entrenosEntre Nós (2013) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Um grupo de jovens amigos reunidos numa chácara, curtindo sua paixão literária e o desejo de se tornarem escritores. Cheios de vida, de esperança, de confiança em seu próprio taco. Cartas escritas e enterradas para serem relida em 10 anos. Tudo é lindo, tudo é alegria, ainda mais com as libertações sexuais e muito álcool para animar.

Paulo Morelli filma os dramas da fase adulta, sua visão após dez anos é de gente ressentida, com sentimentos de fracasso, culpa, ou amores renegados ao passado em prol de alguma estabilidade. Seu drama poderia ser algo próximo de um Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, dirá um Cassavetes. Mas náo, seus personagens se mostram cada vez mais fragilidades pela própria criação irregular dos mesmos, pela obviedade de seus atos.

O mote principal de todo o drama (carregado em Caio Blat) fica óbvio desde o primeiro instante, e o status coadjuvante dos demais estará sempre renegado a essa culpa maior de alguém que vive sob uma mentira (que mundo cruel, não?). Tenta ser intimista, tenta ser doloroso, mas todos os esforços parecem em vão quando sua proposta parece amarrada a escalação do elenco, tendo que colocar no topo os nomes centrais (Carolina Dieckemann e Paulo Vilhena, que mostram tantas fragilidades, e Maria Ribeiro, nessa ordem).  Uma visão desgraçadamente pessimista do mundo.