Posts com Tag ‘Kristen Stewart’

Personal Shopper (2016 – FRA) 

A sequencia mais sugestiva e facilmente comentada do novo filme de Olivier Assayas são os vinte tensos minutos de uma viagem de trem Paris-Londres-Paris, onde apenas acompanhamos as reações da protagonista, Maureen (Kirsten Stewart), à troca de mensagens durante o trajeto. É a arte de filmar a tela de um celular, de uma forma que possa causar tensão, dualidade, e a dúvida de quem é a (o) desconhecida (o). O ritmo e esse diálogo com a comunicação moderna, reinventando os limites da narrativa.

Desde o começo, o filme flerta com o fantasmagórico, e transforma essa atmosfera em seu próprio combustível para ascender as chamas do incêndio pessoal que vive a jovem americana de passagem em Paris. A qualquer um, ela afirma que está na cidade esperando. O namorado a aguarda no Oriente Médio, mas sua habilidade médium lhe faz tentar algum contato com o irmão gêmeo, que morreu repentinamente. Assayas se aproveita dessa tentativa de contato espiritual, aliado ao desconforto da garota de praticamente não viver sua própria vida no momento, não há nada reconfortante a seu dispor (apartamento dividido com alguém, a distância de todos, a dor da perda). Nisso tudo, o emprego temporário como assessora de compras de uma celebridade apenas corrobora nesse estranhamento/distanciamento.

A citada sequencia no trem é primordial, até lá já conhecemos os personagens, o mundo de Maureen já está claro ao público. Mas, outra cena parece ainda mais crucial, Assayas traduz os sentimentos e comportamentos reclusos de sua personagem. Influenciada, Maureen cruza os limites e faz algo proibido. O diretor a acompanha pelo apartamento num longo plano-sequencia, sensual e libertador, que brinca com o mistério pela câmera nem sempre conseguir focalizá-la por entre as paredes. Vendo uma cena desse tipo, é fácil compreender porque foi escolhido Melhor Diretor em Cannes. É outro exemplar da filmografia do cineasta francês com clima fantasmagórico, um thriller psicológico de personagens meramente fascinantes.

certasmulheresCertain Women (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Os que gostam do cinema de Kelly Reichardt já podem aumentar o grau de empolgação com seu novo filme, porque este espaço já o considera um dos bons destaques do ano. Sem perder aquele ar de western moderno que seu cinema exala constatemente, Reichardt narra em três histórias, quatro mulheres cujas vidas se cruzam direta e indiretamente, na pacata cidade de Livingston, Montana. Unidas, ela têm em comum, a fortaleza do protagonismo de suas próprias vidas, que impõe não só por sua independência, como pelo desejo (tanto profissional e econômico, quanto amoroso) como um dos pilares motivacionais de cada uma delas.

A primeira é a advogada (Laura Dern), que sofre com seu cliente machista, que não lhe dá ouvidos, e ela precisa se reinventar, além dos seus conhecimentos jurídicos, para cumprir suas obrigações profissionais e até seu orgulho de enfrentar o caso e o cliente, é um bom exemplo. Outro caso é o da mulher (Michelle Williams), que toma a frente das negociações, para adquirir o terreno onde pretende construir a nova casa para ela, seu marido e a filha adolescente. O marido é passivo, ela é quem toma todas as rédeas da situação.

Tomar as rédeas é o que faz a, até então tímida, fazendeira (Lily Gladstone) em sua obsessão romântica por sua professora, e recém-formada advogada (Kristen Stewart). Aliás, vale o parênteses de que é costume encontrar destaque para as três estrelas famosas do filme, e omitir o nome de Lily Gladstone, que talvez seja a grande interpretação, e o grande personagem da trama de Reichardt. Longe de arroubos dramáticos, decidida e contida, ela é guiada por seus instintos e Gladstone traduz todas a segurança, e as incertezas, de maneira límpida e forte.

A cada novo filme, Kely Reichardt consolida-se como um dos nomes fortes, e com pegada autoral própria, dentro da cena de cinema indie americano que foge dos cacoetes de uma cinema de losers geeks (nerds) que virou moda no Festival de Sundance. Reichardt é um dos poucos casos de um cinema indie com características suas, que fogem dessa cartilha, e trazem oxigênio e sustentação a uma cena indie além dos arquétipos de personagens que se repetem à exaustão. São quatro mulheres ditas comuns, em fatos realmente triviais, mas que colocadas sob uma perspectiva, apontam certamente a posição igualitária feminina, que o cinema tenta intensificar enquanto as injustiças da sociedade moderna ainda não teve coragem de corrigir.

quandoteconheciEquals (2016 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Romances futuristas são um tema que vem sido explorado em alguns filmes, mas os resultados são bastante questionáveis. A Ilha ou Não Me Deixe Jamais, e até mesmo um dos episódios da série Black Mirror, são alguns desses exemplos recentes, que naufragaram na tentativa de enxergar um futuro em que a humanidade viveria ludibriada por seus líderes, vivendo a vida entre ser um robô e gado. E em todos estes filmes, o amor é colocado como objeto da discórdia, da não-aceitação.

