Posts com Tag ‘Keira Knightley’

everesteEverest (2015 – Reino Unido) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

É sabido que o monte Everest, mesmo sendo o mais alto do mundo, não é dos mais difíceis de se chegar ao cume. Também não é só chegar lá e caminhar um pouco. Gelo, altitude, mau tempo, testar os limites do corpo, o filme prova que se enveredar é coisa de maluco. Na década de 90, um desenfreado tráfego de turistas descobriram o Everest, até a tragédia de 1996. Dirigido por Baltasar Kormákur, o filme tenta reconstituir os fatos, envolto em sua pose de Blockbuster.

Dos belíssimos planos gerais dos picos cobertos de neve, a momentos de grande tensão por desfiladeiros, a narrativa é bastante eficiente na parte do entretenimento. Ao levantar questionamentos sobre imprensa, turismo desenfreado, irresponsabilidade humana, já acaba diluído pela didática. Porém, o subjetivo da relação Expectativa x resultado é algo inexplicável, e mesmo com o melodrama emotivo do final, a sensação que fica é que Evereste entrega o que promete, sem proteger os atores principais em papéis de mocinhos de salvação convicta. Dá ao público a dimensão do frio insuportável, do corpo levado ao limite, e do gostinho da adrenalina de enfrentar uma aventura desse porte.

annakareninaAnna Karenina (2012 – ING) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

De uma vez por todas, Joe Wright, prova a si mesmo, que seu negócio são os filmes de época. Apostando em inovações técnicas que oferecem mais dinamismo à narrativa, o diretor revive o tão refilmado clássico de Tolstoi, com um quê de jovialidade.

A corrida de cavalos invadindo o palco do teatro, o balé das câmeras ainda mais presente, a belíssima cena de dança entre Karenina (Keira Knightley) e Vronsky (Aaron Taylor-Johnson). Wright filma a Rússia do século XIX com um glamour e beleza irrepreensíveis.

O aspecto visual deslumbrante e o esplendor sonoro camuflam as fracas atuações masculinas (tanto de Taylor-Johnson, quanto a presença apagada de Jude Law). Mas a questão central mesmo são as fragilidades do roteiro, transformando a Karenina de fibra numa sofredora amorosa, e patinando feio na segunda metade.  A diluição da jovialidade, que consegue eliminar aquele aspecto de “filme lento” que parte do público não gosta, porém fica apenas um drama romântico clichê.

A Dangerous Method (2011 – ING/ALE/CAN/SUI)

 A fascinante história da relação entre Carl Jung e Sigmund Freud, contada com elegância por David Cronenberg. Início do século XX, o pai da psicanálise (Freud – Viggo Mortensen) enxerga em Jung (Michael Fassbender) seu discípulo, há uma enorme discussão cientifica sobre os rumos científicos dessa especialidade da medicina. Freud prega que todos os disturbios estão ligados à sexualidade (ok, comentário raso, não cabe aqui detalhar suas teorias), e uma corrente de psquiatras segue suas teorias, entre eles Jung. A trama dá inicio quando Jung começa o tratamento com Sabina Spielrein (Keira Knightley) sensivelmente atormentada, altamente culta.

Enquanto assistimos aos desdobramentos da relação Jung-Sabina, as dicussões cientificas entre Freud e Jung tornam-se acaloradas, rumo ao distanciamento de ideias. Cronenberg capta isso muito bem, de forma sutil e extremamente elegante, ele conduz as diferenças e discussões, assim como toda a carga sexual nas interrelações entre médicos e pacientes. São pessoas que gostam de discutir, de argumentar, e brincam de falar de si mesmas, como se pudessem permanecer invulneráveis aos comentários.

Last Night (2010 – EUA/FRA)

Três anos de casamento, um apartamento charmoso em Nova York, o casal se arruma para a festa e praticamente não interage um com o outro, são momentos de duas pessoas que  apenas dividem o mesmo espaço. Ok, o cineasta estreante Massy Tadjedin já posicionou o conflito (não chega a ser crise), e a festa será motivo de despertar ciúmes de assumir atração física por uma colega de trabalho, e sair em viagem de negócios deixando cada um deles com a pulga atrás da orelha. Uma noite, duas frentes, Michael (Sam Worthington)
passa sua noite sob as investidas da sensual Laura (Eva Mendes), são cenas e mais cenas onde não se cansa do clichê e das atuações fracas. A tensão é falsa, aliás a falsidade está explícita na feição de dúvida, é tão óbvio onde tudo aquilo vai terminar.

