Posts com Tag ‘Lars Eidinger’

acimadasnuvensClouds of Sils Maria (2014 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Irma Vep encontra ecos de Ingmar Bergman. O prolífico Olivier Assayas reencontra a metalinguagem, a mistura de vida real/ficção, o espelho entre personagem e vida profissional de uma atriz. Maria (Juliette Binoche) é uma das grandes atrizes do cinema europeu, vive um momento delicado com divórcio, a morte do grande amigo dramaturgo e a pressão por voltar à peça de teatro que a consagrou há décadas, dessa vez no papel da protagonista mais velha.

Personagem-chave é sua assistente (Kristen Stewart) pessoal, que não só vive como companhia e babá, mas também a confronta, expõe opiniões, a ajuda nos ensaios. O texto é de grande complexidade, o confronto entre as duas se dá nos ensaios, e fora deles. Nas montanhas de Sils Maria passam nuvens que se parecem com uma cobra, entre as montanhas e a cabana a intensidade do relacionamento entre essas mulheres lembra Persona, porém regido por outros temas, por outras alternâncias.

Em seu filme, Assayas provoca a exposição na mídia de astros, as diferenças entre ser ator nos EUA e Europa, a arrogância e a futilidade, o mundo dos tabloides. Porém, principalmente, o jogo entre o jovem e o velho, a dificuldade de aceitação do envelhecimento. Jo-Ann Ellis (Chöe Grace Moretz) coloca mais lenha na fogueira das vaidades, nos confrontos femininos. Ela é a atriz que assumirá o antigo papel de Maria, a atriz do momento que debocha da mídia, que perde a linha, que enlouquece os adolescentes. Ingredientes preciosos para Assayas apimentar os dramas de Maria, expor suas vaidades e imperfeições.

Os ecos de Bergman ecoam pelas montanhas de Sils Maria, a intensidade sexual é substituída por conceitos pessoais, pela vida real que se mistura com o profissional (nisso, a assistente pessoal é a mistura da mistura), por essa vaidade de quem já tem tudo na vida e ainda tão carente.

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todososoutrosAlle Anderen / Everyone Else (2009 – ALE) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O jovem casal Chris (Lars Eidinger) e Gitti (Birgit Minichmayr) viaja para a deliciosa casa dos pais dele, para curtir férias na região de Sardenha. A cineasta Maren Ade, pacientemente, formula as bases desse relacionamento. A garota, explosivamente amorosa, enquanto ele, retraído e incapaz de um “eu te amo”. A convivência intensa demonstra duas pessoas duras, fora de sintonia, altos e baixos que transformam brigas em sexo ou risos, numa velocidade alucinante, como um casal de porco-espinhos que não consegue se abraçar sem espetar o outro.

A vontade por tensão a cada plano é tão inflamada, nesse desejo de Ade, em fazer um filme minimalista, que o amor quase histérico de Gitt, e a insensibilidade sem limites de Chris, não conseguem exatamente o efeito almejado, quando o filme chega à máxima da discussão da relação. A sensação é de que aquelas férias não têm fim, que aquele filme não tem fim, e que a loucura deles pode nos contaminar a qualquer momento.