Posts com Tag ‘Kevin Spacey’

Baby Driver (2017 – EUA) 

Nos fones de ouvido, que não tira em nenhum momento, música pop para disfarçar o zunido intermitente (resultado de um acidente quando ainda era criança). Baby (Ansel Elgort) é o ás ao volante, com feições de anjinho, que espera para acelerar com seu arrojo e habilidade, após mais um assalto da quadrilha liderada por Doc (Kevin Spacey). Sua figura de bom moço, que cuida do pai adotivo debilitado, e se apaixona pela garçonete da lanchonete de beira de estrada, não parece se encaixar com a de tímido, e fechado, motorista de fuga de assaltos espetaculares.

A trama irá cuidar de explicar esses detalhes, enquanto o romance e as sequencias de ação alucinantes, sempre acompanhadas de música pop antiga, deixam alucinados grande parte do público. Ação, comédia e romance, não é de hoje que o britânico Edgar Wright vem se destacando por um estilo próprio de cinema, mas sempre acabava preso a um público restrito, praticamente um nicho dentro da cinefilia geek. Seu humor,a edição acelerada, e um quê de super-herói nerd, que encontrou em Scott Pilgrim Contra o Mundo, praticamente, a tradução do êxtase, entre super-poderes, muito videogame e romance – e aquele filme realmente é uma delícia.

O que temos dessa vez é um Edgar Wright para um público mais amplo, filmando nos EUA. E não decepciona, e talvez até entregue o seu melhor filme. O impressionante é como ele não traiu suas origens, e conseguiu implementar outras características que deixaram seu filme: mais pop, mais frenético, porque não mais família? E também mais caricato, é verdade, mas, acima de tudo, mais visível (já é o seu maior sucesso de bilheteria). Consegue ser o Velozes e Furiosos que alguns (eu) gostariam de ver, mas nunca encontraram essa leveza pop, essa descontração moderna. Wright nos entrega planos-sequencias de triar o fôlego, enquanto a trilha sonora vital, e vibrante, mistura essa energia com um swing que dificilmente não te deixe o sabor de querer revê-lo em breve.

Anúncios

meianoitenojardimdobemedomalMidnight in the Garden of Good and Evil (1997 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Algumas vezes me pergunto o que, de tão especial, um cineasta encontra num livro, a ponto de adaptá-lo ao cinema. Essa pergunta é ainda mais recorrente ao se conhecer a trajetória de Clint Eastwood, suas posições política, seu estilo narrativo que demonstra sua maneira de ver o mundo. Por outro lado, há tanto de Clint ali que esse contraste inicial converge, pouco-a-pouco, a um denominador comum onde se encaixa perfeitamente na obra do diretor.

A primeira curiosidade (no meu caso, que já estive na cidade, mais ainda) é como a pequeninice de Savannah consegue reservar tantos acontecimentos “especiais” (sobrenaturais, chamam como quiserem), e Clint capaz, não só destacá-los, como resgatar a vida singela e tranquila. O clima bucólico e apaziguador, a praça próxima da prefeitura, a atmosfera precisa da cidade em si.

Antes de virar um filme de tribunal, a narrativa é misteriosa. O escritor (John Cusack) convidado para cobrir a festa de ricaço (Kevin Spacey), que acaba acusado de matar um marginal (Jude Law). O pragmatimo Republicano de Clint, misturado com a discussão a cerca do homossexualismo e transexuais, a sociedade moralista, são tantos conflitos internos entre diretor x cidade x personagens. Mais tarde o formalismo do cineasta se sobressai, mesmo que o fantástico, com entidades e outras esquisitices, estejam presentes, Clint mantém sua mão firme na narrativa clássica, com as críticas à justiça legal, social, e a ética pessoal, fica meio quadradão, de toda forma, é um todo que parecia tão torto e resulta tão arredondado e saboroso.

Lunar

Publicado: fevereiro 19, 2013 em Cinema
Tags:, ,

lunarMoon (2009 – ING) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Dá para não citar que o diretor Duncan Jones é filho de David Bowie? Não, não dá, principalmente se o cara resolveu fazer uma ficção científica, já que seu pai se destacou pelo visual futurista. Semelhanças à parte, Sam Rockwell é o astronauta solitário numa base lunar, por três anos. Vai delirando, enlouquecendo, o filme ainda brinca com clones, e da segunda metade em diante vira todo seu foco a esse tema. Mas não passa de instrumento para Rockwell mostrar caras e bocas, sofrimento psicológico e temperamentos diferentes enquanto um computador conversa com ele (Kevin Spacey, mas voce já viu essa idéia em algum outro filme, não?).

Margin Call (2011 – EUA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Não é exatamente um filme sobre a crise financeira de 2008, seu intuito é estudar as pessoas “causadoras”, ou se são meros instrumentos do sistema. O cineasta estreante JC Chandor narra, a noite única e fatídica, após a descoberta que fez desmoronar todos os papéis podres de hipotecas de pessoas que jamais poderiam pagar seus empréstimos (se quiser mais detalhes, encontrará no documentário Trabalho Interno). Chandor transita por essa noite de engravatados se descabelando para encontrar uma solução que está bem à frente dos olhos deles: dar uma bica na ética (se bem que, executivos do mundo financeiro não lidam bem com ética mesmo), e se livrar rapidamente dessa bolha, para que exploda no colo de outros.

