O Regresso

oregressoThe Revenant (2015 – EUA) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Estamos no século XIX, caçadores ganham a vida se embrenhando por regiões inóspitas, em eterno conflito com indígenas locais. Na trama, Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é atacado ferozmente por um urso, e acaba traído e abandonado por um de seus parceiros (Tom Hardy). O filme se torna uma aventura de sobrevivência, até desembocar na sede de vingança. Claro que tudo isso é exagerado, afinal estamos em outro filme de excessos de Alejandro González Iñárritu.

Os longos planos-sequencias destacam mais energia em meio as lutas sangrentas. O balé da câmera focaliza potencializa o grau de urgência, as batalhas coreografadas entem e saem de foco. Nesse Survivor de época, Iñárritu falsamente discute a honra e a lealdade, seu desejo explícito é causar novo impacto com o grau de violência e a quantidade de adversidades a qual o protagonista (semi-morto) precisa passar para retonar ao grupo. E nesse quadro, DiCaprio cumpre as necessidades com uma atuação de gritos, desespero e a dor física e psicológica dos limites testados a cada instante.

Anúncios

Links da Semana

cameo• As aparições de diretores de cinema, na tela, em seus próprios filmes são chamados de Caemos. Os mais famosos devem ser do Alfred Hitchcock, mas aqui nesse link temos uma coleção dos Cameos de Martin Scorsese [Imgur]

• Jonah Hill e Leonardo DiCaprio brincando com Titanic e Lobo de Wall Street no Saturday Night Live [Youtube]

• E parece que Jonah Hill e o Saturday Night Live estavam inspirados. Dessa vez, com Michael Cera, uma paródia do filme Ela (Her) [Youtube]

• Curiosidades: um link para saber qual o melhor filme de cada pais, no IMDB, considerando as notas que cada filme [Imgur]

• Jesse Eisenberg como Lex Luthor (bizarro, não?), Jeremy Irons como Alfred. O filme Batman vs Superman vem aí, e com mita polêmica [The Playlist]

• Entrevista com Alain Guiradie, diretor de Um Estranho no Lago [Slant Magazine]

O Lobo de Wall Street

o-lobo-de-wall-street-cenaThe Wolf of Wall Street (2013 – EUA) estrelaestrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinza

Martin Scorsese já lançou muitas tendências, já esteve muitas vezes a frente do seu tempo. Ele foi um dos que ressuscitaram o cinema criativo americano (nos anos 70), transformou filmes em clássicos, marcou uma era. Um cara com o talento com o dele, vira e mexe se reinventa, é inexplicável, simplesmente é assim. Enquanto outros tentam se consagrar copiando suas fórmulas (e até mesmo os óculo, não é David O. Russel?), Scorsese vem com algo inusitado, diferente. Um filme debochado, exagerado, com atuações “over” e o humor regado a descaramento e sexo.

Adaptando a autobiografia de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), um corretor da bolsa de valores, que acertou na vida, e enriqueceu, enganando clientes e vivendo de tramoias, Martin Scorsese estraçalha com o sonho do americano médio de um mundo de oportunidades. Troca o glamour por uma obsessão doentio por tudo que é proibido e mal interpretado pela sociedade. Nosso protagonista simpático é um bandido do colarinho branco, viciado em drogas, e principalmente em sexo. Leva a vida num grande deboche porque ganha milhões e pode transar com mulheres sob milhares de dólares.

Um show de DiCaprio, cuja interpretação parece a congruência daquela de o Aviador com o Tom Cruise de Magnólia, recheado desse saboroso descaramento sem limites. A perfeita unificação de jovialidade com a teimosia de quem é o dono do mundo, intocável e inalcançável, a a arrogância com a naturalidade dos milhões de dólares.

o-lobo-de-wall-street-cenaAs longas três horas de duração prejudicam o filme, a última sofre de uma edição mais enxuta, de um polimento que os personagens extrapolados não permitiram. A narração em off, que funciona tão bem para o lado humorístico da trama, cai no banal quando entra em cena o FBI e todo o patriotismo americano (que de uma forma ou de outra está enraizada em casa todos os americanos, Scorsese inclusive). Como resultado final, o Lobo é pura injeção de adrenalina num cinema que patina entre os filmes grandiosos e os indies, sempre entre clichês comerciais focados em bilheteria e nunca no filme em si. Scorsese faz vibrar com cenas beirando o ridículo, mas que no contexto soam tão engraçadas.

