Posts com Tag ‘Lea Seydoux’

eapenasofimdomundoJuste La Fin Du Monde / It’s Only the end of the World (2016 – CAN) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Quanto falta para Xavier Dolan deixar de ser histérico? Não fosse isso, seu novo filme poderia ser bem mais interessante, mas o histerismo é mais forte do que o ainda jovem diretor. Lá está ele com novos diálogos à flor da pele, planos bem fechados nos atores, e cortes e mais cortes com conotação de grande intensidade. Fica tudo a ponto de explodir, mas diferente de um Segredos e Mentiras, são apenas todas as cenas assim, apenas todas, e desse excesso histérico que o que há de melhor escapa-lhe pelas mãos.

Louis-Jean (Gaspard Ulliel) vem visitar sua família, após doze anos só por cartas. A visita não é à toa, ele é um doente terminal, e vem contar seu drama à família. Lá encontra todos amargurados pela distância, em discussões intermináveis e recorrentes, que nada resolvem e muito machucam. Com mais sensibilidade, esse encontro de Nathalie Baye, Vincent Cassel, Marion Cotillard e Léa Seydoux poderia ser um filme não menos que inesquecível. Acabou sendo apenas estridente aos ouvidos.

thelobsterThe Lobster (2015 – RU/GRE/FRA/HOL) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

A sociedade chegou a um ponto em que ser solteiro não é mais uma opção. E que os casais precisam de uma forte característica comum para que a união se estabeleça firmemente. Essa é a nova proposta bizarro-provocadora de Yorgos Lanthimos. O cineasta grego se sai bem melhor em seu primeiro trabalho internacional, do que nos anteriores (Dente Canino, Alpes) realizados em sua terra natal. Ele ainda parte do inverossímil e navega pelos mares do incomodo, mas dessa vez encontrana metáfora uma crítica mais contundente, sob uma sociedade feroz e excludente a ponto de eliminar os que não se em encaixam na configuração dessa sociedade.

Um hotel recebe os solteiros que estão no fim da linha para encontrar seu par, caso não consigam até o prazo estabelecido, eles se tornarão um animal. O protagonista é David (Colin Farrel), que acaba de chegar ao hotel e já decidiu pela lagosta, caso não obtenha sucesso em sua cruzada amorosa. A primeira metade do filme narra o ritmo dos hóspedes, as regras, as caçadas aos dissidentes num bosque. É a prepraração que deixa claro o grau de violência e frieza que alguns níveis da sociedade atingiram.

Na segunda parte o foco são os que desistiram do processo, e agora vivem como rebeldes, no meio do bosque. É uma outra sociedade, pretensamente mais libertária, mas ainda assim cheia de regras e limitantes. Nasce um caso de amor, proibido, e Lanthimos trata da sobrevivência desse relacionamento, e das consequências de vivê-lo. De longe, essa segunda parte é seu melhor trabalho no cinema até aqui.

007contraspectreSpectre (2015 – RU) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

O sucesso de Skyfall garantiu outro contrato a Sam Mendes para dirigir um novo capítulo da franquia de James Bond. Os rumores sobre quem será o próximo James Bond tomaram o mundo, como se este fosse o último com Daniel Craig (será mesmo?), tais rumores ajudaram a manter a franquia na mídia, a criar mais expectativa para o novo filme. A expectativa era alta, afinal, há muitos que nunca se apaixonaram tanto pelo agente secreto mais famoso do cinema, até que a nova era (com Craig) trouxesse uma nova roupagem, e talvez o melhor filme da franquia (exatamente Skyfall).

A cena inicial, num falso plano-sequencia longo, culminando com uma grande explosão já fica bem longe das expectativas sob as tão famosas sequencias de abertura. A apresentação musical é frouxa, e repete algumas ideias já usadas tantas vezes em filmes anteriores. Mas, James Bond é assim, tem que manter seu charme, e os filmes só começam mesmo após esses protocolos.

