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A Grande Jogada

Publicado: fevereiro 21, 2018 em Cinema
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Molly’s Game (2017 – EUA) 

Narração em off acelerada, marcada no ritmo da trilha e das imagens. Um turbilhão de informações que o público tenta captar entre nomes, números, conexões da personagem e memórias da personagem. Isso, sem falar, nos embates de diálogos acelerados, bem no estilo de A Rede Social. É a estreia na direção de Aaron Sorkin, o roteirista de filmes como o citado de Fincher, ou o de Steve Jobs (do Danny Boyle). A eficiência de seus roteiros está agora explicita em sua direção. Seu estilo é informativo, altamente explicativo, e capaz de dar um perfil completo de personagens e fatos. Se isso é bom cinema, podemos discutir?

Jessica Chastain surge glamourosa na pele de uma mulher que movimentava milhões de dólares em jogos ilegais de poker com celebridades e figurões. Tenta se defender nos tribunais, enquanto enfrenta as sombras de um pai exigente e complicado (Kevin Costner). O filme é curioso e envolvente como narrativa, maçante com esse turbilhão de informações e desgastante com tamanha agilidade e eficiência. Era de se esperar de Aaron Sorkin.

homemdeacoMan of Steel (2013 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O povo que veio de Krypton gosta de quebrar uma vidraça. É um empurra-empurra frenético, com vidros dos prédios quebrando por toda Metrópolis (Manhattan, não?). Senti falta mesmo foi da kryptonita, do romance acontecendo naturalmente, dos segredos e do Clark Kent (Henry Cavill) de óculos no dia-a-dia jornalístico. Até da cabine telefônica senti falta. Para algumas dessas questões, o roteiro encontra novas soluções, porém a essência é realmente outra.

A história do homem de aço dirigida por Zack Snyder, como no trailer dava sinais, ganha os contornos definitivos da última fase dos filmes de Terrence Malick. Como se cada momento fosse único, o foco em detalhes que tornam a vida do Super-homem suprema, magnífica, um deus. A trilha sonora vai além até, busca algo épico no melhor estilo Senhor dos Anéis, é tudo grandioso, definitivo, estamos diante do filme dos filmes, do herói dos heróis.

Sobra muita coisa patética, principalmente nas aparições dos dois pais de Clark (Russel Crowe e Kevin Costner). Porém, não é exclusividade deles, só olhá-lo de capa na sala de interrogatório, ou gritando contra o vilão (Michael Shannon) por ter atacado sua mãe, momentos constrangedoras não faltam. E os jornalistas do Planeta Diário então, Laurence Fishburne até relembra seus momentos de Matrix.

A trama tenta se concentrar no conflito de ser alguém tão diferente do restante dos humanos, a busca pelo autoconhecimento, pelo controle de seus poderes, e o se encontrar na vida. Por isso, Clark na adolescência vive as mesmas rebeldias que nós, prefere ser nômade, até a chegada dos visitantes indesejados, até ser descoberto por Lois Lane (Amy Adams) e se tornar o herói mundial. Enquanto trilha esse caminho, desperdiça a chance de conquistar o público, dando lugar ao perfeccionismo impressionante dos efeitos especiais, e um ego inflado do tamanho da força do homem de aço que segura uma estação perfuradora de petróleo, mas não quer matar uma mosca.