Posts com Tag ‘Laetitia Casta’

faceVisage (2009 – FRA/TAW) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Um diretor de cinema taiuanes (Lee Kang-Sheng) vai a Paris filmar, no Louvre, sobre o mito de Salomé. Falar que ele tem problemas de comunicação por não falar inglês/francês, que sua mãe morre durante as filmagens, ou que o ator protagonista é de um temperamento indomável (Jean-Pierre Léaud) é uma forma de tentar resumir a sinopse. Eu sei que acabei de fazer isso, mas é extremamente desnecessário.

Isso porque Tsai Ming-Liang segue com seu estilo narrativo (posionamento de câmeras em ângulo, a água que inunda um apartamento, inserções musicais, o sexo como forma de desejo primitivo), mas, dessa vez, num nível ainda mais elevado do abstrato. Um conjunto de cenas que seguem uma ordem lógica, mesmo que pareçam não se esforçar no contar uma história. Trata-se de seu maior trabalho de percepção, um encontro com o mundo das artes, um flerte com a cultura europeia (um quê de Truffaut aqui e ali).

Gainsbourg – Vie Heroique (2010 – FRA) estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Não poderia ser mais pobre a cinebiografia desse ícone da música popular francesa dos anos sessenta. Polêmico, libertinoso, sensual, a vida do poeta judeu Serge Gainsboourg (Eirc Elmosnino) vem às telas sob a visão do cartunista Joann Sfar. Desse estilo, fábula em quadrinhos, criado por Sfar, o que melhor se salva é a fase criança, a relação com os pais e o amor/ódio pelo piano. Entra em cena um personagem imaginário do garoto, uma criação que mais parece sua consciencia mais perversa. E tal personagem flertará com ele (no filme) pelo resto de sua vida, da ascenção à destruição.

De resto, as grandes canções, as grandes mulheres e os casos amorosos, apenas caem como para-quedas e desaparecem como chuva da vida e do filme. A sensualidade das canções passa quase desapercebida, Juliette Gréco e Brigitte Bardot meras figurantes, só Jane Birkin consegue algum destaque. O que parecia impossível, Joann Sfar conseguiu perfeitamente, tirando os cigarros, a cinebiografia de Gainsbourg vem comportada e apática.