Posts com Tag ‘Keanu Reeves’

demoniodeneonThe Neon Demon (2016 – EUA/DIN/FRA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

De novo queridinho do cinema (com o sucesso de estilo de Drive) a decepção retumbante (Só Deus Perdoa), muitos esquecem que Nicolas Winding Refn tem alguns filmes antes de Drive. Mas, é fato que seu nome ganhou fama internacional ali, e por isso as comparações tenham esse como principal ponto de controle. Novamente presente na competição principal em Cannes, seu filme era aguardado como uma incógnita e o filme tem presença forte dos seus dois últimos filmes mesmo, apontando para um caminho que refn está solidificando.

O uso das cores e o exercício estilístico da imagem são definitivamente a característica mais forte dessa fase da carreira de Refn. Algumas das cenas são deslumbrantes, com luzes estouradas, ou com fundos que confundem o que é chão, o que é teto, verdadeiros jogos hipnótico de ótica. E o cineasta também não tem nenhuma preocupação em parecer cheio de referências a outros cineastas, é facilmente perceptível um clima futurista de Lucy ou Ex-machina, aliado a violência gráfica de filmes de Park Chan-wook, e boas doses da excentricidade de David Lynch, tudo bem localizado dentro da estética de Refn.

A narrativa vaga pelo abstrato, mas tem foco bem claro em seu tema. A jovem Jesse (Ellen Faning, tão enigmática quanto o filme pretende ser) chega a Los Angeles para tentar a vida de modelo. Ali encontra um mundo doentio e cruel, o lado mais egocêntrico e narcisista, a competição desenfreada e a inveja, lado a lado com o culto a beleza. Relações vazias e promíscuas, o sexo como jogo de poder e sedução. Nada de novo no mundo da moda, mas com essa roupagem hipnotizante, enigmática, que circula pelo mistério e a insegurança.

 

Dangerous Liaisons (1988 – EUA) 

É um super jogo de sedução e conquista, inveja, interesse, e por que não vingança, em meio a nobre corte francesa do Século XVIII. Não há limites, apenas objetivos, e quanto maior o desafio, mais prazer ao vencedor. No centro temos um conquistador, Visconde de Valmont (John Malkovich), que prima por sua fama, sem pudor ou arrependimento, e vive como se seu coração jamais pudesse ser conquistado. E a invejosa Marquesa de Merteuil (Glenn Close) que não quer permite que o ex, case-se, com uma jovem virgem (Uma Thurman). É proposta uma troca, seduzir r a dozela primeiro, pela influências que façam o Visconde conquistar o coração de uma esposa fiel e devotada, Madame de Tourvel (Michelle Pfeiffer).

Que delicioso jogo de sedução dirigido por Stephen Frears, no auge de sua carreira e sua estreia em Holywood, sendo agraciado com 3 Oscars. Interpretações envolventes, jogo de palavras para conquista de corpo e alma, e novos personagens, e amores, que ajudam para bagunçar, ainda mais, essa rede de intrigas de época. Baseado no romance epistolar do francês, Pierre Choderlos de Laclos. O cinema como combustível para vaidade.

oadvogadododiaboThe Devil’s Advocate (1997 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O jovem advogado criminalista Kevin Lomax (Keanu Reeves) se vangloria de nunca ter perdido um caso. Mora com sua esposa Mary Ann (Charlize Theron), numa pequena cidade da Flórida, onde dividem um simplório escritório, e ali lutam com dignidade em suas carreiras. A fama instantânea de sucessos corre o país, e logo um grande escritório de advocacia de Nova York faz-lhe uma proposta de trabalho milionária.

O presidente é o sinistro John Milton (Al Pacino), um homem mais que misterioso, alguém com um poder de persuasão ilimitado, uma sensibilidade aguçada, um anormal dom manipulador. Kevin está maravilhado com a nova vida, porém a ascensão meteórica na carreira é diretamente proporcional aos problemas que passa a enfrentar no casamento, Mary Ann não se adapta a vida de dondoca, começa a sofrer alucinações, estranhas visões, mania de perseguição.

Desde o princípio da trama, o livre-arbítrio e a vaidade são temas claramente explorados. O roteiro manipula os personagens, deixando clara a verdadeira faceta diabólica de John Milton.  Taylor Hackford é o homem por trás dessa manipulação, para entreter o público gasta tempo em julgamentos, cria um herói almofadinha, que não se deixa influenciar pela nova vida a não ser no quesito vaidade. Ouviremos à exaustão “A vaidade é meu pecado preferido” dita por John Milton. A vaidade como controle principal da mente humana, relacionada a dinheiro, desejo, sexo, sucesso, poder.

Um Al Pacino artificial, um Keanu Reeves sem graça alguma, essas coisas fazem a diferença, tem-se uma história manipuladora e medida, e de outro lado atores de renome com preguiça. Mas a direção de Hackford não é só de erros, entre seus altos e baixos, a cena do espelho é bem envolvente, assim como o desfecho apoteótico, por mais premeditado que possa parecer. São esses momentos que tornaram o filme sucesso no público médio. John Milton pode achar que “o livre-arbítrio é uma droga”, para mim é um dos segredos da humanidade.