Posts com Tag ‘Leandra Leal’

chato

Chatô – O Rei do Brasil (2015) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Na última semana a mídia bombardeou o público destacando os 20 anos para a realização do filme, piadas e memes deram lugar a curiosidade do tão falado, e muito esperado primeiro filme de Guilherme Fontes, adaptado da biografia escrita por Fernando Morais, e que nesses anos todos (e polêmicas financeiras) chegaram até a aproximar o filme de Francis Ford Coppola.

Atualmente recolocou Fontes em local de destaque, entrevistas em rádio e tv, muito espaço na internet, jornais e revistas. O imbróglio financeiro sempre elencado de forma branda, quase envergonhada por parte da imprensa. Meu ponto é outro, não seria momento de discutir os erros que permitiram ao realizador captar tanto dinheiro, sem responsabilidades sob ele, e quais mecanismos devem ser criados para banir esse tipo de acontecimento? Afinal, o cinema nacional não vive sem financiamento público, portanto esse dinheiro precisaa ser fiscalizado, e esses filmes não podem sair do controle e demorarem anos para seu lançamento. Há os que nem são lançados, portanto a questão é séria e vai ficando de lado.

Falando do filme, tal qual se podia esperar, com tantas dificuldades na produção, filmagens em épocas distintas e a clara megalomania estrondosa que acometeu Fontes, o filme é um grande e desengonçado Frankestein. Há ideias interessantes, principalmente no formato fugindo da clássica e cronológica biografia, preferindo abordar os acontecimentos importantes na vida de Assis Chateaubriand (Marco Ricca) agrupados por tema. Dessa forma, aborda a força da imprensa (principalmente nos eventos da Revolução de 1930, e a eleição de Getúlio (Paulo Betti)).

Por outro lado, é tudo tão exagerado, histérico. Tem no deboche o combustível para constituir a vida desse paraibano, o Cidadão Kane brasileiro (dono de jornais, a tv Tupi, senador, fundador do MASP, entre outros feitos. Esse jogo de excessos transforma o resultado final num fantoche manipulado por esse ego inflado e ilimintável que claramente o diretor Guilherme Fontes se tornou. Capricha no requinte da direção de arte, mas não dá ritmo às histórias paralelas, transformando a cinebiografia num grande programa de auditório comandado por um sub-Chacrinha, onde o burlesco é personagem central, e a figura histórica desse Brasil mero joguete caricato.

OLoboatrasdaPortaO Lobo Atrás da Porta (2013) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Uma criança sequestrada numa escola de periferia do Rio de Janeiro. Na delegacia, pais e suspeita prestando depoimentos contraditórios, nas ruas a polícia investiga pistas e envolvidos. Em sua estreia na direção, Fernando Coimbra apresenta um filme tenso, cheio de flashbacks, idas e vindas, e diversos pontos de vista para um mesmo fato. Não se trata de uma estrutura narrativa nova, mas, quando bem empregada, funciona positivamente, como é o caso.

Os depoimentos servem como start cada um dos flashbacks, trazem à tona casos extra-conjugais, a relação marido-mulher, e o grau de obsessão de uma paixão. O triângulo é formado por Leandra Leal, Milhem Cortaz e Fabiula Nascimento, e até que a polícia (Juliano Cazarré em aparições incríveis) desvende o misterioso sequestro, mergulhamos num típico caso de infidelidade, levado ao extremo. Em algum momento, Coimbra perde a mão do suspense, exatamente quando deveria ocorrer o clímax, a montagem do quebra-cabeças cria uma transição do suspense para mais um drama sobre conflitos extra-conjugais. O que parecia mistério se dissipa numa conclusão que mais parece caso psiquiátrico.

ohomemquecopiavaO Homem que Copiava (2002) estrelaestrelaestrela1_2estrela_cinzaestrela_cinza

André (Lázaro Ramos) é muito mais do que um simples operador de foto-copiadora (como ele mesmo se intitula). O jovem de vinte anos, e vida humilde, é um desses brasileiros inexplicáveis pelos economistas, capaz de conseguir milagres com a magra remuneração que recebe, e ainda assim viver sob forte influência de seus sonhos. A influência é tamanha que seu primeiro desejo de consumo foi um binóculos e com ele André enfatiza o voyeurismo que faz sua mente viajar. Agora sua próxima meta é a vizinha que ele observa.

Ele não sabe nem o nome da moça, apenas conhece seus horários e a observa pela janela. André trama milhares de maneiras de conhecê-la, planeja, com detalhes, uma forma de se aproximar. Mas sem dinheiro é muito difícil, como convidar uma garota para sair se nem o cinema ele pode pagar? Daí vem sua primeira grande idéia, porque não tentar fazer uma cópia de uma nota de cinqüenta?

O que se tratava de uma descontraída comédia romântica parte num caminho sem volta para a trama policial. Jorge Furtado extrapola no roteiro, com seu estilo característico (de humor e jovialidade), coloca seu protagonista (usando muita narração em of)f detalhando seu estilo de vida, segundos depois confirma com a imagem o que acaba de ser narrado. Dessa torna seu filme engraçadinho, porém infantilizado ao extremo, fora que a ferramenta chega a ser cansativa de tão utilizada. Outro ponto é a completa transformação dos personagens, para Furtado todos são corruptíveis, e seu roteiro vende facilmente cada um de seus personagens. A simples cópia de uma nota é apenas o pontapé inicial para delitos cada vez mais perigosos.

Mas não pensem que o filme é um equívoco. Todo o desenlace amoroso, com a aproximação do casal, a química entre Leandra Leal e Lázaro Ramos, e as divertidas participações de Pedro Cardoso (naquele personagem que se tornou característico seu). Tudo é armado com diálogos inteligentes, e um romantismo contagiante.