E o que Sam Mendes preparou foi um Bond emotivo e porradeiro. Coadjuvantes que quase nada acrescentam. Bond Girls entre as mais famosas, e lindas (Monica Bellucci e Lea Seydoux) do cinema, mas que também pouco acrescentam. Mendes prefere as lutas em helicópteros, em tentar reciclar piadas que faltam punch, e resgata um clima anos senteta/oitenta da franquia que não condizem exatamente com a nova roupagem.

E o grande trunfo dessa nova fase, que sempre foi o investimento em grandess vilões? Mesmo seguindo a linha, escalando atores conhecidos, pelo recente destaque (Andrew Scott) ou por seu talento (Christoph Waltz), não lhes sobra tanto espaço, além de meras caricaturas, porque o roteiro quer homenagear os filmes mais recentes, e assim potencializar um lado sentimental de Bond. É muito pouco para o retorno do mais temido vilão da franquia. A volta à tona de Spectre merecia outro direcionamento.

________________________________________________________________________________________

Por fim, link para um ranking com os 24 filmes da franquia 007

Foi a primeira vez que assisti a festa de premiação do César, o equivalente ao Oscar da Academia Francesa de Cinema. E é impossível não comparar as festas de cerimônia, e imagino eu, não se encantar com a versão francesa. Basta conhecer um pouco mais do cinema francês, e na platéia ver Arnaud Desplechin, Roman Polanski, Léa Seydoux, Bérénice Bejo, Mathieu Amalric e tantas outras estrelas.

cesar_scarletetarantino

Primeiro, mesmo em sua autohomenagem e celebração de seus melhores, o cinema francês não perde oportunidade de homenagear a maior indústria do cinema, q Hollywood do cinema americano (não em quantidade de filmes, que se sabe que Bollywood e Nollywood profuzem mais filmes). Quentin Tarantino e Scarlet Johansson (ela com homenagem a sua carreira).

cesar_2014

A cerimônia é enxuta, sem parada para intervalos comerciais, sem firulas e delongas. A platéia quase comanda o show. Algum premiado exagera nos agradecimentos? Não tem música alta e nem microfone que se movimenta, a platéia começa a bater palmas e a pessoa “se toca”. Aplausos mais efusivos também para os preferidos, quando as indicações são citadas antes da entrega do prêmo.

cesar-ceciledefranceCécile de France comandou a festa, com graça e leveza, humor e carisma. protagonizou um numero musical, cantando e dançando, e nem precisou sair do palco para apresentar todos os mais de 20 prêmios. César é uma aula de como promover a indústria, de forma chique e agradável, com direito a tapete vermelho, estrelas e flashes, sem perder o glamour.

Sobre a premiação, foi a primeira vez que um filme de estréia foi o grande premiado. Les Garçons et Guillaume à table ! (dirigido e protagonizado por Guillaume Gallienne) ganhou 5 Césars (Filme, Ator, Roteiro Adaptado, Montagem e Filme de Estréia), supreendendo os favoritos Azul é a Cor Mais Quente e Um Estranho no Lago.

Guillaume_Gallienne_Sucesso popular, com 2,5 milhões de ingressos de cinema vendidos, superando os celebrados filmes eróticos (com temática de gays e lesbicas) pode ter uma escolha pelo popular, ou uma total demonstração de que a Academia Francesa ainda não está preparada para consagrar o tabu da libertação sexual. Nessa discussão, fica o texto interessante da Première sobre o assunto.

Outros premiados foram Roman Polanski como Diretor (por Venus in Fur), Sandrine Kiberlain como Atriz (por 9 Mois Ferme). Entre os Coadjuvantes, Adèle Haenel (por Suzanne) e Niels Arestrup (por Quai D’Orsay). Os favoritos se contentaram com o prêmio de revelações, masculina para Pierre Deladonchamps (Um Estranho no Lago) e Adèle Exarchopoulos (por Azul é a Cor Mais Quente). Filme Estrangeiro foi outra surpresa já que havia Blue Jasmine, Django Livre, A Grande Beleza e Gravidade) foi para Alabama Monroe.

