Posts com Tag ‘Lambert Wilson’

amoresparisiensesOn Connait la Chanson (1997 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Diálogos interrompidos por momentos musicais (funcionando como uma espécie de liberdade do público em enxergar a consciência, o desejo de seus personagens). A leveza por trás de tudo, Alain Resnais novamente atacando nas pequenas coisas da vida, o cotidiano. O roteiro é do casal Agnès Jaoui e Jean-Pierre Bacri, eles também estão no elenco, juntamente com os habitués de Resnais. Os trabalhos do casal são sempre marcados por um humor ácido, e também por essa leveza que Resnais parece elevar a graus de flutuação.

Encontros e desencontros amorosos, coincidências que aproximam ou causam confusões. Amores Parisienses trata dos tipos que habitam Paris, a forma como se relacionam entre eles e a cidade. Os novos prédios, a vista da Torre Eiffel, os museus, e as decepções, os amores, e as depressões. Sorrisos, pequenos toques de genialidade, Resnais e sua trupe transformando o abstrato em real, quase tangível. É gracioso, é simpático, sem deixar de ser autêntico. Tirar o maravilhoso da simplicidade, é assim que Resnais segue flertando com todos os tipos de arte, e absorvendo cada uma delas em seu cinema, a música aqui é mais que uma ferramenta, é o puro charme.

vocesaindanaoviramnadaVous N’Avez Encore Rien Vu (2012 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

O altamente teatral, Alains Resnais, retoma esse diálogo entre palcos e cinema. Dessa vez coloca em cena uma versão de Eurídice, e usa alguns dos maiores atores franceses para contracenar e se integrarem a um grupo de jovens. O mote é simplesmente genial, a forma como Resnais encontra para reunir esse elenco (Sabine Azéma, Michel Piccoli, Mathieu Amalric, Lambert Wilson, Pierre Arditi, e Anne Consigny, a lista é extensa) e fechar a trama, é simplesmente sensacional.

Mas, o filme é mesmo sobre essa representação da peça, e os atores veteranos (utilizam seus próprios nomes) interpretam com um misto de carinho e paixão, ternura oriunda de um pedido especial de um grande amigo dramaturgo (Denis Podalydès). A história de amor de Eurídice e Orfeu, o jogo que mistura a projeção do grupo teatral e os veteranos que não resistem a simplesmente assistir, e voltam a atuar os papéis que viveram há muitos anos. Resnais traz vigor, sintetiza teatro e cinema, e realiza assim um dos melhores filmes do ano.