Posts com Tag ‘Kris Kristofferson’

oportaldoparaisoHeaven’s Gate (1980 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Da obra-prima ao fracasso. Na inernet facilmente encontra-se textos que pontuam a importância histórica do grandioso filme de Cimino, a disputa com o estúdio, o fracasso de bilheteria, o orçamento estourado, o ego inflado por aquele jovem promissor que ganhara 5 Oscar’s e pretendia realizar, nada menos, que a obra-prima definitiva do cinema americano. E não venham me dizer que esta não era a intenção, porque o filme dá todos os sinais da eloquência com que Michael Cimino conduz seu filme. Da frustração irrestrita com que o filme foi recebido à aclamação da crítica como verdadeira obra-prima, quando do relançamento da versão do diretor, o filme se tornou maldito e amado.

O tema não era nada palatável, e o clima da época (pós Guerra do Vietña) indica que não era o tema que o público estava ávido em descobrir. Afinal, tratar de um momento histórico americano em que o presidente do país aceita que um grupo faça uma lista, e execute, 125 pessoas (na maioria imigrantes que atrapalhavam seus negócios), está longe de entreter. Do discurso inflamado do orador da turma (John Hurt), à caçada que se torna o condado de Johson, Cimino cria dezenas de planos fabulosos em reconstituição de época, cenários, e a violência sanguinária. O balett da câmera acompanhando os bailes, as cenas com centenas de figurantes, a porção western (há quem considere que o filme matou com o gênero), a trilha sonora precisa entre a emoção e o bucólico. É tudo lindo de se ver.

Porém, de tão grandioso, a almejada obra-prima de Cimino se apresenta como um polvo gigante, desengonçado, que se movimenta em slow motion. O triângulo amoroso (Kris Kristofferson, Isabelle Huppert e Christoher Walken) é instável, falta fluidez. O personagem de Jeff Bridges parece meio perdido na história. O roteiro não consegue dar conta de tamanha grandiosidade, de estruturar seus personagens, o massacre e o triângulo amoroso acabam como as tábuas de sustentação enquanto Cimino apresenta sua desenvoltura em criar cenas lindas. Cavalos, carruagens, os trajes coloquiais, o western como toques de épico, a perseguição à imigração. Talvez fossem necessárias 5 horas de duração para que Cimino conseguisse desenvolver tudo que pretendia, a versão de 219 minutos ainda manté o filme confuso, ainda que belíssimo.

nasceumaestrelaA Star is a Born (1976 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Um filme sobre amor, decadência, mas principalmente sobre a inveja. E a inveja cegue, magoa, e corrompe de maneira amarga relacionamentos. Remake de grande sucesso protagonizado por Judy Garland, nos anos 50, o diretor Frank Pierson peca por não privilegiar nada, nem romance, muito menos drama ou musical, resultando num misto de superficial e sensação de história esticada.

Kris Kristofferson é a estrela de rock que se apaixona pela jovem cantora de barzinhos (Barbra Streisand). O relacionamento vem de encontro a fase de decadência do cantor, devido ao consumo excessivo de drogas e álcool não emplaca mais sucessos, sempre arrumando brigas. Enquanto isso, sua nova companheira é descoberta e começa a brilhar, o jeito doce e espontâneo e seu belo cantar a transformam num ícone musical de enorme sucesso.

Glamour x decadência, como um relacionamento pode resistir? A estrela nasce em meio ao convívio conturbado, ao amor despedaçado pela queda vertiginosa de seu companheiro de vida boêmia e sem pudores. Os melhores momentos do filme são os quadros musicais de Barbra Streisand, enquanto Kristofferson se esforça em dar toda intensidade a seu personagem tão problemático.

amantesefinancasRollover (1981 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

 Drama político sobre as artimanhas, e o jogo sujo, das instituições bancárias, em movimentações milionárias. Lee Winters (Jane Fonda) é uma ex-atriz, recentemente viúva, assumindo o posto do falecido marido, numa empresa petroquímica endividada. O banqueiro Hub (Kris Kristofferson) foi contratado, por um grande banco americano, como última esperança diante da falência. Um dos principais clientes deste banco é a empresa petroquímica de Lee, o que acaba aproximando os dois. A trama melhor se apresentando quando aparecem os indícios que o marido de Lee foi assassinado, e não um simples assalto como se acreditava.

A aproximação entre Lee e Hub se torna uma grande ajuda ao audacioso plano dela em recuperar a petroquímica, além de um relacionamento às escondidas. Um quebra-cabeças que pode explicar a morte a investidores árabes ligados ao banco. Alan J. Pakula mantém bem o ritmo de thriller, escapando do melodrama romântico. O foco principal fica na conspiração, e os detalhes econômicos. A cena final é muito inteligente e nos faz pensar sobre toda a situação e a forma de capitalismo que o mundo está inserido.