Alguns links de videos dos premiados

grandcentralGrand Central (2013 – FRA) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

Também poderia se chamar Amor Radioativo. Filmando numa usina nuclear desativada, a diretora Rebecca Zlotowski resgata os riscos que correm os trabalhadores de usinas desse tipo. As preocupações ininterruptas com contaminação. Baixa remuneração financeira, e outra mazelas. A questão ecológica, o filme-denuncia, são postos de lado. O interesse de Zlotowski é puro e simplesmente no amor.

Um triangulo amoroso é posto na trama, cenas de amor no meio da mata, um ou outro momento de sensibilidade aguçada (a cena do braço de Tahar Rahim encostando na coxa de Léa Seydoux, no banco de trás de um carro). Bem filmado, porém banal. O amor não é transmitido com essa fúria toda, as escolhas não são tão práticas assim. Zlotowski consegue menos do subjetivo do que poderia/deveria, seus amantes mais parecem ligados apenas pelo aspecto carnal.

Adele Exarchopoulos Lea SeydouxLa Vie d’Adèle: Chapitre 1 & 2 (2013 – FRA) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela_cinza

Talvez a sociedade em geral ainda não esteja pronta para tratar o amor, sem rótulos, como Abdellatif Kechiche insiste em apresentar em sua livre adaptação do HQ, Le Bleu Est une Couleur Chaude, escrito por Julie Maroh. O vencedor da Palma de Ouro em 2013, trata do amor da forma mais intensa e explosiva possível. Aquela coisa inexplicável que vai além do racional, que pode ocorrer à primeira vista, numa mera troca de olhares.

Fala-se tanto das longas e quentes cenas de sexo entre as apaixonadas Adèle (Adèle Exarchopoulos) e Emma (Léa Seydoux), quase que restringindo o filme  a considerar tais cenas chocantes ou calorosas. Mas, Kechiche já causava alvoroço em seu filme anterior, quando os homens estudavam as curvas da Vênus Negra, a tratando como um objeto de estudo pavoroso. Dessa vez, Kechiche substitui essa sensação hedionda pelo amor em momentos de entrega sublime.

azuleacormaisquente2O caso de amor lésbico suscita as descobertas de uma garota de quinze anos, que apenas começava suas experiências sexuais, como também as dificuldades de um relacionamento, as seguranças e imaturidades. É um filme completo, 3 horas que marcam começo, meio e fim, passando por dez anos na vida da protagonista Adèle. Diante de tantos planos fechados, Kechicke explora emoções que muitas vezes não podem ser transmitidas por palavras, seja pelo azul (que está nos cabelos, roupas, decorações), mas nos lábios, olhares, na pele que almeja tocar a outra.

É um filme que explora sua protagonista de maneira inquietante, entre as aulas no colégio e no contato com as amigas, passando pela fase adulta e trabalho, mas principalmente nos momentos à dois (na conversa no bar, no banco da praça). Entre o amor e as aflições, Kechiche filma a beleza da vida, do desejo às frustrações.

Minha Irmã

Publicado: janeiro 30, 2013 em Cinema
Tags:, ,

sisterL’enfant D’en Haut / Sister (2012 – SUI/FRA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

A história de uma familia disfuncional é a mesma, o diretora Ursula Meier só vai um pouco além da “marginalidade” do garoto. Normalmente, eles brigam na rua, roubam os colegas, aqui o garoto de 12 anos é um ladrão profissional, com táticas desenvolvidas e expertise. Rouba esquis, reforma, é um negócio.

A irmã (Lea Seydoux), que deveria sustentar e dar exemplo, é uma perfeita largada vivendo às custas dos roubos do irmão. O drama vai em busca dos clichês, a garota perdida e seus relacionamentos frustrados, o menino buscando carinho, e os dois se metendo em encrenca, e uma relação de pura dependencia.