Posts com Tag ‘Kyle Chandler’

manchester-by-the-seaManchester by the Sea (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Sim, realmente existe uma cidade em Massachusetts chamada Manchester by the Sea, com população de pouco mais de cinco mil habitantes. A nova história familiar universal, do diretor Kenneth Lonergan, poderia novamente ter ocorrido em qualquer lugar do mundo, como emoções e situação tão possíveis da realidade de qualquer um, mas por estarem representadas numa cidade tão pequena quanto esta, representa ainda mais.

Estamos diante de um sujeito arisco, Lee Chandler (Casey Affleck), que abdicou da vida social para, apenas, sobreviver, com seu emprego de zelador em Boston. A morte prematura do irmão (Kyle Chandler), o obriga a retornar, provisoriamente, à pequena Manchester, para tomar conta do sobrinho adolescente (Lucas Hedges), e, invariavelemte, enfrentar seus traumas do passado. Entre flashback’s e a transição dos envolvidos com a perda, o filme abre os detalhes da amargura de Lee, e dos personagens à sua volta em memórias e reencontros. E, nos coloca diante da dor insuportável da perda, aquela que pode não nos deixar caminhar adiante.

Foram apenas três filmes em dezesseis anos, talvez por conta de roteiros tão elaborados. Novamente nos situamos diante da relação tio-sobrinho, num filme de Kenneth Lonergan, e de tantas camadas de complexidade em relações humanas. Antes o diretor desenvolvera histórias de famílias ou situações complicadas, dessa vez, ele traz o peso do passado para um novo dilema trágico. O detalhe de ser numa pequena cidade é crucial para entender, e intensificar, um pouco da necessidade de Lee se afastar daquele passado. Em duros golpes no âmago do público, Lonergan e Casey Affleck oferecem o escancaramento das feridas incuráveis de um homem, que devido a nova tragédia, precisa reviver sentimentos angustiantes e jamais superados.

Prepare-se para sentir na pela a dor de Lee, que o filme teima em nos colocar de forma nada melodramática. Seca quanto o frio daquele inverno em New England, dura quanto a realidade daquela fatalidade, e do peso emocional que o tempo ainda pode provocar nos envolvidos. Não é um filme sobre superar, longe disso, é um filme sobre ter coragem para lidar: com suas obrigações familiares e com o peso do horror de um passado insuportável. Mesmo tendo, simplesmente, desistido, aprisionado como um criminoso dentro de sua própria rotina e seu próprio cárcere. Cenas, por exemplo, como a do reencontro com a ex-esposa (Michelle Williams) não deveriam ocorrer, mas são exatamente estas que dão a tônica do que simplesmente ocorre na vida, e marcam profundamente nossas vidas, até o fim.

CAROLCarol (2015 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

E Todd Haynes não erra novamente. Um dos grandes, e mais inventivos, cineastas americanos contemporâneos. Dessa vez traz, um romance, ao charme da Nova York dos anos cinquenta. Filme de emoções contidas, porém vividas intensamente nos olhares. De amores reprimidos pelas convenções sociais, e Haynes conduz a narrativa com primor cinematográfico, o todo é de encher os olhos e causar angústia pelos obstáculos impostos.

A atração entre a jovem vendedora Therese (Rooney Mara) e a elegante madame Carol (Cate Blanchett) é imediata, uma conexão inexplicável dentro da loja onde Therese trabalha. Dai em diante, Haynes não desperdiça um fotograma enquanto adapta o romance escrito por Patricia Highsmith. O romance se constitui lentamente, o jogo da conquista ocorre em movimentos tímidos, com naturalidade e preocupação comedidas. O diretor já havia realizado Longe do Paraíso, mas se aquele lembrava os melodramas de Douglas Sirk, seu novo filme é puro requinte e sofisticação. Os diálogos, a atmosfera, a trilha sonora, ou a fotografia, o conjunto gerenciado pelo diretor Todd Haynes resulta num dos mais belos filmes do ano.

the_spectacular_nowThe Spectacular Now (2013 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Em seu primeiro filme (Smashed) o diretor James Ponsoldt retratava um casal tão alcoólatra que um deles percebe que, mesmo apaixonados, o único caminho é a separação. Dessa vez ele regride alguns anos, o foco é o jovem Sutter (Miles Teller), um típico adolescente pré-faculdade, festeiro, divertido, e bebedor compulsivo. No processo de perder a namorada (Bire Larson) e começar a sair com a reservada (Shailene Woodley), seu desejo de encontrar com o pai (Kyle Chandler) fica mais latente. E, vovamente é o álcool a grande mola propulsora da trama.

Cartas à mesa, James Ponsoldt não consegue nem a profundidade do drama familiar, e muito menos o romance indie a que se propõe. Quer tratar o assunto a sério, mas de forma natural, neutra, sem grandes abalos. Parece antagônico, é o espírito do cinema indie americano, e a necessidade de alertar aos perigos da juventude americana. Outro da decepcionante safra de Sundance 2013.