Enquanto isso, a esposa (Keira Knightley) teve um encontro casual com seu antigo namorado (Guillaume Canet) e aceita o convite para um jantar. Aqui também há o clichê da mulher com medo de ser traída, frágil, quase uma presa fácil de um conquistador qualquer. Porém, ele não é um conquistador qualquer, e se há algo no filme de verdadeiramente interessante é essa relação. O frances de passagem pelos EUA em momento algum esconde seus sentimentos, e testa os limites que a garota impõe (me fez acreditar que se não estivesse acontecendo a outra perna dessa história, a relação de intimidade exacerbada seria a mesma, afinal, no meio da noite ela declara que “ama os dois”).

A vida também tem dessas coisas, as coisas acontecem naturalmente, relações terminam mesmo que na hora errada, quando ainda havia significados, coisas a se viver, e no reencontro essa sensação do se não seria melhor estarem juntos. Pouco importa o destino desses dois casais, Tadjedin consegue (pelo menos em 50% dessa história) uma tensão honesta, mesmo que por linhas tortas, ele pode até ter errado o tiro, mas conseguiu acertar um alvo, e isso já é alguma coisa. Mais um filme americano que vai atingir em cheio ao público médio, ainda assim, pode fazer um ou outro enxergar um quê de sinceramente em um ou dois personagens que sim, vivem suas carências, mas também essa inquietude da incerteza se o caminho escolhido foi ou não o melhor.

 Never Let Me Go (2010 – EUA)

Mark Romanek bem que se esforça, mantém os personagens fiéis à verossimilhança (em atos e comportamentos, a um simplesmente aceitar pois assim foram educados) que a história pede, ainda assim o esforço é em vão e a natureza passiva não consegue forças para oferecer a proximidade necessária para que as pessoas verdadeiramente se emocionem com o drama desses personagens marcados aos sofrimento, dor e morte. Culpa das interpretações apáticas de Keira Knightley e Andrew Garfield (esse principalmente que precisava ter um pingo de emoção naquele coração), por isso quando o filme não tem para onde correr, focaliza na Carey Mulligan. Tudo muito burocrático, monocromático, desde o tempo no colégio interno modelo britânico até a essa necessidade da tristeza pela tristeza que faz efeito contrário, afasta, ninguém está envolvido, aliás ninguém está achando realmente crível aquela história toda.

starwarsIStar Wars: Episode I – The Phantom Menace (1999 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E aguardadíssimo retorno da saga Star Wars, a mais poderosa franquia do cinema. Há tempos que o primeiro filme da série havia sido numero como IV, portanto havia uma trilogia a ser filmado, que contasse o antes. Em entrevistas, George Lucas disse ter preferido alterar a ordem porque imaginava que a tecnologia dos anos 70-80 não lhe daria o suporte desejado. Finalmente chega a hora de retomar a saga, e entender de onde surgiu a lenda Darth Vader.

A história é sempre a mesma, algum plano mirabolante, de um grupo, para invadir e dominar outro grupo (ou planeta). Aqui a Federação impôs um bloqueio ao planeta Naboo, e o senador Palpatine (Ian McDiarmid) finge proteger Naboo e a Rainha Amidala (Natalie Portman), quando é um dos líderes da invasão. Entram em cena Jedis para proteger Naboo, e um jovem garoto escravo, Anakin Skywalker (Jake Lloyd), piloto de corridas de pod, que o destino faz ajudá-los nessa empreitada. Qui-Gon Jinn (Liam Neeson) sente uma presença forte da Força no garoto, ele pode ser o escolhido, aquele que trará equilíbrio e passa ser treinado nas práticas Jedi.

E o resultado é a dominação dos efeitos especiais. Depois da burocrática iniciação da trama, com acordos comerciais e explicações demais, o filme vive apenas das possibilidades que os efeitos oferecem. Os personagens não são nada carismáticos, a trama infantilizada. Sobrevive da sombra da saga, funcionando como trampolim para os dois próximos filmes. A corrida de pod é um dos momentos melhores, porém é a luta dos Jedis, contra Darth Maul, e seu sabre de dois lados, o grande momento deste filme decepcionante.