Posts com Tag ‘Kim So-Yong’

Para Ellen

Publicado: abril 20, 2021 em Cinema
Tags:

For Ellen (2012 – EUA)

Músico pai-ausente (Paul Dano) descobre ao assinar o divórcio que também estava abrindo mão da guarda da filha, e resolve lutar judicialmente por seus direitos. O drama indie dirigido pela coreana Kim So-Yong tem algumas cenas com a criança que nos fazem lembrar, de longe, seu bonito filme Montanha do Abandono. Mas, essa sensação só apareceu quando não estava atônito de tanta cãmera na mão, em planos fechados, no rosto de Paul Dano, quando eu só conseguia pensar em como Clean (Assayas) é tão poderoso retratando esse mesmo dilema de um músico x sua negligência familiar.

Lovesong (2016 – EUA) 

A coreana Kim So-Yong cresceu em Los Angeles, e desde que seu tornou diretora de cinema divide sua carreira filmando entre os dois países. De mais recente trabalho foi exibido em Sundance 2016. Depois do sucesso de seu filme Montanha do Abandono, passou a incluir nomes mais conhecidos nos elencos de seus filmes, como Paul Dano, ou neste caso Jena Malone. Mas, ela manteve sua sensibilidade aflorada, e a presença importante de crianças em seus roteiros.

Aqui a criança é filha de Sarah (Riley Keough), a mulher que se sente solitária pelas longas ausências do marido (coreano). É através da amizade dela com Mindy (Jena Malone) que o filme carrega toda essa sensibilidade destacada de So-Yong. A proximidade, que pode insinuar (ou significar) algo mais, surgem por meio desse cinema indie já meio gasto, de músicas fofas e personagens despedaçados pelo caminho da vida. Não deixa de ser bonito, So-Yong trabalha as emoções de maneira íntima e quase irresistível, ainda que navegue pelos mares da cartilha Sundance de fazer filmes.

Montanha do Abandono

Publicado: junho 7, 2010 em Uncategorized
Tags:

Treeless Mountain (2008 – COR) 

A vida das irmãs já não eram fácil em Seul. A mãe, sozinha, precisava de favores dos vizinhos e de altas responsabilidades da mais velha (voltar sozinha da escola, cuidar da irmã) no dia-a-dia familiar. Quando a mãe parte em busca do pai das crianças, deixando-as sob cuidados da cunhada, é que se evidencia a dor no coração, em constatar, a vida dessas adoráveis pequenas. A doçura da mãe, a dedicação, nem de longe se apresentam no comportamento da tia, as meninas tornam-se obcecadas pela possibilidade de encher o cofre de moedas e assim rever a mãe (na metáfora que as crianças levam ao pé da letra).

Kim So-Yong utiliza muitos planos fechados, isso num filme focado, integralmente, em duas meninas entre 3-6 anos, traz uma sensação de proximidade, de dividir o espaço com elas, de praticamente brincar com aquelas duas garotinhas tão amáveis e desamparadas. A câmera como catalisadora desse universo infantil corrompido, o estranhamento de duas crianças que amadurecem além da idade, que precisam cuidar uma da outra sem uma presença adulta, que seja no mínimo, carinhosa e paliativa de comportamentos.

A cada cena um novo golpe no coração do público, sem abusar de acontecimentos perversos o filme apenas pontua com singeleza um cotidiano de esperança, de expectativa, de crianças distantes da escola, renegadas a um convívio familiar fragmentado, em meia dúzia de acontecimentos corriqueiros que eclipsam esse abandono (in)justificável.