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Alien: Covenant (2017 – EUA)

Realmente deve ser tentador ser o criador, ver seu filho (filme) explodir e tornar vida própria, e anos mais tarde retomar o projeto para contar as “origens”. Afinal, de onde surgiu o “oitavo passageiro” daquele Alien que, em 1979, arrepiou o público num dos melhores sci-fi horror do cinema? Prometheus marcou o retorno de Ridley Scott à franquia que catapultou seu nome, e Covenant é outra tentativa sua de retomar aquele sucesso arrebatador.

E não foi dessa vez, e talvez não ocorra mais. Ridley Scott mudou muito nesses quase quarenta anos, sua filmografia é bem eclética, mas se acostumou mesmo com os grandiosos e frágeis épicos de ação, como Robin Hood e Cruzada. Sua problematização sobre criador x criatura, máquina x humanidade, a perfeição, traz uma lenga-lenga muito aquém daquele show de suspense, imagens tão crus e ângulos de câmera tão inovadores (aspectos marcantes de Alien, o Oitavo Passageiro, que é seu segundo longa-metragem).

Temos de interessante a ideia de astronautas em casal, em busca de um planeta a colonizar. A intersecção com Prometheus se dá no planeta onde vão parar, exatamente onde estava o ciborgue interpretado por Michael Fassbender no capítulo anterior. O filme mais se parece com um Godzila ou Jurassic Park espacial, bem genérico, que carrega a áurea daquele Alien que causava tantos calafrios. Scott precisa tornar tudo grandioso, épico, dai sua necessidade de problematizar a questão da Criação, desembocando nos trinta minutos finais de tantas explicações e reviravoltas clichês.

vicioinerenteInherent Vice (2014 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É como se Paul Thomas Anderson condensasse toda a parte descolada de sua carreira num único filme. Sua bastante fiel adaptação do livro homônimo de Thomas Pynchon é um noir multicolorido, e animado em sua trilha sonora, em permanente viagem de entorpecentes. Esse espírito captado por Anderson é tal qual o livro. A sensação de que o detevido “Doc” Sportello (Joaquin Phoenix) vive em constante efeito de drogas, e outros alucinógenos, é a verdadeira linha narrativa utilizada por Pynchon e por Anderson.

O detetive se mete nas maiores confusões quando se envolve a investigar um pedido de sua ex, de gangues de motoqueiros nazistas, a um navio de contrabando, passando por um policial estranhíssimo, tudo é motivo para Doc “fumar um”. Este noir pós-moderno de Anderson carrega tons sexuais, o colorido dos hippies dos anos 70, e doses cavalares de humor por uma Califórnia extravagante e sensual.

Seguir todos os acontecimentos (tanto no filme, quanto no livro) se mostra uma perda de tempo, é impossível, é confuso, não deve mesmo fazer sentido nem na cabeça do autor. Talvez por isso consiga traduzir tão bem a essência dos anos 70, a malemolência, o suingue de quem coloca sua vida em risco e simplesmente ri de tudo a seguir. Anderson sai dos temas tão densos, da rigidez religiosa, para um clima de liberdade total, de descompromisso, o submundo do retrato da liberdade setentista.

Outros Filmes de Paul Thomas Anderson aqui na Toca: Jogada de Risco | Boogie Nights | Magnólia | Embriagado de Amor | Sangue Negro | O Mestre