Posts com Tag ‘Leonor Watling’

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Una Pistola en Cada Mano (2012 – ESP) estrelaestrelaestrela_cinzaestrela_cinzaestrela_cinza

Como é ser homem, atualmente, e viver na faixa dos 40 anos? Que tipos de aflições e medos, dramas e dúvidas, qual o conforto financeiro e as relações amorosas que vivem? Aquele clima de filme coletivo, estilo Paris, Te Amo, com histórias curtas, um quê de comédia, e um elenco de chamar a atenção.  Se o filme não sofre da uniformidade resultante da mão de vários diretores, o cineasta Cesc Gay pouco de interessante consegue agregar, seja pelas histórias banais e nada inspiradas, seja pela abordagem primária.

oquefalamoshomens2Dos que voltaram a morar com os pais, aos que tentam uma escapadinha fora do casamento, ficamos mais atentos apenas à aparição de Javier Cámara na agridoce história do homem que se divorciou e tenta reatar com sua esposa. E, principalmente, ao encontro de Ricardo Darín e Luis Tosar, o traído que seguiu a esposa à casa do amante e o amigo que confunde o nome das namoradas e do cachorro. As demais são muito apagadas, e pecam por um grau de veracidade sem brilho, como se fossem histórias que sequer merecessem serem contadas. Os 8 homens não representam a gama masculina dessa faixa etária, e nem conseguem trazer vidas pitorescas ao público.

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falecomelaHable con Ella (2002 – ESP) estrelaestrelaestrelaestrelaestrela

Deixando um pouco de lado as mulheres e mergulhando no universo masculino. O diretor Pedro Almodóvar começa contando a história de Benigno (Javier Cámara), um enfermeiro que trabalha exclusivamente para Alicia (Leonor Watling). A moça está em coma há quatro anos após sofrer um acidente automobilístico. O enfermeiro cuida de sua paciente com dedicação extra, entrega-se em massagens com cremes, conversa com ela, lê muito, facilmente percebe-se que ele é, completamente, apaixonado pela moça. Em flashbacks o filme nos conta que essa paixão é anterior ao acidente, e que ele vive um estranho sentimento de satisfação por ter encontrado uma forma de aproximar-se dela.

O filme passa a contar a história do jornalista Marco (Darío Grandinetti) e da toureira Lydia (Rosario Flores). Ela tornou-se muito famosa por seus feitos nas arenas e acabara de terminar seu relacionamento com outro toureiro quando conheceu Marco, que queria apenas uma entrevistar. O romance é interrompida quando Lydia sofre um acidente na arena e também entra em coma. Lydia é internada no mesmo hospital que Alicia. Marco e Benigno tornam-se amigos. Começa a exploração, de Pedro Almodóvar, dos sentimentos masculinos. Marco é introvertido, não sabe demonstrar sentimentos. Benigno expressa tudo o que sente, dedica-se de corpo e alma, ao seu amor.

Almodóvar continua trabalhando com roteiros amplamente arquitetados, cheios de nuances, encontros de personagens, revelações. As mulheres são as grandes inspirações destes personagens masculinos. O diretor espanhol usa seu talento para inserir elementos que antes não eram encontrados em seu cinema, como o delicioso filme (dentro do filme) mudo, ou a emocionante cena de Caetano Veloso cantando Cucurucucu Paloma (talvez o grande momento).

As cores fortes seguem presentes, mas com menor intensidade. É um Almodóvar delicado, ele resgata a feminilidade entre personagens masculinos. Há encanto da maneira como eles tratam de suas amadas, amorosos ao extremo. há momentos que beiram o brilhantismo, principalmente quando os fatos são clareados, as verdades veem à tona, e descobrimos detalhes transformam príncipes em vilões. As citações ao Brasil não param em Caetano, menciona-se Tom Jobim e há uma música lindamente cantada por Elis Regina logo no início.