Posts com Tag ‘Kristin Scott Thomas’

onlygodforgivesOnly God Forgives (2013 – FRA/TAI/EUA/SUE) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Nicolas Winding Refn utiliza a força das cores como poucas vezes se viu no cinema, são berrantes, sólidas, praticamente perfeitas. Causam um vislumbre visual único, poderoso, impactante. Refn segue seu trabalho estilístico que já fora celebrado em Drive, seu cinema é violento, e puro estilo.

Mas esse estilo é tão soberbo que não permite espaço para o restante, Refn praticamente se coloca como um Tarantino sem grandes diálogos ou o espaguete que faz de Quentin o sucesso pop. Não, Refn faz mais o papel do estiloso autoral, aquele que não deixa espaço para discussão, e faz questão de vir à tona com uma história, no mínimo, não digestiva.

É a vingança, como em Kill Bill, há também uma loira capitaneando (no caso, Kristin Scott Thomas), mas estamos na Tailândia, entre boxeadores, o tráfico e um código de ética de marginais. Refn trabalha com a violência em câmera lenta, aliás com cada cena como se fosse definitiva, tenta fazer do timing seu trunfo, mas há tão pouco para preencher esse timing (além das cores tão preponderantes), que qualquer passo dessa vingança só parece com história contada por uma criança bem mimada.

dentrodacasaDans la Maison (2012 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

De uma redação tirando o tédio de um professor de frances, para um jogo de manipulação e sedução protagonizado por um adolescente invadindo uma familia comum de classe média. François Ozon volta ao suspense, flerta com Hitchcock e Chabrol, cria numa série de capítulos um perigoso jogo de envolvimento aluno-professor que fere a ética, tudo em prol de se tornar o mentor de um talento, ou de um capricho vouyer.

Interessante c omo Ozon envolve a trama, tanto na interação de leitura do professor (Fabriche Luchini) e sua esposa (Kristin Scott Thomas), com quem divide as novas aventuras de seu aluno, quanto na invasão de privacidade do jovem Claude Garcia (Ernst Umhauer). O garoto tem em suas mãos a tudo e todos, de forma tão hábil que perde o ponto do crível, Ozon vai além do que poderia e perde a mão do que parecia um engenhoso formato.

O fascínio ganha espaço do que parecia ser um misto de ficção e realidade, e dos aprendizados de um aluno até culminar na destruição desnecessária de personagens tão ligados ao poder do fascínio.

Elle S’appelait Sarah (2010 – FRA)

França, Segunda Guerra, Judeus, Vichy, voce já ouviu essa história, já escutou alguém dizer sobre a vergonha francesa por essa passagem “negra” na história francesa. Jacques Chirac retomou esse passado  num discurso que mobilizou o mundo, finalmente o governo frances assumindo os atos de parte da nação. O cineasta Gilles Pasquet-Brenner traz a tela o livro narrando a história da pequena Sarah, que como tantos outros judeus foi arrancada de seu apartamento e levada a um campo de concentração. Entre o momento atual de uma jornalista (Kristin Scott Thomas) e sua investigação sobre o paradeiro de Sarah, o filme faz um paralelo melodramático entre a relação indireta entre a família de seu marido (Frédéric Pierrot) e a vida de Sarah.

Não é bom cinema, é só mais uma história interessante narrada de forma óbvia, com trilha sonora delicada para forçar o drama e interpretações protocolares, pura transposição do livro sem nada especial, sem grande inspiração (além do drama atual que pouco traz de relevante). Daqueles filmes que voce se liga realmente por seu conteudo histórico, pela milonésima visão do mesmo fato, mas com alguma coisa que te atraia (aqui, principalmente a força do acontecimento (Rafle du Vel d’Hiv) que marcou o ano de 1942, quando 13 mil judeus em Paris foram arrastados ao Velódromo de Inverno.

Encerrando uma pequena série de 3 filmes de 1996 revistos, por acaso.

The English Patient (1996 – EUA)

Há certo tom de requinte, a história de amor vivida no deserto pelos personagens de Ralph Fiennes e Kristin Scott Thomas tem seu charme e elegância, é o que de melhor consegue impor o diretor Anthony Minghella. Claro que ele não deixaria de lado as suas manias grandiosas, o uso da fotografia atrelado a um que dramático, a lentidão que não favorece.  Com isso, o filme tem seus momentos gélidos, sem empolgação. Todo narrado em flashback, a história ainda se divide com a Guerra quando a enfermeira (Juliette Binoche) desiste de seguir com o pelotão e opta por cuidar do misterioso homem queimado que perdeu a memória e mal suporta a dor mesmo com morfina. Outros personagens orbitam, outros dramas de Guerra, tudo coadjuvante desse romance em terras africanas, entre geógrafos e traições