Foi a vez de Drake Doremus se aventurar, após o sucesso indie Like Crazy, que o colocou em destaque. E, tal qual os demais trabalhos do subgênero, seu filme peca pela excessiva preocupação com a frieza mecânica, em explicar apenas os mecanismos da nova sobrevivência social. São todos roteiros diferentes, mas quase filmes irmãos, como se houvesse uma convenção desse subgênero com regras claras e bem estipuladas (tons brancos por todos os lados, diálogos sem emoção, a revolta sentimental). Silas (Nicholas Hoult) e Nia (Kristen Stewart) são o casal às escondidas, que colocam em xeque o establishment para lutar pela sobrevivência de seus sentimentos. Quase sempre são filmes com final amargo, mas mesmo que eles tenham finais felizes, estão sempre presos dentro de uma estrutura que camufla qualquer assinatura autoral, gélidos como seus filmes-irmãos.

cafesocietyCafé Society (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Como todos os anos, Woody Allen vem lançando um novo filme, ou quase sempre uma variação de um mesmo tom. Algumas vezes acerta mais, outras menos, e invariavelmente agrada grande parte de seu público cativo. Lá se foram os tempos em que tentou experimentar, agora com oitenta anos que ele usa e abusa das fórmulas infalíveis de garantir sua presença nos circuitos de cinema. Romances com um personagem alter-ego seu, quase sempre em Nova York, com boas doses de comédias, neuras, famílias judias e jazz. São assim seus filmes.

Suas lentes retornam aos anos 30, mais precisamente Hollywood. No mundo de sonhos da indústria do cinema que o diretor cria sua história de amor, um local onde a fantasia tão presente que o roteiro cria personagens com traços de pés-no-chão. Longe da originalidade, depende do subjetivo para se entregar mais, ou menos, ao relacionamento vagaroso entre o aspirante a roteirista (Jesse Eisenberg) e sua colega de trabalho ( Kristen Stewart). A moça tem um relacionamento secreto, que se torna a chave para os destinos de diversos personagens.

Pela história passam-se anos, e Allen cria um curioso estudo (permeado por toda essa embalagem de seus filmes a qual estamos acostumados) das mutações do amor pelo tempo, das relações entre as pessoas, e da quebra da ilusão de nem sempre conseguir viver aquele que se considera o grande amor de sua vida.

parasemprealiceStill Alice (2014 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Com muito atraso, mas finalmente chegou a vez de Julianne Moore. Não houve competidora para ela, no Oscar de melhor atriz, dessa vez, ganhou todos os planos da corrida do Oscar até a estatueta dorada. O filme? Bem o filme serve apenas a este proposito, fazer justiça com o trabalho errado.

A doutora em linguística, mãe de três jovens adultos, acometida precocemente de Alzhmeier, oferece a Moore todas as artimanhas cativantes à Academia. Explosões de emoção, momentos contidos, discursos emocionantes, o filme pode abusar dela, mas ela está sempre ali, correspondendo com o talento que vai da doçura ao ápice da dramaticidade.

No meio daquela coisa redonda e modorrenta, melodramática, que carrega sem dó da trilha que tenta emocionar o público mais fácil. É tudo hermeticamente preciso para ser rasteiro, emocionante, a breguice da dramaturgia. Os responsáveis por esse tom inofensivo são os diretores Richard Glatzer (que faleceu esta semana) e Wash Westmoreland, incapazes de aproveitar o ótimo elenco (não faltam oportunidades tendo Kristen Stewart como filha rebelde, e Alec Baldwin como marido). Mas não, eles preferem o draminha barato, a emoção na medida doce.

acimadasnuvensClouds of Sils Maria (2014 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Irma Vep encontra ecos de Ingmar Bergman. O prolífico Olivier Assayas reencontra a metalinguagem, a mistura de vida real/ficção, o espelho entre personagem e vida profissional de uma atriz. Maria (Juliette Binoche) é uma das grandes atrizes do cinema europeu, vive um momento delicado com divórcio, a morte do grande amigo dramaturgo e a pressão por voltar à peça de teatro que a consagrou há décadas, dessa vez no papel da protagonista mais velha.

