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quehoraselavoltaQue Horas Ela Volta? (2015) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Interessante que, num curto espaço de tempo, tenhamos dois filmes abordando a classe média alta, de seus casarões antigos e costumes antiquados, e uma relação empregatícia tão arcaica. Se Casa Grande trata da crise financeira de parte dessa sociedade, o novo filme de Anna Muylaert explora o cotidiano minimalista, aproxima-se da vida dos empregados e da relação “umbilical” com os patrões.

Há outras camadas nessa história, desde uma visão feminina de conflitos, da sexualidade, e da fascinação irracional causada no sexo oposto, como também a questão da imigração (do nordeste para o sudeste), causando afastamento no âmbito familiar em busca do sustento que possa ajudar economicamente os que ficaram por lá. Mas, sem sombra de dúvida, é a relação patrão-empregado a grande válvula de desenvolvimento da história.

É um costume muito brasileiro essa relação com a empregada doméstica, ao ponto de morar na mesma casa que os patrões, e ter sua vida intimamente ligada a deles. O “quase” da família significa uma relação sem regalias, limites impostos pelo bom-senso de quem sabe exatamente onde fica o seu espaço. Discutir o tratamento imposto nessa relação patrão-empregado, é quebrar a zona de conforto da classe média, que vai trabalhar e tem sua casa e filhos sob cuidados de alguém que está abdicando de sua própria vida, em face da daquela família. É uma discussão complicada, porque o empregado tem seus ganhos e seus interesses econômicos, por outro lado acaba se colocando como um ser humano de segunda classe.

Na história da emprega Val (Regina Casé), e sua patroa (Karine Teles), tudo muda com a chegada temporária da filha (Camila Márdila), e seu comportamento invasivo a essa relação de limites imposta pela cartilha da sociedade. Ela causa atração do patriarca (Lourenço Mutarelli), rivaliza com o príncipe adolescente da casa (Michel Joelsas), e deixa a própria mãe louca com sua “insensibilidade” aos limites. Muylaert filma pela casa toda, causa pequenos eventos que se tornam uma bola de neve em todas as relações da casa. A chegada de uma estranha estremece os alicerces daquela micro-sociedade.

Todos os filmes da diretora Anna Muylaert guardam o tom popular, aliado a uma linguagem cinematográfica definida, tratando de maneira simples questões do cotidiano da classe-média. Um tipo de cinema carente dentro do universo nacional, nem televisivo, e nem artístico/experimental ao extremo. Se os três anteriores pareciam problemáticos (Durval Discos, É Proibido Fumar e Chamada a Cobrar) chegaram, uns mais, outros menos, seu novo trabalho finalmente caiu no gosto popular, já é sucesso comercial, e como a grande obsessão nacional é ganhar o Oscar de filme estrangeiro, já está bem cotado e cheio de expectativas ao seu entorno. A verdade é que esse jeito afável e popular de Regina Casé conquistou, não só o público nacional, já é sucesso em muitas partes do mundo.

Riscado

Publicado: março 8, 2013 em Cinema
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riscadoRiscado (2010) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Iniciar a carreira de atriz não é tarefa fácil, bem pode dizer Bianca (Karine Teles), que se desdobra com trabalhos paralelos enquanto a carreira não decola. A proposta do diretor Gustavo Pizzi não é, unicamente, abordar as dificuldades de realizar o sonho. Ele traz uma espécie de filme dentro do filme, algo tão “abstratamente poético” quanto a própria visão do diretor (de dentro do filme).

De um teste para um personagem, Bianca é transformada no próprio roteiro do filme. Enquanto isso, Pizzi se volta aos problemas materiais, e nesse jogo de aspirações, todos vivem de uma boa vontade que não resulta em nada além do jogo de pequenas tragédias e decepções, corriqueiras em nossas vidas.