O Grande Gatsby

TheGreatGatsbyThe Great Gatsby (2013 – EUA)

Há mais de um ano era tido como o grande favorito ao Oscar, deve mesmo é ser totalmente esquecido, tanto que a estratégica de marketing o coloca com lançamento do verão americano, época de filmes de grande bilheteria e nenhuma presença no Oscar. Também, o fracasso retumbante vem com a marca Baz Luhrmann.

O filme transpira as obsessões do diretor. O exagero visual e pop ofuscam a delicadeza do romance (adaptação do clássico de F. Scott Fitzgerald). Luhrmann prefere transformar as festas em grandes baladas pops com musica techno, perde o glamour da época que ele tenta resgatar com figurinos luxuosos. Interpretações carregadas, como se cada cena fosse definitiva se aproximam do brega, e de uma abordagem tão plastificada que os sentimentos se dissolvem.

O resultado é um filme de época enfadonho, distante dos grandes momentos que o estilo de Luhrmann (e sesu exageros) realizaram com louvor em Moulin Rouge. Há excessos, e escessos, e na exceção do romance do cabaret frances, a carreira de Luhrmann é de exageros chatos, quase insuportáveis.

COTAÇÃO: estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

 

Repercussão: Cannes 2013 – dia #1

Este slideshow necessita de JavaScript.

Estamos de volta com a repercussão da imprensa a cerca dos grandes festivais. Estamos ligados em Cannes e dividindo diariamente os destaques aqui. Com The Great Gatsby foi dada a largada para mais uma edição do festival mais importante do mundo. Enfim, acabou a brincadeira e começou o falatório sobre os principais filmes que farão parte da vida dos cinéfilos ao longo do ano. Que Steven Spielberg (presidente do juri) e sua turma sejam nossos representantes e escolham os grandes filmes da edição.

_______________________________________________________________

THE GREAT GATSBY

TheGreatGatsbyA adaptação de Baz Luhrmann ao clássico de Fitzgerald, já havia estreiado nos EUA, e os jornalistas britânicos furaram o pedido da Warner de não publicar as críticas antes de Cannes. O fato é que o filme apanhou de todos os lados, principalmente devido aos excessos que o diretor tanto adora. Porém, não havia em toda a seleção, outro filme com o mesmo glamour e quantidade de estrelas, era o filme para abrir o festival. Mas, sabiam bem da qualidade, por isso está fora da Competição Oficial.

Críticas: Screen DailyThe GuardianCineweb

Termômetro: pé atrás

A Praia

APraiaThe Beach (2000 – ING/EUA)

Danny Boyle e Leonardo DiCaprio vão em busca da alma mochileira, a coisa da aventura acima de tudo, desbravar o desconhecido, o que seus conhecidos nunca visitaram. Não deixa de ser um lado dos que se aventuram com uma mochila na costa e um destino mal traçado. As novas amizades, as bebedeiras com aqueles que desconhecidas passam a melhor amigo.

Só que as extravagâncias faziam parte do livro adaptado por Boyle, e de jovens viajantes, o filme vai parar numa comunidade isolada do mundo. Nada contra a proposta, mas não, as questões não são bem tratadas, as relações pouco fundamentadas, e A Praia quer ser tudo, menos aquilo que se propunha a ser. Um thriller com tubarões, um thriller contra traficantes cultivadores de maconha, uma descoberta existencialista, o amor arrebatador. Temas demais, loucura demais, filme de menos.

COTAÇÃO:estrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Django Livre

djangolivreDjango Unchained (2012 – EUA)

A tentativa de Quentin Tarantino em resgatar o western spaghetti, prova que mesmo o gênero feito mal e porcamente, não é para qualquer um. O insucesso é todo de Tarantino, sua presença maior do que seus próprios filmes, ganha aqui contornos de exagero, de quem passa a linha. Primeiro porque a presença de Bastardos Inglórios é tão forte, que Django é praticamente  o mesmo filme, tamanha a quantidade de recortes, cópia de cenas e personagens. O cumulo da preguiça, Tarantino refilma mudando atores e figurinos.

Depois porque é muito possível imaginar um filme sem Django (Jamie Foxx), tão apagada é a figura daquele que deveria ser o personagem central. O filme poderia muito bem ser encerrado no embate entre Christopher Waltz e Leonardo DiCaprio, do que dar voo solo ao Django que passou duas horas como coadjuvante. As forças de Tarantino parecem fraquezas, diálogos tolos, inventividade trocado pelo repetitivo, aquela fonte ambulante de inspiração vivendo de reciclar seu próprio cinema. Alemanha Nazista, EUA escravagista, poderia levar sua saga de vingaça atéo Butão, fazer o mesmo filme é enganar o público, Tarantino faz muito melhor.