Personagem-chave é sua assistente (Kristen Stewart) pessoal, que não só vive como companhia e babá, mas também a confronta, expõe opiniões, a ajuda nos ensaios. O texto é de grande complexidade, o confronto entre as duas se dá nos ensaios, e fora deles. Nas montanhas de Sils Maria passam nuvens que se parecem com uma cobra, entre as montanhas e a cabana a intensidade do relacionamento entre essas mulheres lembra Persona, porém regido por outros temas, por outras alternâncias.

Em seu filme, Assayas provoca a exposição na mídia de astros, as diferenças entre ser ator nos EUA e Europa, a arrogância e a futilidade, o mundo dos tabloides. Porém, principalmente, o jogo entre o jovem e o velho, a dificuldade de aceitação do envelhecimento. Jo-Ann Ellis (Chöe Grace Moretz) coloca mais lenha na fogueira das vaidades, nos confrontos femininos. Ela é a atriz que assumirá o antigo papel de Maria, a atriz do momento que debocha da mídia, que perde a linha, que enlouquece os adolescentes. Ingredientes preciosos para Assayas apimentar os dramas de Maria, expor suas vaidades e imperfeições.

Os ecos de Bergman ecoam pelas montanhas de Sils Maria, a intensidade sexual é substituída por conceitos pessoais, pela vida real que se mistura com o profissional (nisso, a assistente pessoal é a mistura da mistura), por essa vaidade de quem já tem tudo na vida e ainda tão carente.

festivaldecannes_2-650x400Em poucas horas começará a cerimônia de premiação da 67a edição do Festival de Cannes. Diferentemente dos últimos anos, este ano, este blog, não postou a repercussão diária das exibições, é muito trabalhoso e não deu tempo. Isso não quer dizer que o festival não tenha sido acompanhado, bem de pertinho. Agora que a imprensa já foi apresentada aos 18 filmes em competição e as mostras paralelas já conhecem seus premiados, podemos ter algumas expectivas, além dos favoritos que são apontados em diversas listas na internet.

Não parece ter sido uma edição de filmes que nos deixam ansiosos para conferir, mas há destaques bem interessantes entre monstros do cinema, ou novidades desconhecidas. Para quem gosta de quadro de cotações, vale uma olhada nesse link aqui, com críticos de muitos países, ou da revista francesa Le Film Français.

As frustrações começaram pelo filme de abertura, Grace de Monaco (Olivier Dahan) não agradou ninguém. The Search (Michel Hazanavicius) foi o mais vaiado com seu drama sobre a Chechenia, impressão de que o diretor de O Artista é realizador de um filme só. Captives (Atom Egoyan) foi outro que ninguém entendeu o que estava fazendo na competição (e eu não entendo porque ele sempre está lá), o filme é sobre sequestro infantil e pedofilia.

saint-laurent-cannes-2014No bloco dos que dividiram as opiniões estão: Saint Laurent (Bertrand Bonello) cinebiografia do estilista francês, com foco na relação com drogas e sexualidade. Jimmy Hall (Ken Loach) foi outro que passou quase batido, sobre um irlandês reabrindo um salão de dança, no meio de uma crise financeira-política, Loach e sua eterna visão socialista. A sensação é que erraram no argentino, Jauja (Lisando Alonso) acabou não premiado na Un Certain Regards, mas foi um dos filmes mais celebrados do festival, porém, na competição estava Relatos Salvajes (Damian Szifron), que até agradou, com suas 6 tramas cheia de atores argentinos conhecidos e humor negro.

Maps to the StarsAinda dividindo opiniões, mas já com alguns elogios que podem levar os filmes a serem lembrados na premiação ficaram: Foxcatcher (Bennet Miller), história real de um milionário e dois medalhistas olímpicos, e um assassinato. Os elogios as inesperadas grandes atuações de Channing Tatum e Steve Carrel foram entusiasmados (desde já um dos postulantes ao Oscar). Maps to the Star (David Cronenberg) ninguém aposta que a sátira sobre Hollywood será premiada, mas o filme agradou muita gente. The Homesman (Tommy Lee Jones) é outro western do diretor, dessa vez com foco em três mulheres cruzando o velho-oeste. O último dia de competição trouxe Clouds of Sils Maria (Olivier Assayas) e as reverências, inesperadas, a atuação de Kristen Stewart (crítico Guy Lodge acha que se ela ganhar a internet vai travar), e o filme também agradou, mas o último filme exibido é sempre carta fora do baralho.

