Posts com Tag ‘Kristen Wiig’

Downsizing (2017 – EUA) 

Estamos sempre esperando o grande filme de Alexander Payne, seus projetos tem prometido, criado expectativas, mas nem sempre correspondem. Com seu ar de sempre ter uma comédia dramática na manga, seu novo trabalho esteve na competição principal em Veneza, onde passou em branco. E o filme realmente prometia, afinal, há algo tão americano nele, essa ideia de vida perfeita em comunidade, pregando o bem a todos, vivendo em harmonia.

E de quebra, a oportunidade de tratar temas como aquecimento global, superpopulação, e possibilidades de preservar nosso planeta. Lembre-se de Querida, Encolhi as Crianças, e pense em tratar no tema de maneira séria. Um experimento que possa diminuir as pessoas de tamanho, dessa forma gastaríamos menos dinheiro com tudo, produziríamos menos lixo e etc.

O ponto é que o roteiro quer sair dos temas globais para ter algo mais individual, uma maneira de dramatizar e assim ter mais apelo com o público. Matt Damon é quem interpreta o personagem que nos permite invadir esse mundo de gente pequena, e com ele vem suas características dramas pessoais, e os temas são banalizados pela problemática pessoal de um personagem que já vimos zilhões de vezes no cinema. E os temas vão passando, desperdiçados, surge uma oportunidade de ouro quando trata diferença de classes, trabalhadores braçais, e rapidamente o tema se esvai. O que resta? Meia-duzia de personagens que orbitam em torno do protagonista, entre piadas e dramas de uma vida cotidiana, e tão trivialmente individual. Payne nos entrega seu pior filme, saudade do curta dele em Paris, Te Amo.


Festival: Veneza 2017

Mostra: Competição Principal

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theskeletontwinsThe Skeletons Twins (2014 – EUA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Sundance e seus filmes indies, com losers fofinhos, crises existenciais e trilha Sonora característica. Quando o festival conseguirá escapar do estigma desse cinema rotulável e repetitivo? Enquanto o festival está longe de ser referência num cinema moderno, vamos aturando a melancolia de filmes que nascem da mesma forma de sapato.

O diretor Craig Johnson não demonstra nenhum sinal de tentar escapar desse formato, portanto, bingo, seu filme foi selecionado. O drama conta a história de dois gêmeos suicidas (Kristen Wiig e Bill Harder, mesmo que estejam 10 anos sem se ver, tentam o suicídio no mesmo momento. Promissor não? Tentando resgatar os anos de convivência, o casal de irmãos passa um tempo juntos, briga, entra em crise, se envolve na vida do outro. A festa da intimidade em família. O roteiro ainda tenta ter alguma esquisitice indie, para dar aquele ar cool (no caso a afeição dos dois por esqueletos). Sundance segue nivelado por baixo.

avidasecretadewaltermittyThe Secret Life of Walter Mitty (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Essa nova adaptação do conto originalmente publicado na revista The New Yorker passou por muitas mãos antes de chegar a Ben Stiller. Desta vez, o pacato Walter Mitty trabalha na Life (pouco antes da revista deixar as bancas e se tornar apenas virtual). Ele sonha (acordado) com grandes aventuras, mas não consegue se desprender de suas características de loser introvertido até encontrar em uma paixão a mola propulsora para se tornar um galã aventureiro.

Como diretor, Stiller flerta com o cinema indie (tentando referências aqui e ali), sem deixar de buscar o grande público, com sequências de ação, muitos efeitos especiais e uma “lição de moral” enrustida (que o próprio diretor Stiller não respeita, mas venderia muitos livros de autoajuda).

Enquanto o filme se perde nesse zigue-zague entre o cinemão e pitadas de cult, Stiller está na pele de um Mitty com cabelos brancos, se aventurando de skate, pulando de um helicóptero. É o exagero que faz dessa vida secreta de Mitty algo tão fora da curva. É com essa megalomania ao extremo que Stiller joga pelo ralo seu conto sobre viver a vida, desprender-se das amarras, arriscar. Isso, sem falar no humor que exagera nas tintas, encontrando no “fazer de bobo” a única saida para divertir. Como se sair pelo mundo fosse lhe trazer dinheiro e felicidade, e a mulher dos seus sonhos.