Posts com Tag ‘Julio Bressane’

Matou-a-familia-e-foi-ao-cinemaMatou a Familia e Foi ao Cinema (1969) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Júlio Bressane foi um dos precursores do cinema marginal, bem em meio a época da ditadura, por isso que este filme ficou apenas 1 semana em cartaz antes da censura retirá-lo dos cinemas. É resultado de um cinema vigoroso, fervilhante, por meio de algumas histórias trata a violência sob diversas formas. A primeira história tem um louco que mata sua família, com uma navalha, e vai ao cinema. O Filme (Perdidos de Amor) traz a metalinguagem ao roteiro, duas amigas e suas brincadeiras sexuais (nada sociáveis à época).

Há ainda o preso político morto sob tortura, e outras mortes ligadas a classe média baixa. Sempre filmados com urgência delirante, em planos-sequencias celebrais que marcam um cinema de estética marcante e desenvoltura libertária, que o torna um dos grandes filmes do cinema brasileiro.

garotoGaroto (2015) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Constantemente os filmes do cineasta Julio Bressane são lançados, mundialmente, em grandes festivais como Veneza ou Locarno. Ainda assim, após uma carreira tão própria, e extensa, o carioca sofre a dificuldade de captação de recursos para filmar. Coisas de Brasil. Cansado dessa ladainha, ele se uniu com outros cineastas jovens e criaram o programa Tela Brilhadora, e filmaram quatro filmes, em quatro semanas, com diretores diferentes.

Garoto é uma livre adatptação do conto O Assassino Desinteressado de Bill Harrigan, obra inspirada em Billy The Kid, do argentino Jorge Luis Borges. É outro trabalho típico da recente safra de Bressane, diálogos teatrais e interpretações não naturais, o metafórico como fio condutor. Mas, dessa vez, com altas doses de polêmica nessa aventura espiritual e sexual. No jovem casal, ele (Gabriel Leone) apenas observa, enquanto ela (Marjorie Estiano) versa sobre a vida, o mundo, e esbanja sexualidade quase infantil. A história se torna trágica quando se encontram com a tutora (Josie Antello) da moça. O filme está intimamente ligado à natureza, sentimentos carregados e a inquietação de perigosos jogos sexuais.

Educação Sentimental

Publicado: dezembro 26, 2013 em Cinema
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educacaosentimentalEducação Sentimental (2013) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Não venham me dizer que não há conexões com o livro clássico homônimo de Gustav Flaubert, no cinema de Julio Bressane nada é por acaso, nenhum detalhe sequer não passa por seu crivo. É um cinema detalhista, de interpretações artificiais e teatrais, um cinema que atinge um nicho pequeno, muito artístico.

Uma professora fala, versa, conta de si, de poesia, de seus pais, ela dança. Um jovem escuta, praticamente só escuta, como se esse fosse seu dom. A professora, mais velha, de tanto falar, o seduz, eles dançam. Bressane trata do improvável casal como se ela estivesse, realmente, a educar o mais jovem. São tantas referencias ao mundo da arte, e aquela artificialidade nos diálogos, como se o mundo parasse para ouvi-los e fosse uma voz definitiva, um diálogo definitivo.

O florescer da maturidade, Bressane tem suas características fortes, a forma e o diálogo com a arte. A rigidez de seus planos, a teatralidade da narrativa, e os diálogos tão chamuscados e poeticamente declamados, capazes de agradeciar a poucos e a afastar a muitos. Me falta interesse enquanto assisto seus filmes, e esse é o pecado mortal da sua arte.

(2007) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Julio Bressane seria como o Godard Brasileiro. Seu cinema de culto artístico elevado, de intelectualismo nato, são obras de difícil acesso. Dessa forma construiu sua carreira, e garantiu seu espaço no concorrido mercado internacional dos grandes festivais. Na sua versão da história de Cleópatra, Alessandra Negrini encarna a sensual mulher que encantou os grandes imperadores romanos. Com um sotaque mais que estranho (de quem deseja soar como estrangeira), Negrini exibe uma mulher despudorada, mergulhada em anseios sexuais, e momentos de pura arte.

Sim, estamos diante de uma espécie de arrogância artística, quase um teatro filmado com os enquadramentos de Manoel de Oliveira. A história de Julio César, Marco Antonio e Augusto passa pela alcova de Cleópatra. O Império Romano a mercê da saciedade sexual da musa egípcia e seus amantes. Tudo contado com diálogos chamuscados e um didatismo disfarçado intelectual. Enquanto Miguel Falabella assume Julio César estamos bem, o que vem a seguir são atores tentando imitar o tom do personagem sucessor.