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O Beijo no Asfalto (2018) 

Interessante os caminhos escolhidos pelo ator Murilo Benício em sua estreia na direção. Adaptando uma peça de Nelson Rodrigues, tudo filmado em branco e preto, como se fosse uma leitura preparatória para o  ensaios da peça. Dali surge um debate sobre os próprios temas da peça, enquanto intercala a leitura com a própria representação das cenas. Na trama, um incidente é completamente alterado pela imprensa, e a vida do afetado muda de pernas para o ar. É um filme sobre a beleza da sinceridade de um momento cuja interpretação alheia eclode para fora do controle, onde preconceito e amor se confunde com aceitação e as próprias relações veladas entre cada um dos personagens.

Cidade Baixa

Publicado: novembro 9, 2005 em Cinema
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Cidade Baixa (2005) 
Uma atualização de Dona Flor e Seus Maridos, à baiana. Num resumo chulo, não passa disso. Com uma roupagem mais moderna, e transferido para o submundo soteropolitano. Além do triângulo amoroso, convivemos com um mundo de exploração sexual, violência, crimes e marginalização. O Brasil sujo que o cinema tanto representa, um submundo de pessoas corrompidas, relações sem escrúpulos e uma intrincada trama de amor.

Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wágner Moura) possuem um barquinho, e sobrevivem de pequenos fretes, acabam oferecendo uma carona para a prostituta Karinna (Alice Braga) e dali surge o romance ardente e conturbado. Os três amam, sentem ciúmes e ainda são obrigados a conviver com a profissão que sustenta Karinna.

Na estréia na direção de Sérgio Machado, há uma preocupação de aproximar o público do submundo, e demonstrar uma vida sem glamour. Uma realidade vai, vibrante, meio encardida. Aquela vida de boteco, de quartinhos cheirando a mofo, aquele mundo que gira nojento em torno dos portos. A vida fácil que o crime aparentemente promete, a briga de galos, as boates e suas dançarinas.

No filme de Machado está explícita a malandragem, mas não aquela romântica. Estamos falando da malandragem da sobrevivência, as brigas de bar com facadas e garrafadas, a experiência marota de fugir de encrenca. A força do filme as interpretações destacadas da dupla de feras do cinema baiano, colocando definitivamente seus nomes no cinema nacional. Cidade Baixa é uma historinha repetidas milhões de vezes, mas dessa vez numa atmosfera suja, bem filmada e sangrando pela tela.

ohomemquecopiavaO Homem que Copiava (2002) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

André (Lázaro Ramos) é muito mais do que um simples operador de foto-copiadora (como ele mesmo se intitula). O jovem de vinte anos, e vida humilde, é um desses brasileiros inexplicáveis pelos economistas, capaz de conseguir milagres com a magra remuneração que recebe, e ainda assim viver sob forte influência de seus sonhos. A influência é tamanha que seu primeiro desejo de consumo foi um binóculos e com ele André enfatiza o voyeurismo que faz sua mente viajar. Agora sua próxima meta é a vizinha que ele observa.

Ele não sabe nem o nome da moça, apenas conhece seus horários e a observa pela janela. André trama milhares de maneiras de conhecê-la, planeja, com detalhes, uma forma de se aproximar. Mas sem dinheiro é muito difícil, como convidar uma garota para sair se nem o cinema ele pode pagar? Daí vem sua primeira grande idéia, porque não tentar fazer uma cópia de uma nota de cinqüenta?

O que se tratava de uma descontraída comédia romântica parte num caminho sem volta para a trama policial. Jorge Furtado extrapola no roteiro, com seu estilo característico (de humor e jovialidade), coloca seu protagonista (usando muita narração em of)f detalhando seu estilo de vida, segundos depois confirma com a imagem o que acaba de ser narrado. Dessa torna seu filme engraçadinho, porém infantilizado ao extremo, fora que a ferramenta chega a ser cansativa de tão utilizada. Outro ponto é a completa transformação dos personagens, para Furtado todos são corruptíveis, e seu roteiro vende facilmente cada um de seus personagens. A simples cópia de uma nota é apenas o pontapé inicial para delitos cada vez mais perigosos.

Mas não pensem que o filme é um equívoco. Todo o desenlace amoroso, com a aproximação do casal, a química entre Leandra Leal e Lázaro Ramos, e as divertidas participações de Pedro Cardoso (naquele personagem que se tornou característico seu). Tudo é armado com diálogos inteligentes, e um romantismo contagiante.

meutiomatouumcaraMeu Tio Matou um Cara (2004) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Duca (Darlan Cunha), narrador em primeira pessoa, é apaixonado por Isa (Sophia Reis), que por sua vez está interessada em Kid (Renan Gioelli), três amigos quase inseparáveis. Enquanto Duca conta ao público sua visão do triângulo amoroso, sua família passa por um pequeno drama familiar, seu tio Eder (Lázaro Ramos)  matou um cara. A vítima? O ex-marido de sua namorada, que foi até sua casa tomar satisfação, pelo menos é essa a história que Eder contou.

A trama rola solta, novas facetas dos personagens a cada reviravolta (seja na área romântica, seja na policial) da história. Tudo cercado com humor característico, sempre com uso de linguagem jovem, leve e divertida, bem ao estilo do diretor Jorge Furtado que tanto descreve o cotidiano adolescente. O roteiro é redondinho, redondinho, na verdade até demais. Despojado, enxuto e ajeitadinho que beira o óbvio. A forma de narração de Duca pende ao infantil, explica demais, e filme que explica demais perde um pouco do brilho. Jovem não é bobo, gosta de ver seu estilo de vida retratado verdadeiramente, mas não precisa que expliquem cada detalhe, eles já os conhecem. Mas Furtado acerta em muitos pontos, coloca seu filme acima de preconceitos, retrata o cotidiano porto-alegrense e o mundo adolescente sem devaneios.

Por outro lado, a publicidade está espalhada por todos os cantos. Provedores de acesso à internet, marcas de cerveja, serviços de entrega de correspondência, sempre que há uma chance os nomes dos patrocinadores tomam conta da cena. É no corriqueiro que o diretor foca seus planos, são as pequenas coisas que buscam identificação do público com os personagens. Darlan Cunha e Sophia Reis são retratos da juventude, Deborah Secco está estonteante, mas só se tratando de sua beleza escultural. Lázaro Ramos é o contraponto de humor da história. Faz graça não só quando está em cena, seu personagem é tema de humor para os outros. Meu Tio Matou um Cara é daqueles filmes gostosos de assistir, mas que não ficam na memória.