Posts com Tag ‘Laura Linney’

The Dinner (2017 – EUA) 

Era para ser algo nos moldes de Deus da Carnificina (deliciosa comédia de Roman Polanski), mas nas mãos de Oren Moverman, o jantar de dois irmãos e suas esposas, para discutir o que fazer após um grave incidente envolvendo seus filhos adolescentes, se torna uma colagem dos ressentimentos dos quatro personagens. É impressionante como o resultado final é desengonçado, desde a atenção dada a seus protagonistas (Steve Coogan domina quase tudo, com um personagem tão egocêntrico tanto quanto se faz de vítima). Enquanto sua esposa, mãe-protetora (Laura Linney), e o outro casal formado pelo politico dominador (Richard Gere), e sua esposa jovem e amorosa (Rebecca Hall) se tornam meros coadjuvantes dessa miscelânea de interrupções e passados resgatados.

Do caos, o filme perde o melhor, que seria desenvolver bem esses personagens, com a acidez que pudesse permitir a muitos se verem dentro da história. Mas não, não há espaço para nada além dessa artimanha de transformar o assunto familiar em jantar caótico, enquanto tentamos compreender um pouco dessa dificuldade de comunicação através dos olhos parciais de Coogan.

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oquintopoderThe Fifth Estate (2013 – EUA/BEL) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

O WikiLeaks causou furor nos últimos anos, com um estilo de jornalismo próprio que permite o anonimato das fontes, o site se tornou uma poderosa arma de denuncia contra governos e grandes corporações. Uma ideia revolucionária. Códigos de conduta em Guantánamo, abusos militares no Afeganistão (vídeos de assassinatos absurdos), corrupção em bancos, o site criado pelo australiano Julian Assange (Benedict Cumberbatch) se tornou uma perigosa arma acusatória, o quinto poder que está acessível a qualquer um.

O roteiro foi escrito baseado em dois livros, WikiLeaks (dos jornalistas ingleses David Leugh e Luke Harding), e Os Bastidores do WikiLeaks, do ex-colaborador do site Daniel Domscheit-Berg (Daniel Brühl), e é uma confusão só. A quantidade de informações se mistura com a vida de Daniel e Assange. O filme é muito sob a visão do envolvimento de Daniel no WikiLeaks, e sua vida enquanto foi colaborador. O filme caminha entre o manter o namoro (Alicia Vikander), seu engajamento com a ideia, e sua entrega completa ao projeto de um Assange que parece um andrógino obcecado por sua criação. Bill Condon dirige em ritmo de thriller envergonhado, jorrando informações técnicasde informática num ritmo de fazer inveja a David Fincher e seu A Rede Social, porém longe de sua perspicácia. A relação com grandes grupos jornalísticos, a perseguição da CIA e FBI, Condon não consegue administrar tantas facetas, emaranhados e desperdiça o potencial da história de Assange e do WikiLeaks.

alulaeabaleiaThe Squid and the Whale (2005 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Talvez seja um dos mais celebrados filmes da recente safra dos indies americanos (se bem que não é tão recente assim). Estão lá todos os cacoetes, como personagens desregrados, um quê loser, o espírito da comédia dramática. Além, é claro, de muita câmera na mão e planos fechados, mostrando um face a face entre atores e público.

Basicamente Noah Baumbach está tratando de um divórcio, da maneira como cada um dos membros da família se relaciona com a nova situação, e a gama de personagens que orbita a volta dos Berkman. Guarda compartilhada, divisão de pertences, e o desgaste da rotina de encontros são apenas os pormenores, o diretor está mais ligado em aspectos psicológicos e comportamentais.

O filho mais novo (Owen Kline) é muito ligado à mãe (Laura Linney), enquanto o adolescente (Jesse Eisenberg) é fã incondicional do pai (Jeff Daniels), e essa é a base da relação familiar que sofre ruptura com a separação. Noah Baumbach e seu roteiro inteligente consegue desenvolver bem essas interrelações pessoais, e trazer à tona a verdade sobre cada um deles. Desfazendo mitos aos próprios personagens, é um pouco cruel, mas, a vida é assim, cheia de pequenas decepções, e da descoberta de que nossos ídolos são feitos de carne, osso e imperfeições.

oshowdetrumanThe Truman Show (1998 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Essa ideia de reality show, de estar sendo observado o tempo todo, já vem desde George Orwell. Antes de sua disseminação como a grande praga do século, o roteirista Andrew Niccol (que dirigiu S1mone, pode-se perceber seu fascínio pelo tema) e o diretor Peter Weir, trouxeram ao cinema essa história do homem vivendo tracando em um programa de tv. Enganado por todos, tendo sua vida fabricada e planejada por um diretor de tv (Ed Harris).

A questão é interessante, a necessidade de libertação humana frente a curiosidade. Não há na trama nada além de alguém vivendo seus dramas corriqueiros, com o detalhe de ser observado (sem saber) por cameras de tv, 24h/dia. Porém, no fundo, seus dramas são o desejo de se libertar, de viver o desconhecido, de se apaixonar. Nada que a vida, natural, não tenha como desafios a todos. Jim Carrey não consegue se desprender de suas caras e bocas, é uma pena, seus filmes dificilmente escapam do estigma de “mais um filme de Jim Carrey”.

 

opoderabsolutoAbsolute Power (1997 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

E se você presenciasse um assassinato? E se o envolvido fosse do alto escalão do governo? Delicado, não? Mas, e se você estivesse assaltando o local na hora do crime? Eis a premissa proposta pelo filme de Clint Eastwood. Luther (Clint) é um assaltante que há tempos não atua, até que decide entrar na casa do magnata Sullivan (E G Marshall). O assalto corria bem, mas Luther ouve barulhos de um casal e se esconde no cofre. O casal era formado pela esposa do magnata (Melora Hardin), e Alan (Gene Hackman), ninguém menos que o presidente dos EUA. Começam uma discussão que acaba em agressão, os seguranças do presidente, assustados, invadem o quarto e disparam. Clint transforma Luther num assaltante-mártir após assistir um discurso do presidente na TV, ficando revoltado contra a injustiça e impunidade. Exagera nesse lado bonzinho, nessa ânsia pelo correto, enquanto o roteiro cria uma rede de policiais e estratégias para incriminá-lo. O resultado é bem banal, e até difícil de engolir.