Mas, estou gastando espaço demais com a parte financeira, e desencadeada a trama, o filme faz esforço para deixar de lado. Está mais preocupado com as conversas fúteis de quem tem o brinquedo mais legal (na versão deles, quem ganhou mais dinheiro este ano), por isso que os personagens mais jovens vão perdendo espaço ao longo do filme para os atores mais experientes (Demi Moore, o quase retorno de Kevin Spacey, Stanley Tucci, Paul Bettany irritantemente coerente e um Jeremy Irons perfeito), já que, o filme quer mostrar algo humano, apontar as escolhas (ou que eles também tem uma vida for a daquele universo) com esposas e divórcios, casas e cães morrendo. Um esforço em vão, o thriller silencioso de cores, cinza e azul escuro, não combina com esse tom dramático de pessoas que sofrem para realizarem o que deve ser feito (e nesse ponto, os Americanos voltam a se colocar como nos filmes em que só eles podem fazer o esforço de salvar o mundo, mesmo que doa em sua própria carne).

anegociacaoThe Negotiator (1998 – EUA/ALE) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Tensão. A melhor palavra para expressar esse surpreendente filme dirigido por F. Gary Gray. Calcado em diálogos astutos e nervos à flor da pele, do início ao fim, Gray provoca o público com a trama de policias corruptos e negociadores de sequestros. Danny Roman (Samuel L. Jackson) é desses policiais especializados em negociações de seqüestros com reféns. Seu parceiro, havia descoberto, que policiais, do mesmo distrito deles, estavam desviando dinheiro de fundos de pensão. Resultado: apareceu morto logo após.

Numa grande armação Roman foi a pessoa encontrada junto ao corpo, além de outras provas que estavam em sua própria casa. Acusado de fraude e assassinato, ele vai até a direção de assuntos internos para esclarecer o que estava acontecendo. A situação perde o controle, ele acaba fazendo alguns reféns, entre eles seu chefe, Al Travis (John Spencer), e o Inspetor Terence Niebaum (J. T. Walsh), na esperança de assim descobrir a verdade, e salvar sua reputação. Sem confirmar em ninguém, Roman solicita um negociador de outro distrito. ue trabalha em outro distrito: Chris Sabian (Kevin Spacey). A policia pronta para invadir o prédio, dois negociadores que conhecem as artimanhas da profissão, e o tempo se esgotando enquanto Roman tenta incriminar os verdadeiros criminosos que estão lá fora.

lacidadeproibidaLA Confidential (1997 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Encantador esse filme policial, à moda antiga, dirigido por Curtis Hanson. Seu resgate ao cinema noir, com roteiro brilhante (baseando em romance de James Ellroy) e elenco competente são a fórmula infalível para a trama ambientada na década de cinqüenta nos EUA. Com direito a corrupção da polícia, prostituição de luxo, contrabando de drogas e disputas de gângsteres.

Bud White (Russel Crowe) é o policial durão e truculento que coloca medo em todo mundo. O jovem, e ambicioso, Ed Exley (Guy Pearce) faz o estilo inteligente e que segue as leis à risca, mesmo que seja necessário dedurar  companheiros que não seguem as leis. Há ainda o policial popstar, Jack Vincennes (Kevin Spacey), que adora as manchetes de jornal e o jornalista Sid Hudgens (Danny DeVito) que vende a alma por um furo. Na noite de Natal, os policiais fazem uma festinha na delegacia, e após beber um pouco, decidem tirar satisfações com alguns presos suspeitos de terem agredido companheiros da corporação.

O resultado da bebedeira é um massacre aos presos, que acaba sendo flagrado pela imprensa. A noticia cai como uma bomba, a reviravolta no departamento é inevitável. Um dos bodes expiatórios é o parceiro de White, que dias depois morre numa chacina. Toda a força policia volta-se para o caso, que será liderado por Exley e White, e juntos ajudam a ruir um castelo de cartas de esquemas descobertos, policias corruptos desmascarados, forte esquema de prostituição (destaque para prostituta interpretada por Kim Bassinger, que se veste como Veronika Lake) e assassinatos para queima de testemunhas. Hanson é sagaz, e o roteiro também, em construir os protagonistas e coloca-los sob pressão, em obrigá-los a ir além de sua “ética” pelos fins necessários. Enquanto isso o filme hipnotiza com charme e elegância, seja pela direção de arte precisa, seja pelo clima esfumaçante entre tantas intrigas e reviravoltas, na cidade onde o glamour esconde as verdades podres.

O Árbitro

Publicado: maio 26, 2002 em Cinema
Tags:, , ,

oarbitroThe Ref (1994 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Na fuga de um assalto frustrado, um ladrão de joias (Denis Leary) sequestra um casal, em plena crise conjugal, no meio da noite de Natal. Mesmo sob sequestro, as brigas do casal seguem constantes, enlouquecendo, não só a família, como o próprio sequestrador. Dos problemas com a educação do filho, o antigo caso de Caroline (Judy Davis), a falência do restaurante até o empréstimo que a mãe de Lloyd (Kevin Spacey) concedeu a eles, tudo é motivo para intermináveis discussões.

É tudo tão fora de propósito, um humor tão descaído, e a repetição exaustiva do mote. Ted Demme dirige está comédia, sem sinais de humor. Considerava que o cumulo era a história dos policiais incompetentes, tão absurda quanto intragável. Mas a grande vencedora mesmo é a cena em que eles gravam o filme da TV sobre a gravação do assalto na mansão por não saberem mexer no controle remoto (ridículo).