Still-The-WaterAgora chegamos no pelotão da frente. Logo após a exibição, o japonês Still the Water (Naomi Kawase) parecia que ia passar em branco, mas vem crescendo no boca-a-boca, a história trata de dois irmãos numa pequena ilha no Japão. Há quem ame o cinema de Kawase, ela disse que este é seu melhor trabalho, mas muita gente questiona porque tanto ibope para seus filmes. Mommy (Xavier Dolan) é outro sempre questionado, aos 25 anos e com 5 filmes, Dolan é uma aposta dos festivais, muito prestigio (eu só vi o primeiro filme dele é gostaria de ficar bem longe). Se em seu primeiro trabalho ele queria matar sua mãe, este novo filme é uma espécie de vingança. A cinebiografia Mr. Turner (Mike Leigh) sobre o pintor e mulheres complexas a sua volta vem com força para uma possível premiação a Timothy Spall.

Nesse mesmo pelotão ainda estão: o italiano Le Meraviglie (Alice Rohrwacher), a segunda mulher em competição ganhou elogios crescentes com sua história de uma familia cuidando de uma fazenda de mel. A diretora, novamente, foca na adolescencia feminina. Timbutktu (Abderrahmane Sissako) foi exibido logo no começo, nunca foi considerado favorito, mas sempre elogiado por seu drama contudente sobre todas as mazelas religiosas que vive o norte da África, corre por fora em muitos prêmios.

Cannes2014DeuxjoursunenuitFavoritos, chegamos a eles. Pelo que tenho apurado são 4. Porém, um deles com chances nulas de tão reduzidas. Deux Jours, Une Nuit (Jean-Pierre e Luc Dardenne), os irmãos belgas já ganharam a Palma duas vezes. Nunca alguém ganhou uma terceira. A regularidade deles é impressionante, desde A Promessa que eles lançam um filme a cada 3 anos, e sempre estão entre os premiados. Não deve ser diferente, Marion Cotilard é a principal favorita (mas há muitas competidoras) ao premio de atriz. O filme é um fábula moral, um final de semana e uma mulher tentando mendigar seu emprego aos colegas de trabalho.

winter-sleep-cannes-2014-3Winter Sleep (Nuri Bilge Ceylan), o turco é um daqueles que está cada vez mais próximo da Palma, ontem ganhou melhor filme pela Fipresci (ano passado quebrou-se a maldição, mas normalmente quem ganha o Fipresci não leva a Palma). Desde que saiu o lineup eu já considerava ele, e o russo, como os favoritos, e os dois realmente encabeçam a lista. São 3 horas na Capadócia, ao estilo de Ceylan, poucos diálogos, tom poético, cavernas, pequenas tramas com um ator aposentado (Haluk Bilginer, outro com chances) no centro delas.

adieuAdieu au Langage (Jean-Luc Godard), seus filmes estão sempre em Cannes, em mostras paralelas, sua presença na competição significava alguma coisa. Desde os anos 80 que seu cinema chegou a um ponto de agradar a um seleto público (bota seleto nisso), cada vez mais resmungão e de narrativa fragmentada. Dessa vez ele vez com um 3D, e a crítica saiu estarrecida. A sensação que dá é que ele acertou no tom do que vem fazendo há anos, e se aproveitando da nova tecnologia. Seria uma decisão corajosa dar a Palma a Godard, ele nunca ganhou, é um ícone do cinema de autor e uma quebra com todo o cinema tradicional. Mesmo não gostando de seus filmes mais recentes (exceção ao belo Elogio ao Amor), gostaria de ver Godard ganhando para dar essa quebrada com o formalismo protocolar.

Leviathan 1Mas, se eu tivesse que colocar meu rico dinheirinho em alguma bolsa de aposta, ele iria para o russo Leviathan (Andrey Zvyagintsev). Muita gente torce o nariz, eu, particularmente, gosto de seus filmes. Começou com O Retorno (Leão de Ouro em Veneza), depois The Banishment passou batido, e o último, Elena foi premiado na Un Certain Regard (há quem reclame que devia ter passado na competição, naquele ano). Sua exibição de gala na quinta-feira é sinal de prestígio dentro da competição. E, se não é unanimidade, a proporção de admiradores é muito superior, não foram poucos os que pediram a Palma após sua primeira exibição. Poderia ganhar ator, roteiro, direção, mas a aposta é mesmo para ser a Palma de Ouro. Veremos. O filme é ambicioso, com um título desses não era para menos. O filme parece ser um contundente drama sobre a vida russa contemporanea, a corrupção política, a presença da igreja Ortodoxa, o poder, a polícia.

Fora da Competição, além de Jauja, destaques para Welcome to New York (Abel Ferrara) contando o escandaloso caso de Dominik-Strauss. Force Majeure (Ruben Ostlund) sobre o poder de avalanche. O polêmico, e eleito melhor filme na Un Certain Regard, White God (Kornél Mundruczó) e os ucranianos The Tribe (Myroslav Slaboshpytskiy) sem falas, personagens surdos-mudos, e o documentário Maidan (Sergei Loznitsa) sobre os recentes acontecimentos políticos na Ucrânia.