Posts com Tag ‘Laura Dern’

The Tale (2018 – EUA) 

Um dos destaques da última edição do Festival de Sundance, o drama autobiográfico de Jennifer Fox tem os temas perfeitos para algumas das grandes bandeiras do feminismo e do empodeiramento: abuso sexual de menores, mulheres fortes.

Laura Dern é o alter-ego da diretora, essa mulher que enfrenta o resgate de quando tinha treze anos e teve um relacionamento com um adulto. Não chega a ser totalmente tradicional em sua narrativa, mas longe de ser um primor de cinema, sua força está realmente concentrada na maneira sóbria e delicada com que trata as mulheres da história (Jennifer em duas épocas, a mãe, a treinadora), enquanto encontra na insegurança das memórias uma forma de dar ainda mais humanidade à personagem.

Dessa forma, Jennifer se lembra dos fatos, e o filme vai contando sua história enquanto ela parte ao reencontro de todos que viveram ao seu lado aquele momento, a memória a confunde, alguns ajudam a completar e assim o filme volta a algumas cenas para reconstruir. Tudo isso, sem perder seu foco nos dilemas do abuso sexual, e na necessidade de discutirmos o tema até que quem sabe a prática seja erradicada e crianças libertadas de situações tão traumáticas e sujas.

Seu filme nem transforma vilões em monstros, assim bem como a frase final em que a pequena Jennifer dá outro significado, que não ser vítima, na situação. Dessa forma, o filme ganha ainda mais força e promete causar impacto, pena que não será visto nos cinemas, foi comprado e já exibido na tv pela HBO nos EUA.

certasmulheresCertain Women (2016 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Os que gostam do cinema de Kelly Reichardt já podem aumentar o grau de empolgação com seu novo filme, porque este espaço já o considera um dos bons destaques do ano. Sem perder aquele ar de western moderno que seu cinema exala constatemente, Reichardt narra em três histórias, quatro mulheres cujas vidas se cruzam direta e indiretamente, na pacata cidade de Livingston, Montana. Unidas, ela têm em comum, a fortaleza do protagonismo de suas próprias vidas, que impõe não só por sua independência, como pelo desejo (tanto profissional e econômico, quanto amoroso) como um dos pilares motivacionais de cada uma delas.

A primeira é a advogada (Laura Dern), que sofre com seu cliente machista, que não lhe dá ouvidos, e ela precisa se reinventar, além dos seus conhecimentos jurídicos, para cumprir suas obrigações profissionais e até seu orgulho de enfrentar o caso e o cliente, é um bom exemplo. Outro caso é o da mulher (Michelle Williams), que toma a frente das negociações, para adquirir o terreno onde pretende construir a nova casa para ela, seu marido e a filha adolescente. O marido é passivo, ela é quem toma todas as rédeas da situação.

Tomar as rédeas é o que faz a, até então tímida, fazendeira (Lily Gladstone) em sua obsessão romântica por sua professora, e recém-formada advogada (Kristen Stewart). Aliás, vale o parênteses de que é costume encontrar destaque para as três estrelas famosas do filme, e omitir o nome de Lily Gladstone, que talvez seja a grande interpretação, e o grande personagem da trama de Reichardt. Longe de arroubos dramáticos, decidida e contida, ela é guiada por seus instintos e Gladstone traduz todas a segurança, e as incertezas, de maneira límpida e forte.

A cada novo filme, Kely Reichardt consolida-se como um dos nomes fortes, e com pegada autoral própria, dentro da cena de cinema indie americano que foge dos cacoetes de uma cinema de losers geeks (nerds) que virou moda no Festival de Sundance. Reichardt é um dos poucos casos de um cinema indie com características suas, que fogem dessa cartilha, e trazem oxigênio e sustentação a uma cena indie além dos arquétipos de personagens que se repetem à exaustão. São quatro mulheres ditas comuns, em fatos realmente triviais, mas que colocadas sob uma perspectiva, apontam certamente a posição igualitária feminina, que o cinema tenta intensificar enquanto as injustiças da sociedade moderna ainda não teve coragem de corrigir.

veludoazulBlue Velvet (1986 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Uma orelha encontrada num terreno baldio por um jovem que prima pela curiosidade, uma cantora de boate sofrendo nas mãos de um sádico, uma rede de corrupção policial envolvida com tráfico. Numa daquelas cidades do interior dos EUA, onde as casas não têm muros e há flores espalhadas por todos os cantos,a persona repugnante do sádico Frank Booth (Dennis Hopper) é o líder de uma gangue de arruaceiros que aterroriza a pacata cidade. O excêntrico viciado é comovido pelas canções de Roy Orbinson, mas é o veludo azul que lhe desperta incontroláveis desejos sexuais.

A cantora Dorothy Vallens (Isabella Rossellini) é sua refém sexual, a relação baseada no masoquismo, no puramente bizarro. O curioso Jeffrey Beaumont (Kyle MacLachlan) encontrou a tal orelha e decide investigar clandestinamente após ser incentivado por Sandy Williams (Laura Dern). Acaba ligado a Frank e Dorothy, apaixona-se por ela, que também se sente atraída pelo jovem. Suspense pouco convencional nas mãos do sempre intrigante David Lynch, entre cenas extravagantes há uma curiosa bipolaridade entre o moralismo da sociedade e a bizarrice.

Tudo com um forte cheiro de noir, misturado com cores fortes e o recorte pessoal de Lynch. A superficialidade de algumas sequências é combalida pela inventividade de tomadas delirantes e fabulosas, por mais que a trama siga com poucas surpresas efetivas. Ambíguo, heterogêneo, nos limites do provocante, críticas seladas pelo simbolismo, parece encaixar-se perfeitamente na obra de Lynch, não o bastante para que possa ser unanimidade.

 

parquedosdinossaurosJurassic Park (1993 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Steven Spielberg é sem dúvida nenhuma um idealista. Inova sem medo de errar, e nos projetos mais inventivos dificilmente erra. É um mestre do cinema comercial, um hipnótico do entretenimento. Raros os casos dos que conseguem obter sucessos estrondosos, repetidas vezes, no mundo do cinema. Dessa vez foram os dinossauros o instrumento de fascinação coletiva utilizada por Spielberg, e novamente emplacando uma das maiores bilheterias da história do cinema.

John Hammond (Richard Attenbourgh) é um milionário que decidiu investir em um parque de diversões, onde as atrações são dinossauros, em carne e osso. Seus cientistas conseguiram trazer à vida diversas espécies, e com um grande esquema de segurança John transforma uma ilha num parque temático. Os investidores têm inúmeros receios, exigem um parecer de segurança, de alguns cientistas especializados, para tocar o proejto em frentes.

Dr. Alan Grant (Sam Neill) e sua namorada, Dra. Ellie Sattler (Laura Dern), juntamente com o Dr. Ian Malcolm (Jeff Goldblum) foram os encarregados em inspecionar a ilha. Dennis Nedry (Wayne Knight), responsável pelos sistemas de computação da ilha, tem planos ambiciosos. O vilão nerd conseguiu alguns compradores interessados em embriões de dinossauro, e para roubá-los ele desliga os sistemas de segurança, no momento em que os especialistas estão inspencionando o parque. Dinossauros à solta, pânico está instaurado.

Baseado no best-seller de Michael Crichton, Spielberg realiza outra aventura alucinante. Calcado nos ótimos efeitos especiais que trazem enorme veracidade aos dinossauros, o cineasta marca época novamente. Mesmo com atuações caricatas e nada além do regular, o filme recria personagens perdidos, constrói um universo perfeito para mais uma aventura inesquecível do mago do cinema de sonhos aventureiros.